Eleitor hoje presta atenção somente em Lula e Flávio, diz CEO da Nexus

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A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (17), aponta mais um empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial. No primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio.Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, analisou os números em entrevista ao Bastidores CNN e destacou a resiliência dos dados ao longo de dez rodadas de pesquisa realizadas desde o final de março.“Na primeira pesquisa em março, eles apareceram numericamente empatados, foi a única vez que isso aconteceu, 46/46. Em todas as outras, nas nove, Lula teve uma vantagem numérica. Flávio nunca apareceu na frente”, afirmou Tokarski, analisando os dados referentes às pesquisas de segundo turno. Lula e Flávio buscam estratégia para evitar abstenção Análise: Flávio tenta aumentar rejeição a Lula em lançamento de campanha Quaest: Lula tem 47% entre os católicos; Flávio, 43% entre os evangélicos Ele observou, porém, que a vantagem de Lula ficou sempre dentro do que é considerado um empate técnico, considerando a margem de erro de 2% para mais ou para menos.“Tudo que é diferença de quatro pontos ou menos é um empate técnico no ponto de vista estatístico. Só em meados de julho, Lula apareceu com cinco pontos à frente, no auge do desgaste do caso Dark Horse para Flávio Bolsonaro”, disse Tokarski.O CEO da Nexus destacou que 86% dos eleitores de Lula declararam, nesta rodada, que não vão mudar de voto até o dia da eleição. Entre os eleitores de Flávio, esse índice está em torno de 80%.Na pergunta espontânea, em que não são apresentados quais são os candidatos, 67% dos eleitores escolhem Lula ou Flávio. Na pergunta estimulada, esse número sobe para quase 80% dos votos.“Isso mostra uma solidificação muito forte do voto dos dois líderes e um desafio muito grande”, disse.Segundo Tokarski, as opções da chamada “terceira via” enfrentam dificuldades para crescer. Nenhum dos demais candidatos ultrapassa cinco pontos percentuais no primeiro turno.Ele avaliou que candidatos como Caiado (PSD), Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não conseguiram ganhar musculatura durante os meses de pré-campanha e enfrentarão uma “largada desfavorável” neste início de campanha. “O eleitor hoje está prestando atenção em Lula e Flávio Bolsonaro”, afirmou.Caso LulinhaTokarski comentou sobre o possível impacto das investigações envolvendo Lulinha, filho mais velho de Lula. Segundo ele, até o momento, o efeito sobre as intenções de voto foi praticamente nulo.Lula oscilou um ponto positivamente na intenção de voto estimulada de primeiro turno, e no segundo turno manteve os mesmos 47% da semana anterior. A rejeição de Lula está em 48% e a de Flávio em 50%, também números idênticos aos da semana passada.“Até aqui, para efeito de comportamento dos eleitores, isso não teve nenhum impacto. O que me parece, pelo menos por enquanto, é que cada eleitor está olhando para o seu candidato e não está dando atenção para críticas e problemas que seu candidato enfrenta”, ponderou Tokarski.Caiado contra Zema e RenanAo avaliar o potencial de crescimento da terceira via, Tokarski apontou que Ronaldo Caiado leva vantagem sobre Zema e Renan Santos por ter acesso ao horário eleitoral na televisão.“A pesquisa BTG/Nexus mostra que 68% dos brasileiros pretendem acompanhar de alguma maneira o horário eleitoral, é bastante gente. E mesmo quem não acompanhar será impactado pelos comerciais de rádio e TV”, observou Tokarski.Ele lembrou que Zema e Renan não têm coeficiente partidário suficiente para garantir tempo de TV, o que os obriga a concentrar a campanha em redes sociais, entrevistas e debates. “Eu vejo, por esse lado, uma vantagem para Caiado”, afirmou.Em simulações de segundo turno, Caiado empata tecnicamente com Lula, ficando apenas três pontos atrás. No entanto, no primeiro turno, Flávio tem mais de sete vezes a intenção de voto do ex-governador de Goiás.“O Caiado precisa crescer e precisa crescer rápido. Candidatos que até setembro não conseguirem despertar a curiosidade e a atenção do eleitorado, podem sofrer um revés”, alertou Tokarski.Ele citou como exemplo de desidratação a candidatura de Ciro Gomes (na época no PDT) na eleição de 2022, que chegou a ter dois dígitos nas pesquisas e terminou nas urnas com 3% dos votos.Movimentações regionaisNa análise por recortes regionais e demográficos, Tokarski identificou que Lula tem crescido no Nordeste e entre eleitores de baixa renda e baixa escolaridade, ao mesmo tempo em que Flávio avança no Sudeste, especialmente em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 22% dos eleitores.“Lula tem conseguido compensar esse crescimento de Flávio no Sudeste com o crescimento dele no Nordeste, de forma que a média nacional não muda“, explicou.A tendência, segundo o analista, é que Lula busque fortalecer sua base no Nordeste e entre mulheres e católicos, enquanto Flávio mira o Sudeste, região que representa pouco mais de 40% do eleitorado brasileiro. 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