China: PBoC mantém principais taxas de juros inalteradas pela 15ª vez consecutiva

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O Banco Popular da China (PBoC, na sigla em inglês) manteve inalteradas nesta quinta-feira (20) as principais taxas de juros de referência do país, em linha com as expectativas do mercado. A taxa de empréstimos de 1 ano (LPR) permaneceu em 3% ao ano, enquanto a de 5 anos, referência para financiamentos imobiliários, seguiu em 3,5% ao ano.Com a decisão, as taxas permanecem nos mesmos níveis desde maio de 2025 e completam 15 meses consecutivos sem alterações. Em pesquisa realizada pela Reuters com 25 participantes do mercado, todos esperavam a manutenção dos juros.A decisão ocorre em meio a sinais de desaceleração da segunda maior economia do mundo. Dados recentes mostraram perda de fôlego da atividade econômica no início do terceiro trimestre, com indicadores de produção industrial, vendas no varejo e concessão de crédito apontando para uma demanda doméstica ainda fraca.O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 4,3% no segundo trimestre, abaixo da meta anual do governo, que varia entre 4,5% e 5,0%. Além disso, os novos empréstimos em yuan registraram uma contração recorde em julho, refletindo tanto fatores sazonais quanto a menor procura por crédito por parte das famílias.Apesar desse cenário, Pequim tem evitado recorrer a cortes nas taxas de juros tradicionais. Em vez disso, o governo tem privilegiado medidas estruturais e instrumentos de liquidez de curto prazo para reduzir os custos de financiamento e estimular a economia. No mês passado, por exemplo, o banco central lançou operações de recompra reversa overnight como parte dessa estratégia.Para analistas, a manutenção das taxas indica que as autoridades chinesas estão apostando mais na aceleração dos estímulos fiscais do que em um novo ciclo de afrouxamento monetário. Na reunião de julho do Politburo, a liderança chinesa se comprometeu a ampliar os gastos com projetos de infraestrutura já previstos no orçamento para sustentar o crescimento econômico.Na semana passada, o PBoC reiterou que manterá uma política monetária “adequadamente flexível” e que adotará medidas práticas e eficazes quando necessário. No entanto, a autoridade monetária não sinalizou cortes iminentes nas taxas de referência nem no compulsório bancário, reforçando a estratégia atual de estímulos graduais para apoiar a economia.*Com informações do Estadão Conteúdo e Reuters