Existe uma brasilidade nos games? Publishers apostam na identidade dos jogos brasileiros

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Quando pensamos em um jogo brasileiro, o que exatamente faz com que ele seja reconhecido como brasileiro? Não é necessário ter uma floresta tropical como cenário, personagens falando português ou referências explícitas à cultura nacional. A identidade pode estar na narrativa, na arte, no humor e até na maneira como os desenvolvedores enxergam o próprio processo criativo.O Brasil produz jogos há décadas, mas uma nova geração de empresas começa a trabalhar também em outro ponto importante dessa cadeia: fazer com que esses projetos encontrem espaço no mercado.Publishers como BelJogos, Fogo Games, Aoca Game Lab e Akyoma Studios apostam em desenvolvedores nacionais e ajudam a colocar seus projetos diante de jogadores dentro e fora do país.Mais do que simplesmente publicar games, essas empresas levantam uma discussão importante para uma indústria brasileira que amadurece: existe uma brasilidade nos videogames?O que torna um jogo brasileiro?Talvez a primeira resposta seja a mais óbvia: ter sido desenvolvido no Brasil. Mas a identidade de um jogo pode ir muito além do endereço de seu estúdio.Elementos culturais podem aparecer diretamente em personagens, cenários, músicas e histórias, mas também de maneiras menos evidentes.Um jogo brasileiro pode carregar referências do cotidiano, diferentes regiões do país, formas de falar, humor, experiências sociais ou simplesmente perspectivas que surgem das vivências de quem o desenvolveu.Nesse sentido, falar em brasilidade não significa estabelecer uma estética que todos os desenvolvedores nacionais precisam seguir. Pelo contrário: a diversidade de estilos e experiências pode ser justamente uma das características da produção brasileira.É nesse cenário que as publishers passam a desempenhar um papel importante.BelJogos aposta em quem desenvolve no BrasilImagem: BelJogos/ Divulgação Para a BelJogos, fortalecer o mercado nacional também significa criar oportunidades para quem já desenvolve games por aqui.Publicar um jogo envolve etapas que vão muito além de disponibilizá-lo em uma loja digital. Marketing, distribuição, posicionamento, relacionamento com plataformas e planejamento de lançamento podem determinar quanto espaço um projeto conseguirá conquistar.Para pequenos estúdios, lidar com todas essas frentes enquanto desenvolvem um game pode representar uma barreira.A presença de publishers voltadas ao mercado nacional ajuda justamente a aproximar os projetos brasileiros das estruturas necessárias para chegar aos jogadores.Nesse processo, apoiar os desenvolvedores também significa permitir que ideias criadas no país encontrem espaço sem necessariamente precisar reproduzir aquilo que já funciona nos grandes mercados internacionais.Fogo Games: brasilidade não precisa ser óbviaImagem: Fogo Games/ Divulgação A Fogo Games amplia essa discussão ao mostrar que a identidade brasileira não precisa aparecer apenas por meio de referências explícitas.Ela pode estar na narrativa, na direção artística, no humor e na própria maneira como um estúdio aborda determinado gênero ou mecânica.Isso é especialmente relevante porque os games brasileiros não formam um gênero único.Existem jogos nacionais de terror, ação, aventura, RPG, estratégia, corrida e praticamente qualquer outra categoria encontrada na indústria internacional.Assim, procurar uma identidade brasileira não significa estabelecer regras sobre como esses jogos devem parecer. Significa permitir que os desenvolvedores tragam suas próprias referências para aquilo que estão criando.Aoca Game Lab mostra a diversidade dos jogos brasileirosImagem: Aoca Game Lab/ Divulgação Essa pluralidade também aparece na proposta da Aoca Game Lab.A aposta em projetos autorais ajuda a mostrar como a produção nacional pode assumir diferentes formas sem perder sua origem.Essa talvez seja uma das principais características de uma indústria formada em um país tão diverso quanto o Brasil. Um jogo desenvolvido no Nordeste não necessariamente terá as mesmas referências de outro criado no Sul ou no Sudeste.Da mesma forma, diferentes gerações de desenvolvedores crescem consumindo games, filmes, músicas e outras manifestações culturais completamente distintas.A brasilidade, portanto, pode estar justamente nessa mistura.Em vez de procurar uma fórmula capaz de definir o “jogo brasileiro”, o mercado pode encontrar sua identidade na variedade de projetos que surgem por aqui.Akyoma Studios mira um mercado além do BrasilImagem: Akyoma Studios/ Divulgação Para a Akyoma Studios, outro desafio entra nessa equação: levar esses projetos para jogadores de outros países.A indústria de videogames é global por natureza. Um pequeno estúdio brasileiro pode lançar um título digitalmente e alcançar jogadores nos Estados Unidos, Europa ou Ásia sem necessariamente possuir uma estrutura física nesses mercados.Essa possibilidade cria uma oportunidade, mas também aumenta a competição.Desenvolvedores brasileiros disputam atenção com milhares de jogos lançados ao redor do mundo. Nesse cenário, possuir uma identidade própria pode deixar de ser uma limitação e se transformar em diferencial.A questão passa a ser como tornar um projeto compreensível e interessante para uma audiência internacional sem eliminar as características que fizeram aquele jogo nascer no Brasil.Publishers podem ajudar a construir uma indústriaO crescimento das publishers nacionais também representa uma etapa importante do amadurecimento do setor brasileiro.Uma indústria de games não é formada somente por estúdios.Ela depende de profissionais de marketing, comunicação, localização, produção, distribuição, financiamento e desenvolvimento de negócios, além das próprias plataformas e publishers.Quanto mais partes dessa cadeia conseguem ser desenvolvidas dentro do país, maior é a possibilidade de transformar projetos isolados em um ecossistema capaz de produzir novos jogos continuamente.Publishers como BelJogos, Fogo Games, Aoca Game Lab e Akyoma Studios fazem parte desse movimento ao trabalhar para que projetos brasileiros encontrem espaço em um mercado cada vez mais competitivo.Afinal, existe uma brasilidade nos games?Talvez não exista uma resposta única e esse pode ser justamente o ponto.Um jogo não precisa colocar símbolos nacionais na tela para carregar parte da cultura de quem o desenvolveu. Assim como acontece no cinema, na literatura ou na música, identidade também pode aparecer na maneira de contar histórias, construir personagens e interpretar o mundo.A indústria brasileira ainda busca ampliar sua presença em um mercado dominado por grandes polos internacionais, mas já existe uma geração de desenvolvedores produzindo experiências próprias e empresas tentando fazer com que esses projetos cheguem mais longe.Mais do que descobrir uma fórmula para criar um “game brasileiro”, o desafio agora pode ser permitir que diferentes vozes tenham espaço para mostrar o que isso significa.E, se depender dessa nova geração de publishers, a resposta poderá vir dos próprios jogos.O post Existe uma brasilidade nos games? Publishers apostam na identidade dos jogos brasileiros apareceu primeiro em Olhar Digital.