A curva de juros futuros fechou em queda em todos os vencimentos, acompanhando o movimento observado no mercado de títulos no exterior após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar o aumento da recompra de títulos de dívida pública de longo prazo. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, encerrou na mínima intradia a 13,720%, queda de 2,5 pontos-base ante 13,742% do fechamento anterior.Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 14,195% ante 14,315% do fechamento anterior, recuo de 12 pontos-base.A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, caiu quase 10 pontos-base e terminou o dia a 14,615% ante 14,710% do fechamento da última terça-feira (19).Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,162% ante 4,175% do ajuste anterior, por volta de 18h (horário de Brasília). Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — caía para 4,641%, de 4,706% da última terça-feira, no mesmo horário.O que mexeu com os DIs hoje? A recompra de títulos do Tesouro de longo prazo pelo governo dos Estados Unidos deu alívio aos juros globais após forte estresse no mercado de títulos em todo o mundo. Na manhã desta quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma operação ampliada de recompra de títulos de longo prazo, dobrando o tamanho das operações de recompra de suporte de liquidez para títulos de cupom nominal de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos.A medida, que estará em vigor entre 9 de setembro a 4 de novembro, foi anunciada um dia após uma grande onda de vendas de títulos ter empurrado o rendimento dos títulos de 30 anos para seu nível mais alto desde 2007.Além disso, o Departamento leiloou US$ 16 bilhões de T-bonds de 20 anos hoje com rendimento máximo de 5,204% – acima da média recente de 4,874%, de acordo com o BMO. A taxa bid-to-cover, um indicativo da demanda, ficou em 2,53 vezes, marginalmente acima da média recente de 2,46 vezes.Esse movimento tirou a pressão no mercado de juros nos EUA e ao redor do mundo, inclusive no Brasil”, afirmou Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research.Na visão de Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação da Avenue, a decisão do Tesouro dos EUA foi lida, por parte do mercado, como uma espécie de “Operation Twist” do Tesouro, mas também como um “gesto político” do secretário Scott Besset de olho nas eleições de meio de mandato em novembro.A medida também se sobrepôs à ata da ata da última decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). Na última decisão, em julho, o Fed manteve os juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva, mas com a maior dissidência entre os diretores em uma década.Na avaliação do ING, o Comitê adotou um tom “ligueiramente” kawkish, o que já era esperado pelo mercado devido aos votos de Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari por um aumento de 0,25 ponto percentual na decisão.“Apesar do tom ligeiramente hawkish, é preciso lembrar que essa ata reflete opiniões formadas antes da rodada mais recente de dados fracos do mercado de trabalho, números de inflação contidos e dados decepcionantes de vendas no varejo e confiança do consumidor”, avaliou James Knightley, economista-chefe internacional do ING, em nota.*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters