A ascensão de Marrocos no futebol mundial tem sido impulsionada por uma fonte improvável de financiamento: as vastas reservas de fosfato do país. A gigante estatal OCP, maior produtora e exportadora de fertilizantes fosfatados do mundo, passou a bancar parte do desenvolvimento da seleção nacional.O apoio ocorre por meio do Fundo Nacional de Treinamento de Futebol, lançado em 2024 em parceria com a Federação Real Marroquina de Futebol e investidores privados. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para elevar o patamar do esporte no país, em linha com uma diretriz do rei Mohammed VI para que instituições estatais invistam no desenvolvimento nacional.“Temos esse compromisso com o desenvolvimento do país”, disse Hicham El Habti, presidente da Universidade Politécnica Mohammed VI, financiada pela OCP, e integrante do comitê estratégico de inovação e aprendizagem da companhia. Segundo ele, a empresa vem investindo fortemente em centros de treinamento e mantém parceria com a Fifa. Neste sábado, Marrocos venceu o Canadá por 3 a 0, em Houston, e avançou às quartas de final.Os investimentos da OCP, porém, não marcaram o início da aposta marroquina no futebol. Em 2009, Mohammed VI orientou o governo a ampliar a infraestrutura esportiva do país, com campos, academias para jovens, estádios e formação de treinadores. A empresa entrou nesse esforço em 2024, prometendo equipar academias com infraestrutura moderna, gestão eficiente e conhecimento técnico.A evolução de Marrocos no futebol já ganhou reconhecimento internacional. A seleção chegou às semifinais da Copa do Mundo de 2022 e conquistou o título da Copa Africana das Nações de 2025, após uma final polêmica no início deste ano.A força financeira por trás desse projeto vem do fosfato, recurso essencial para a agricultura global e impossível de ser sintetizado a partir de insumos básicos, ao contrário dos fertilizantes nitrogenados, normalmente produzidos com gás natural.Segundo Josh Linville, analista do mercado global de fertilizantes da StoneX, Marrocos ocupa uma posição privilegiada nesse setor. “Marrocos é o ponto positivo em um mercado de fosfato que, de resto, é sombrio”, afirmou. Ele cita restrições às exportações chinesas, a instabilidade geopolítica da Rússia, incertezas sobre a produção dos Estados Unidos e os riscos à navegação no Estreito de Ormuz como fatores que favorecem o país africano.Marrocos também tem se beneficiado da menor exposição a parte desses riscos. Recentemente, o governo Donald Trump suspendeu algumas restrições às importações de fosfato marroquino para aliviar a escassez e a alta de preços provocadas pela guerra com o Irã.Para El Habti, o investimento estatal no futebol tem gerado efeitos visíveis nas ruas. Ele compara o momento atual ao entusiasmo vivido após a campanha histórica da Copa de 2022, quando Marrocos eliminou Espanha, Portugal e Bélgica e terminou em quarto lugar. “Você verá todos sorrindo”, disse. “Isso nos lembra 2022. Marrocos foi um país muito feliz durante dois meses após o fim da Copa. Estou sentindo exatamente a mesma energia agora.”The post Como o fosfato ajuda a financiar a seleção de Marrocos appeared first on InfoMoney.