A soja encerrou a sessão desta segunda-feira (17) em forte alta na Bolsa de Chicago, impulsionada pelas expectativas de retomada das compras chinesas de soja norte-americana e pelo avanço dos derivados. O contrato com vencimento em novembro subiu 1,97% e fechou a US$ 12,16 por bushel.Segundo a Agrinvest, a oleaginosa chegou a testar a resistência próxima de 12,50 dólares por bushel, em um movimento sustentado principalmente pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos e pelo forte desempenho dos derivados.Para a Granar, o mercado também reagiu às expectativas de que a China mantenha e amplie as compras de soja dos Estados Unidos na safra 2026/2027. Segundo a consultoria, os negócios entre os dois países parecem estar se normalizando gradualmente depois da queda registrada durante o ciclo comercial de 2025/2026.O movimento ganhou força com a confirmação, nesta segunda-feira, de uma nova venda de 136 mil toneladas de soja norte-americana para a China na safra 2026/2027, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Leia Mais Soja sobe em Chicago com petróleo e expectativa de compras chinesas Soja fecha em baixa em Chicago apesar de novas compras da China nos EUA Soja sobe, milho fecha estável e trigo recua em Chicago Outro fator observado pelos operadores foi o anúncio da estatal chinesa Sinograin de um novo leilão de 360 mil toneladas de soja importada, marcado para 19 de agosto. Este será o quarto leilão realizado pela empresa desde o fim de julho.Na avaliação da Granar, a sequência de leilões reforça entre os participantes do mercado a percepção de que a China está liberando espaço nos armazéns para receber os volumes de soja norte-americana adquiridos para embarque no último trimestre do ano.Com relação aos derivados, o óleo de soja liderou os ganhos entre os produtos processados, acompanhando a valorização dos demais óleos vegetais no mercado internacional e também recebendo suporte da forte alta do setor de energia.No mercado físico norte-americano, a Agrinvest destacou que o diesel e o óleo de aquecimento avançaram entre 10 e 12 centavos de dólar por galão em todas as regiões dos Estados Unidos.“A perspectiva de melhora no mercado de biocombustíveis também contribui para sustentar os preços do óleo de soja. O farelo, por sua vez, acompanhou o movimento positivo dos demais componentes do complexo”, informou a Agrinvest.MilhoO milho encerrou a sessão com avanços na Bolsa de Chicago, sustentado por sinais de aumento da demanda pelos estoques norte-americanos e por preocupações com a oferta global. O contrato com vencimento em dezembro avançou 1,29% e fechou cotado a US$ 4,89 por bushel.Segundo a Agrinvest, a semana começou com valorização dos contratos futuros do cereal, em um movimento apoiado pelos sinais recentes de procura por milho dos Estados Unidos e pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.Na avaliação da Granar, os preços também reagiram ao agravamento das tensões na região do Mar Negro, depois que a Rússia rejeitou propostas de cessar-fogo. “O cenário aumenta as preocupações sobre a oferta internacional, principalmente diante das restrições aos embarques de grãos pelos terminais marítimos da Ucrânia”, informou a Granar.A Ucrânia é uma das principais fornecedoras de milho para a União Europeia e ocupa a quarta posição entre os maiores exportadores mundiais. Os ataques russos têm limitado de forma significativa o fluxo de grãos pelos portos ucranianos, ampliando a percepção de risco sobre a disponibilidade da commodity no mercado internacional.Além dos fatores geopolíticos, a Granar apontou que o clima adverso na União Europeia também contribuiu para sustentar os preços. “Ondas de calor e baixos volumes de chuva vêm prejudicando as lavouras e reduzindo o potencial produtivo do milho em importantes regiões produtoras”, destacou.Na França, principal produtora de milho da União Europeia, a situação das lavouras continua se deteriorando. Pela nona semana consecutiva, a FranceAgriMer reduziu a parcela das plantações classificadas como boas ou muito boas, de 31% para 29%. No mesmo período de 2025, esse índice era de 65%.O Ministério da Agricultura da França estima que a produção de milho do país cai em torno de 35% neste ano, para cerca de 9 milhões de toneladas. As consultorias Expana e Argus, porém, projetam uma queda ainda mais acentuada, com a colheita podendo ser reduzida pela metade em relação ao ciclo anterior e ficar abaixo de 7 milhões de toneladas.TrigoO trigo encerrou a sessão praticamente estável na Bolsa de Chicago, após um pregão marcado pela volatilidade e pela influência das tensões geopolíticas no Mar Negro. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,04% e fechou a US$ 6,89 por bushel.Segundo a Agrinvest, o trigo iniciou o dia em queda, em um movimento de realização de lucros mesmo diante da continuidade dos conflitos na região do Mar Negro. Ao longo da sessão, porém, os contratos acompanharam a recuperação do milho e passaram a operar levemente acima dos níveis registrados na abertura.Na avaliação da Granar, o mercado ganhou força diante do aumento das tensões no Mar Negro após a Rússia rejeitar as propostas de cessar-fogo para a região.A posição russa elevou novamente as preocupações dos operadores com os impactos do conflito sobre o comércio internacional de grãos, especialmente diante da importância da região para as exportações de trigo e de outros cereais.Alta de custos pressiona trigo e eleva risco de repasse ao consumidor