O Brasil deu um passo inédito em seu programa espacial ao lançar, pela primeira vez, um foguete impulsionado exclusivamente por um sistema de propulsão líquida desde a decolagem. O voo do FTL-Perseu, desenvolvido integralmente pela empresa brasileira BIZU Space, ocorreu em 29 de maio, em Virgínia (MG).O lançamento teve como objetivo validar o motor-foguete ARION, tecnologia considerada estratégica para futuras missões espaciais.Batizada de “Missão Trem Baum”, em homenagem à cultura mineira, a operação marca a entrada do país em um grupo restrito de nações que dominam esse tipo de tecnologia. Leia Mais Lançamento de foguete brasileiro pode ser adiado; veja nova data Tecnologia nacional de navegação é validada em foguete mesmo após explosão Brasil é um dos países signatários do programa Artemis II, da Nasa Diferentemente dos motores de propulsão sólida, amplamente utilizados em foguetes de treinamento e sondagem, os motores líquidos permitem maior controle do empuxo durante o voo e são empregados em lançadores capazes de colocar satélites em órbita e executar manobras de maior precisão.O FTL-Perseu tem cerca de 4,5 metros de comprimento e pesa aproximadamente 70 quilos quando abastecido. Para a missão, a BIZU Space utilizou querosene de aviação (Jet-A) como combustível e peróxido de hidrogênio concentrado (HTP) como oxidante.Veja vídeo: Brasil testa motor de foguete e lançamento fica mais próximoSegundo a empresa, a combinação dispensa o uso de propelentes criogênicos, que exigem temperaturas extremamente baixas para armazenamento, além de reduzir os impactos ambientais por gerar, principalmente, água e oxigênio durante a decomposição do oxidante.Embora o projeto preveja que o foguete alcance até dez mil metros de altitude em sua configuração nominal, o voo inaugural foi realizado com carga reduzida de propelente.A estratégia é comum em campanhas de desenvolvimento, permitindo validar sistemas e reduzir riscos nas primeiras operações.Após o lançamento, o veículo foi recuperado com sucesso por meio de um sistema de paraquedas e rastreamento. O foguete está na sede da BIZU Space, em São José dos Campos (SP), onde será submetido a análises técnicas e poderá ser reutilizado em futuras campanhas de testes.O lançamento também coincide com um marco histórico da exploração espacial. Em 2026, completam-se cem anos do voo do Nell, considerado o primeiro foguete movido a propelentes líquidos da história, lançado pelo físico norte-americano Robert H. Goddard.Foguete lançado por Goddard • BIZU SpaceOs estudos brasileiros sobre propulsão líquida começaram ainda na década de 1990, com pesquisas conduzidas pelo IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço). Em 2014, aOperação Raposa realizou o primeiro voo de um motor líquido como carga útil embarcada em um foguete de propulsão sólida.Já o projeto do FTL-Perseu teve início em 2025 e reuniu instituições como CENIC, UNIVAP, ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia).Na avaliação da empresa, o sucesso da missão representa um avanço na capacidade tecnológica do país e abre caminho para o desenvolvimento de veículos lançadores mais complexos, ampliando a autonomia brasileira no acesso ao espaço.Veja imagens do lançamentohttps://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/07/WhatsApp-Video-2026-07-04-at-17.02.30.mp4https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/07/WhatsApp-Video-2026-07-04-at-17.02.49.mp4https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/07/WhatsApp-Video-2026-07-04-at-17.02.40.mp4*Sob supervisão de AR.