ANS suspende reajustes e cancelamentos de contratos anunciados pela Hapvida (HAPV3); ações tombam

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O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Damous, anunciou nesta quinta-feira a suspensão preventiva de reajustes e cancelamentos de contratos anunciados recentemente pela Hapvida (HAPV3).De acordo com a ANS, a adoção da medida cautelar de ofício para impedir, de forma preventiva, a implementação de reajustes e rescisões contratuais busca assegurar o cumprimento das normas regulatórias e a proteção dos beneficiários diante da dimensão da medida anunciada.No material de divulgação do balanço do segundo trimestre, publicado na semana passada, a Hapvida afirmou que fez uma análise criteriosa da sua base de contratos para avaliar aqueles cuja margem seria negativa, além de estabelecer critérios mais rigorosos para clientes inadimplentes.“Esse processo se iniciou no fim do trimestre e, em junho de 2026, cerca de 947 mil vidas se enquadravam nos novos critérios, ou em torno de 11% do total de vidas”, afirmou, acrescentando que o ticket médio nesse grupo é aproximadamente metade do ticket médio consolidado de saúde.“Nos próximos meses, no processo regular de renovação contratual, a companhia entende que, em função dos reajustes necessários para a retomada do equilíbrio econômico dos contratos e/ou da cobrança das faturas em aberto, parte dessas vidas pode ser descontinuada. Em ambos os cenários, seja na renegociação bem-sucedida, seja na descontinuidade das vidas, o efeito deverá ser favorável em termos de margem e geração de caixa.”Em comunicado sobre a decisão, a ANS afirmou que a operadora foi notificada a prestar esclarecimentos e terá uma reunião com a ANS para explicar a proposta de aplicar reajustes de dois dígitos ou cancelar unilateralmente cerca de 950 mil contratos, o equivalente a 12% de sua carteira.“Em vista do grande número de contratos e de vidas envolvidas, essa medida tem uma aparência muito forte de seleção de risco, o que é proibido e que será apurado pela ANS. Assinamos uma medida cautelar para frear qualquer medida de rescisão ou reajuste até que os esclarecimentos sejam prestados”, afirmou Damous no comunicado.Procurada pela Reuters, a Hapvida disse que apresentará todos os esclarecimentos e as informações pertinentes ao órgão regulador, como sempre fez em sua relação institucional com a Agência e com a sociedade.Mas ressaltou que as medidas anunciadas pela empresa “estão relacionadas a contratos com inadimplência e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico-financeiro”.Neste último caso, afirmou, as tratativas ocorrem dentro dos períodos regulares de renovação contratual, mediante avaliação individualizada e em observância às normas aplicáveis da ANS.“A revisão desses contratos não significa, necessariamente, o seu cancelamento. O processo contempla a negociação com as empresas contratantes e a busca por condições que permitam o reequilíbrio e a continuidade dos contratos, respeitados os critérios contratuais e regulatórios aplicáveis. A decisão de rescisão ou saída será sempre do cliente, caso as bases de sustentabilidade do contrato não sejam, dentro do regime da livre iniciativa, alcançadas”, afirmou.Ação tomba quase 6%Na bolsa paulista, por volta de 14h50, as ações da Hapvida (HAPV3) recuavam 5,95%, a R$6,17, pior desempenho do Ibovespa. Em agosto, os papéis já somam um tombo de 45%, determinado principalmente pela frustração com o resultado da companhia no segundo trimestre, com forte queda no lucro e no Ebitda, além de reaceleração dos depósitos judiciais — recursos vinculados a disputas judiciais com clientes e prestadores.Analistas do Itaú BBA destacaram que as medidas de revisão de contratos e reajuste de carteira eram uma parte importante do plano da administração para melhorar a rentabilidade e a geração de caixa nos próximos trimestres.“Ainda não está claro se a análise regulatória reportada poderá, no fim das contas, limitar a implementação dessas medidas ou apenas afetar seu cronograma. Neste momento, o desdobramento representa um risco de baixa para nossas estimativas futuras, ao potencialmente atrasar, restringir ou alterar o alcance das medidas planejadas”, afirmaram em relatório a clientes nesta quinta-feira após o Globo noticiar sobre a suspensão. “O impacto final dependerá da decisão do regulador, da duração da análise e das alternativas que a empresa tiver à disposição.”