Diversidade de abacates pode tornar cultivo mais resiliente

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Cientistas que percorrem a floresta tropical da Nicarágua identificaram um verdadeiro “ninho” de diversidade de espécies de abacate, revelando variedades geneticamente distintas das cultivadas comercialmente. A fruta foi transportada pela primeira vez da América do Sul para a América Central há cerca de 5.000 anos, percorrendo centenas de quilômetros, e pesquisadores americanos encontraram vestígios genéticos dessa antiga migração no DNA das plantas.A descoberta indica que algumas dessas espécies podem contribuir para diversificar a cadeia de suprimentos e impulsionar a agricultura sustentável e as variedades comerciais da fruta considerada um alimento saudável. A área de distribuição natural das árvores de abacate se estende do México ao Peru, mas o especialista no estudo, o arqueobotânico Kevin Wann, afirma que existe “uma diversidade muito maior de abacates que a ciência ainda não havia documentado. Potencialmente, poderíamos aproveitar essa diversidade genética para conservar plantas comerciais de abacate que são vulneráveis a doenças.”Foto: PixabayA chave para essa descoberta e para a diversidade evolutiva encontrada está na migração da fruta do sul para o norte, provocada pelos seres humanos. Por mais de 10.000 anos, as populações da região cobiçaram o fruto da planta, cuja polpa verde-amarelada é rica em nutrientes e gorduras. À medida que as sementes se dispersavam pelas terras baixas e úmidas da América Central, elas hibridizavam com plantas nativas, produzindo uma diversidade de variedades de abacate. Apesar de se assemelharem aos abacates encontrados em regiões úmidas como a Flórida e o Caribe, as variedades locais são geneticamente distintas das frutas cultivadas comercialmente e utilizadas no guacamole.Em 2024, 11 milhões de toneladas métricas de abacates eram cultivadas anualmente em todo o mundo, mas, assim como a banana, a grande maioria pertence a uma única variedade: Hass. Esses abacates grandes e de longa duração são produzidos por meio de enxertia clonal, em que um galho é retirado de uma árvore de abacate Hass e enxertado em outra árvore para produzir exatamente o mesmo fruto. Como resultado, a maioria dos abacates nos supermercados é geneticamente indistinguível. Isso torna todos os abacates Hass vulneráveis às mesmas ameaças, sendo que uma única doença, mudança de temperatura ou precipitação pode ser capaz de dizimar toda uma população deles. Leia também: 1.Arquitetura bioclimática molda “Casa Abacateiro” em Floripa 2.8 maneiras de aproveitar o caroço do abacate Para investigar esse potencial, Wann, estudante de doutorado na Universidade Texas A&M, examinou o DNA de folhas de abacate coletadas na Nicarágua, Honduras e no sul do México. Eles também conversaram com agricultores e jardineiros para entender como esses abacates locais são cultivados. As práticas agrícolas tradicionais aprimoraram as variedades nativas da região, também conhecidas como “variedades crioulas”, ao longo de milhares de anos. Os moradores locais confirmaram que elas não sofreram com a podridão radicular, a doença mais comum que afeta os abacates comerciais. Os pesquisadores extraíram e analisaram o DNA de 47 variedades crioulas de abacate, 32 das quais originárias da Nicarágua, e compararam essas informações com dados genéticos previamente publicados de mais de 200 outras linhagens do fruto.Os resultados, publicados na revista Plants People Planet, mostraram que os abacates coletados nas terras baixas da Nicarágua tinham ligação genética com abacates encontrados mais ao sul, incluindo populações ao longo da costa da Colômbia, e não ao norte, no México. Isso revelou que muitas variedades locais naquela parte da América Central são plantadas a partir de frutos originalmente cultivados na América do Sul. Wann acredita que o acervo de diversidade de abacate preservado nas terras baixas da América Central pode ajudar a proteger os abacates comerciais do destino de outras culturas clonais, como a banana, que foram devastadas por patógenos fúngicos no passado. As variedades locais da região também são adaptadas a climas mais quentes e úmidos. “Seus altos níveis de diversidade genética os tornam mais preparados para enfrentar possíveis mudanças climáticas ou doenças em comparação com os que você compraria em um supermercado.”The post Diversidade de abacates pode tornar cultivo mais resiliente appeared first on CicloVivo.