'Não há como ganhar': funcionários do Walmart reclamam de IA da empresa

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A implementação de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar trabalhadores e automatizar processos internos vem gerando reclamações entre funcionários do Walmart nos Estados Unidos, como noticiou o Business Insider na terça-feira (18). Muitos afirmam que precisam fornecer contexto, corrigir erros e treinar os sistemas para que eles funcionem adequadamente.Uma parcela crescente dos 1,6 milhão de contratados da varejista já lida com a tecnologia por meio do aplicativo MyWalmart instalado nos celulares corporativos. Os assistentes virtuais definem metas, distribuem tarefas, organizam o trabalho e identificam em que tarefas cada pessoa é mais eficiente, mas a interação com esses recursos tem sido complicada em alguns casos.Ao Business Insider, um porta-voz da empresa disse que acompanha os relatos dos contratados e se baseia neles para implementar melhorias, com a abordagem incluindo visitas às lojas e sessões regulares de escuta para entender como a tecnologia funciona em cenários reais. Ele também ressaltou não existir punição para quem deixa de seguir as orientações da IA.Principais reclamaçõesDe acordo com a reportagem, os agentes de IA do Walmart não compreendem as particularidades do trabalho, mesmo em tarefas simples como a reposição de produtos. Isso envolve conferir datas de validade, trocar os itens danificados, limpar a poeira e eventuais derramamentos, entre outras coisas.Tais atividades podem demorar, inclusive pelo surgimento de imprevistos, mas os bots autônomos definem um tempo mais curto como se o funcionário apenas colocasse mercadorias em espaços vazios, segundo os relatos;Quem atua nos centros de distribuição também tem queixas, afirmando que a IA estabelece rotas nada eficientes, gerando deslocamentos desnecessários;Dessa forma, o tempo projetado pelo sistema para a separação dos produtos comprados online é quase impossível de cumprir;“Isso vai te levar para todos os lugares. Não há como ganhar nesses casos”, reclamou uma funcionária entrevistada.Conforme as queixas, a IA ainda tem dificuldades para compreender o trabalho dos funcionários do Walmart. (Imagem: artran/Getty Images).Há, ainda, dificuldades enfrentadas por motoristas do Spark, serviço de entregas do Walmart. Um deles afirmou que a “rota inteligente” escolhida pelo bot frequentemente o instrui a coletar itens congelados no início do trajeto, facilitando o descongelamento dos produtos.O agente de IA que monitora câmeras e sensores de segurança também foi alvo de críticas. Como explicou a funcionária responsável pelo mecanismo, o sistema emite tantos alarmes falsos que ela passou a ignorá-los, o que pode ser um problema se for identificado algo relevante.Sem punições para quem não seguir a IASegundo Brooks Forrest, vice-presidente de ferramentas para funcionários do Walmart, as lojas possuem autonomia para utilizar a IA da maneira mais conveniente. Ele disse, também, que a varejista valoriza o feedback dos usuários e tenta se adequar às sugestões e pedidos.“Não punimos as pessoas por não seguirem as orientações técnicas. A tecnologia está aí para ajudá-los, mas, em última análise, a decisão sobre o que fazer é deles”, afirmou Forrest à publicação.Uma pesquisa da United for Respect, que atua na defesa dos trabalhadores, mostrou mais de 85% dos entrevistados afirmando não confiar que o Walmart considera suas necessidades ao desenvolver a IA. Por outro lado, 40% disseram estar empolgados com a tecnologia, esperando que ela facilite o trabalho.Siga no TecMundo e saiba como tem sido a relação entre a IA e a Geração Z no mercado de trabalho.