A Justiça converteu em preventiva a prisão de Paola Stefany Neto Cirino, suspeita de matar um casal de idosos no bairro São Pedro, em Minas Gerais. A mulher passou por audiência de custódia na sexta-feira (3) na Central de Audiência de Custódia da Comarca da Capital.Segundo a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto, responsável pela decisão, Paola deve responder pelos dois crimes de latrocínio consumado, quando há roubo seguido de morte, pelo assassinato de Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e de sua esposa, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala, no dia 29.Após a realização de exames toxicológicos, foi possível confirmar a ausência de medicamentos psiquiátricos e substâncias entorpecentes presentes no sangue da suspeita. No entanto, a magistrada não descartou a hipótese do crime ter sido provocado por intermédio de um agravamento da saúde mental de Paola. Leia mais Laudo identifica calmante no sangue de idosos mortos a facadas em BH Suspeita de matar a facadas casal de idosos em BH diz que ouviu "vozes" Estudante de medicina é encontrada morta e namorado é preso em MG Pedidos da defesaNa audiência, a defesa de Paola alegou que a diarista praticou os homicídios durante um surto psicótico. No entanto, a Justiça entendeu que não há elementos objetivos, como documentos ou relatórios médicos, que comprovem alguma doença mental apresentada pela suspeita.Outro pedido foi a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar, uma vez que, segundo a defesa, Paola possui uma filha de seis anos.O benefício não foi validado pela magistrada, que entendeu que o caso se enquadra como um crime envolvendo violência ou grave ameaça, o que, segundo a legislação, não permite a concessão da prisão domiciliar.A Justiça também negou a tramitação do processo em sigilo.A CNN Brasil procurou a defesa de Paola, que não respondeu até o momento. O espaço segue aberto.Relembre o casoFelipe, filho do casal, foi à casa dos pais, na terça-feira (30), após não conseguir entrar em contato com eles por mais de 24 horas. Quando chegou ao apartamento, localizado no bairro São Pedro, encontrou as vítimas sem vida.Após acionar a PMMG (Polícia Militar de Minas Gerais), foi constatado que Cláudio estava sobre a cama do quarto do casal, enquanto Maria Clotilde foi encontrada na sala, caída no chão em frente ao sofá.Segundo o laudo pericial, o advogado recebeu mais de 40 facadas nas costas, barriga e pescoço. Já a mulher possuía 15 marcas de golpe de faca na garganta, queixo, tórax, pescoço e pélvis.Os corpos do casal foram encaminhados ao IML (Instituto Médico Legal), onde foram submetidos a exames e, logo após, liberados aos familiares.De acordo com a Polícia Civil, a suspeita roubou itens de luxo das vítimas, como celulares, relógios, joias, além de dinheiro físico.Presa por morte de idosos em MG tinha dívida de R$ 40 mil por jogos de azarDinâmicaNo dia do crime, segunda feira (29), Paola foi flagrada por câmeras de segurança entrando no prédio às 07h30 da manhã e saindo por volta de 15h30.Na imagem registrada enquanto saía do prédio, ela havia mudado de roupa, carregava a sua bolsa original e duas novas sacolas grandes adicionais que não estavam com ela de manhã.Ainda não há confirmação de que a mulher teria agido sozinha no crime. Ela foi vista entrando em um carro após sair do prédio, que poderia ser um veículo guiado por um segundo envolvido, ou apenas por um motorista de aplicativo acionado por ela.Paola, que estava desaparecida desde o dia do crime, foi presa na madrugada de quinta-feira (2), em Itabira, cerca de 107 km da capital mineira.MotivaçãoAo ser questionada sobre a motivação do crime, Paola alega ter ouvido vozes que a instruíram, afirmando ter destruído a própria vida e de outras pessoas. A mulher afirma que, após roubar o casal, “não estava satisfeita” e teve que matá-los.De acordo com a Polícia Civil, no momento da prisão, Paola não ofereceu resistência e afirmou estar arrependida, dizendo que esperava ser encontrada pelas autoridades e, caso não fosse localizada hoje, se apresentaria a uma unidade policial.*Sob supervisão de Carolina Figueiredo