Um tribunal chinês condenou nesta quinta-feira (20) o fundador do atribulado gigante do setor imobiliário Evergrande, Xu Jiayin, à prisão perpétua por uma série de crimes que incluem “fraude financeira” e multou o grupo em mais de US$ 2 bilhões.Antes a principal empresa do setor no país, a Evergrande virou um símbolo da crise imobiliária que segue afetando a economia chinesa, após décadas de rápida urbanização e de avanços nas condições de vida.O acesso da Evergrande ao crédito foi drasticamente reduzido quando o governo introduziu restrições ao endividamento excessivo e à especulação.A empresa apresentou o pedido de falência em 2021, depois de anos de luta para administrar sua enorme dívida.Nesta quinta-feira, um tribunal da cidade de Shenzhen, no sul do país, impôs ao Grupo Evergrande e à sua divisão imobiliária sanções no valor total de 15,82 bilhões de yuans (quase US$ 2,4 bilhões, R$ 12,4 bilhões).Além disso, condenou Xu à prisão perpétua por diversas acusações, entre elas “fraude financeira em larga escala”.“Xu Jiayin foi condenado por múltiplos crimes e multado, recebeu uma sentença de prisão perpétua, teve os direitos políticos revogados para o resto da vida e todos os seus bens pessoais foram confiscados”Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, na província de Guangdong, na rede social WeChatEntre 2016 e 2021, a Evergrande e Xu, na qualidade de presidente, “violaram as leis nacionais ao cometer fraude financeira contínua e em larga escala, assim como por outros meios, para inflar seus ativos e ocultar passivos”, destacou o tribunal.O tribunal acrescentou que as partes “conseguiram o controle de instituições financeiras” por meio de subornos, sem identificar nenhuma entidade em particular.O veredicto foi anunciado depois que Xu se declarou culpado, em abril, de acusações que também incluem desvio de recursos e suborno, anunciou o tribunal na ocasião.Outros cinco executivos do Grupo Evergrande foram condenados nesta quinta-feira a penas que variam de seis a 18 anos de prisão por crimes que incluem fraude, informou o tribunal de Shenzhen.