Veja os bairros de BH com mais roubos e furtos de celulares

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Belo Horizonte – Centro, Savassi (Centro-Sul), São José (Pampulha) e Floresta (Leste) são os bairros de Belo Horizonte que mais concentram furtos e roubos de celulares em 2026 (veja ranking completo abaixo). Somente no ano passado, a capital registrou 55 furtos ou roubos por dia.Apesar do volume expressivo, os registros apresentam queda nos últimos anos. Em 2023, foram contabilizadas 25.232 ocorrências na capital. O número caiu para 22.821 em 2024 e para 20.096 em 2025. Em números absolutos, foram 5.136 casos a menos no intervalo de dois anos.Em 2026, até junho, foram contabilizados 8.457 casos. No mesmo período do ano passado, foram 11.373 ocorrências, o que representa uma queda ainda maior, de 25,6%.Os dados foram obtidos pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto à Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG)  e à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp). A base tem como fonte o Registro de Eventos de Defesa Social (Reds) e contabiliza os celulares furtados ou roubados em Belo Horizonte entre janeiro de 2023 e junho de 2026.Ainda que os registros venham diminuindo, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado no fim do mês passado, com dados referentes a 2025, a capital mineira está entre as 20 cidades brasileiras com as maiores taxas de roubos e furtos de celulares.De acordo com o relatório, BH ocupa a 16ª posição no ranking nacional entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, com uma taxa de 831,3 aparelhos subtraídos a cada 100 mil moradores.Furto x rouboPara começar, é importante entender como cada ocorrência é registrada pela polícia. De acordo com o pesquisador em Segurança Pública Jorge Tassi, o furto ocorre quando um bem é levado sem o uso de violência ou ameaça, muitas vezes quando a vítima está distraída e nem percebe.Já o roubo envolve ameaça, violência ou alguma ação que impeça a vítima de reagir, como no chamado “boa noite, Cinderela”. “No caso do “trombada”, não fica caracterizada a violência, se a vítima não chega a sofrer lesão. Os tribunais costumam caracterizar a ação como astúcia”, explicou TassiOs furtos representam a maior parte das ocorrências. Foram 20.123 registros em 2023, 17.954 em 2024 e 16.744 em 2025, uma queda de 16,8% em dois anos. Nos seis primeiros meses de 2026, Belo Horizonte registrou 7.286 furtos de celulares.A redução foi ainda mais expressiva nos roubos. Os registros passaram de 5.109 em 2023 para 4.867 em 2024 e 3.352 em 2025. Entre 2023 e 2025, portanto, a queda chegou a 34,4%. De janeiro a junho de 2026, foram registrados 1.171 roubos de celulares na capital mineira.O que explica a queda?Segundo o especialista Tassi, há dois fatores importantes que podem ajudar a explicar essa redução. O primeiro é o excesso de aparelhos no mercado, o que diminui o valor dos produtos e torna esse tipo de crime menos rentável para as organizações criminosas. “Isso barateia o preço e atrapalha as organizações”, disse Tassi.Apesar disso, Tassi acredita que talvez não haja uma queda real, mas, sim, uma subnotificação. “[A queda também] está relacionada à inépcia do sistema de investigação e repressão do Estado, pois a impressão do cidadão de que a polícia não funciona nestes casos, o impulsiona a simplesmente não prestar queixa, não procurar os órgãos policiais, e o crime permanece numa condição de não-notificado, e a estatística é falha em traduzir a realidade”, disse.Ele também pontua que há, também, possibilidade sim de diminuição em razão da ação policial. “Mas isso é circunstancial, pois o mercado de receptação é muito ativo em BH”, disse, Tassi.O sociólogo e especialista em segurança pública Luís Flávio Sapori avalia que a queda é um dado positivo e pode indicar uma atuação mais efetiva da polícia, tanto na prevenção quanto na investigação das redes de receptação. Ele pondera, porém, que o número de ocorrências ainda é alto:“Há uma queda importante, mas o problema ainda é grave. O número absoluto é muito alto, e isso ajuda a explicar por que a população ainda tem uma sensação de medo e insegurança e não percebe essa redução no dia a dia”, afirma Sapori.Sapori também aponta que o Celular Seguro, aplicativo do governo federal que permite bloquear aparelhos roubados ou furtados, pode também ajudar a explicar a queda dos crimes.“O governo federal adotou um sistema voltado para casos de furto e roubo de celulares, e isso pode estar contribuindo para a queda. Quando o aparelho é bloqueado rapidamente pela operadora, ele perde utilidade e valor no mercado ilegal, o que ajuda a desestimular esse tipo de crime”, afirma.“Hot Points”Sendo assim, o pesquisador Tassi avalia que BH é mais segura do que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a capital tem hot points, ou seja, pontos onde os riscos são maiores. Por isso, segundo o pesquisador, a atenção de quem circula por locais movimentados é um dos principais fatores de prevenção, já que furtos e roubos de celulares costumam ocorrer em situações de oportunidade.“Ou seja, como o criminoso tem em sua frente, em um local de alta circulação de pessoas, muitos hipotéticas-vítimas, ele sempre vai escolher aquelas que são mais fáceis – assim, quem usa desavisadamente, sem atenção, seu aparelho em um espaço como a Praça 7 (Centro), por exemplo, abre a janela de oportunidade para ser vítima de furto ou roubo”, afirmou Tassi.Os dados da secretaria de segurança comprovam: O Centro concentra, com ampla diferença, o maior número de registros nos dois levantamentos de janeiro a junho de 2026 e de janeiro a dezembro de 2023.Na sequência, aparecem bairros de diferentes regiões da capital, como Savassi (Centro-Sul), São Luiz (Pampulha) e Floresta (Leste), embora com mudanças de posição entre os rankings.Também se repetem entre os primeiros colocados Santa Efigênia (Leste), Lourdes, Barro Preto, Funcionários e Santo Antônio (Centro-Sul), além de Lagoinha (Noroeste).“O comércio, a alta circulação de pessoas e a ausência de policiamento ostensivo a pé são fatores que tornam os bairros considerados hot spots os mais preocupantes”, explicou Tassi.Sapori concorda que a maior concentração de furtos e roubos de celulares em bairros comerciais é esperada, principalmente pela intensa circulação de pessoas e, consequentemente, pelo maior número de potenciais vítimas. “Isso é absolutamente previsível em qualquer cidade do mundo”, afirma.Sapori pondera, porém, que o fenômeno não deve ser ignorado nos bairros predominantemente residenciais, onde, apesar de os números absolutos serem menores, as ocorrências também são registradas, especialmente em pontos de ônibus e durante deslocamentos a pé.“É preciso considerar também os roubos e furtos nos bairros residenciais. Eles acontecem em pontos de ônibus e até quando as pessoas estão caminhando, fazendo uma atividade física ou passeando com os animais. O mais comum são assaltantes que usam motocicletas para cometer esses crimes. Portanto, não podemos descuidar do fenômeno nos bairros residenciais”, explica.Por que levam celulares?Apesar da popularização, o celular ainda tem valor no mercado ilegal, seja para revenda do aparelho ou peças. Segundo o especialista, esse comércio ajuda a alimentar uma cadeia criminosa.“Os celulares e peças são produtos desejados no mercado de receptação. A receptação é o crime-mãe (ou crime-fim), que é mantido pelos crimes-meio, o furto ou o roubo. É uma atividade própria de crime organizado – normalmente, de organizações criminosas – pois o acúmulo de capital sequenciado, proveniente dessa atividade, precisa ser submetido à lavagem de capitais, para ser aproveitado com aparência de regularidade”, disse.De acordo com ele, a receptação pode fazer parte da estrutura financeira de organizações criminosas, inclusive de grupos conhecidos.“Com controle de áreas (como em comunidades), crimes de violência (como homicídios, extorsões e aliciamentos), podendo se vincular àquelas conhecidas organizações – como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), ou outras, se for o caso”, acrescentou.Já Sapori afirma, portanto, que não acredita em uma conexão direta entre esse tipo de crime e o tráfico de drogas. “Esses celulares não ficam com o ladrão ou o assaltante. Eles são repassados a receptadores. […] Hoje, não há indícios de conexão entre esse crime e o tráfico de drogas, pelo menos aqui em BH. Evidentemente, isso pode acontecer em outras cidades e com outros tipos de crime, como roubos e furtos de veículos”, afirma.Quem são os ladrões?Segundo o pesquisador, não há um perfil único de quem furta ou rouba celulares, e a pobreza não deve ser apontada como o principal fator relacionado a esses crimes. O consumo de drogas e a busca constante por dinheiro para sustentar o vício aparecem, segundo ele, como uma das motivações.“É normal que essas pessoas ajam em conjunto, ou seja, em plena associação para o furto/roubo. Eles dividem espaços e exercem algum tipo de ‘poder’ naqueles pontos”, explicou.“Ninguém se daria ao trabalho de furtar, num dia, 20 celulares, para guardar em casa. A ação é de crime continuado, com ações que se somam, a todo instante, demonstrando alguns vieses de ‘profissionalização’ e, certamente, cooptação por parte dos receptadores”, finalizou.