‘É nas crises que surgem as melhores oportunidades’: Trígono explica redução na Kepler Weber (KEPL3) e aponta 3 ações

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A redução da participação da Trígono Capital na Kepler Weber (KEPL3) não representa uma mudança na visão da gestora sobre a companhia. Pelo contrário: Werner Roger, sócio-fundador e CIO da Trígono Capital, afirma que a casa continua confiante na fabricante de equipamentos para armazenagem de grãos, mas encontrou outras oportunidades para alocar parte dos recursos.“É um movimento normal. Existem muitas oportunidades no mercado e não significa nada em relação à Kepler. Acho que isso faz parte da rotação de portfólio”, disse ao Money Times.Nesta semana, a Kepler Weber informou que a Trígono reduziu sua participação de 15,3% para 14,94% do capital, passando a deter 26.853.300 ações ordinárias da companhia. Na quinta (21), a ação chegou a negociar próximo a mínimas que não eram vistas desde janeiro de 2022. Segundo Roger, a venda de uma parcela das ações não deve ser interpretada como uma piora na percepção da gestora sobre a empresa.“Vendeu as ações, não significa nada. Não é que gostou mais ou menos. Mas existe, de repente, uma outra oportunidade que ainda sofreu mais ou que tenha bons motivos para a gente aumentar a posição. E o cobertor é curto né? É um movimento que faz parte de qualquer gestor”.“Você aumenta, reduz a posição. A qualquer momento tem que informar ao mercado os seus 5%, 10%, 15%, 20%. Então isso não significa grandes coisas”, completa.Kepler está no fundo do ciclo?Apesar da redução, Roger mantém uma leitura positiva para a Kepler Weber e acredita que a companhia atravessa justamente uma região mais deprimida do ciclo.“Continuamos confiando na companhia. É um momento realmente de baixa do ciclo, mas depois da baixa vem uma recuperação”, diz.Na avaliação do CIO da Trígono, alguns fatores começam a apontar nessa direção. Ele cita a recuperação dos preços de commodities agrícolas, a perspectiva de queda dos juros e o crescimento da produção brasileira de grãos.A combinação é particularmente importante para a Kepler Weber. Com novas safras recordes, aumenta também a necessidade de capacidade para armazenar a produção agrícola.“O preço da soja subindo, o preço do milho subindo, o dólar subindo, começa já a virar. Juros vão cair, produção aumentando, safra recorde, mais uma safra recorde. E aí precisa estocar.”O cenário de juros é uma variável especialmente relevante para a fabricante. Como silos, secadores e estruturas de armazenagem exigem investimentos elevados dos produtores, condições de crédito mais restritivas tendem a pesar sobre a decisão de compra.‘É nas crises que estão as melhores oportunidades’Se a Trígono segue otimista com a Kepler, Roger também deixa claro que o momento atual abriu espaço para buscar oportunidades em outras empresas que sofreram na bolsa.O gestor cita São Martinho (SMTO3) e 3tentos (TTEN3) como exemplos de companhias que passaram por quedas relevantes e entraram no radar das oportunidades da gestora. Em janeiro, a gestora aumentou sua posição em 3tentos, que passou a fazer parte do top 5 da Trígono“Açúcar voltando. Tem outras empresas também como a Jalles (JALL3). Então tem muita oportunidade no mercado. 3tentos caiu, outro que caiu muito e está voltando”, afirmaPara Roger, o ambiente mais difícil para o agronegócio também deve provocar uma seleção entre as empresas do setor. Companhias financeiramente mais frágeis podem enfrentar dificuldades, enquanto aquelas com balanços mais sólidos e capacidade de adaptação podem sair fortalecidas.“Estamos vendo muitas empresas quebrando e, de novo, falo: é nas crises que estão as melhores oportunidades. Os fortes vão sobreviver. É a lei de Darwin: os fracos vão desaparecer. Quem é ágil e souber se adaptar, sobrevive.”