Aeris pede proteção contra credores por 60 dias para renegociar dívida

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A fabricante brasileira de pás para aerogeradores Aeris Energy entrou com uma medida cautelar na Justiça de São Paulo para suspender, por até 60 dias, execuções e outras medidas de cobrança relacionadas às dívidas que estão sendo negociadas com seus principais credores financeiros.A informação corria nos bastidores e foi confirmada pela empresa em comunicado. A medida ocorre enquanto a empresa busca uma solução consensual para reestruturar seu endividamento e pouco mais de uma semana depois de divulgar um prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026.A companhia também instaurou um procedimento de mediação perante o Centro de Mediação da Associação dos Advogados de São Paulo (CMAASP). A ação judicial, que tramita em segredo de Justiça, foi apresentada com base no artigo 20-B da Lei de Recuperação Judicial e Falências.Com a cautelar, a Aeris busca criar um período de proteção para avançar nas negociações sem sofrer execuções ou constrições patrimoniais relacionadas aos créditos envolvidos nas tratativas. O pedido é de suspensão dessas medidas pelo prazo de até 60 dias.A empresa afirma que avalia diferentes alternativas para a reestruturação, entre elas a repactuação das condições e dos prazos das dívidas, com o objetivo de adequar sua estrutura de capital à capacidade de geração de caixa e às perspectivas de longo prazo.A nova rodada de negociações ocorre pouco mais de um ano depois de a Aeris concluir um amplo reperfilamento de seu passivo financeiro. Em maio de 2025, a companhia informou ter reestruturado aproximadamente 90% de seu endividamento, incluindo débitos com Banco do Brasil, Banco Votorantim e Santander e emissões de debêntures.No fato relevante, a Aeris ressaltou que a cautelar tem caráter temporário e preparatório e afirmou que continuará operando normalmente durante as negociações. Segundo a empresa, clientes, fornecedores correntes, revendedores e demais parceiros essenciais às operações não deverão ser afetados pelas medidas.Crise do setor eólicoA Aeris é mais uma vítima da crise do setor eólico que dura desde 2022. Quase sem novos contratos e sofrendo com cortes de geração (curtailment), diversas empresas estão parando produção ou deixando o Brasil.A catarinense WEG optou por paralisar a linha de montagem, enquanto a alemã Nordex decidiu reduzir a produção. Em 2023, a Siemens Gamesa hibernou as operações da fábrica em Camaçari (BA) para ajustar sua estrutura produtiva e atender às demandas do mercado.Em 2022, a americana GE Renewable Energy revisitou sua estratégia global e anunciou a suspensão da produção de novas turbinas eólicas no Brasil. A GE Vernova encerrou as operações da fábrica de pás eólicas de sua subsidiária LM Wind Power em Suape (PE) devido à queda na demanda no mercado latino-americano.