Ao lançar a linha 2027 do Jaecoo 7, a Omoda & Jaecoo anunciou que o SUV passaria a ter uma potência e torque menor. O que aconteceu não foi uma redução na entrega dos motores que compõem seu conjunto híbrido plug-in, mas sim uma mudança interna nos procedimentos da engenharia da empresa.A fabricante admitiu que somava a força dos três motores do SUV de forma integral e que agora passa a calcular o rendimento seguindo o Regulamento Técnico Global das Nações Unidas nº 21.Até então, a marca chinesa declarava que o Jaecoo 7 tinha 339 cv e 52 kgfm, a soma exata da entrega do motor 1.5 turbo a gasolina, que gera 135 cv e 20,4 kgfm, aliado a dois propulsores elétricos instalados no eixo dianteiro com 204 cv e 31,6 kgfm. Agora, a ficha técnica corrigida aponta 279 cv e 37 kgfm, uma redução de 60 cv e 15 kgfm sem que o conjunto mecânico tenha mudado ou mudado a sua entrega de força.Equipado com o mesmo conjunto mecânico do Jaecoo 7, o Omoda 7 foi lançado em outubro de 2025 já com potência e torque “corrigidos”, seguindo o regulamento da ONU. As marcas Jaecoo e Omoda têm operações integradas no Brasil e ambas pertencem ao Grupo Chery. O Jaecoo 7 foi lançado no Brasil pouco antes, em abril de 2025. Continua após a publicidadePotência e torque realistasFontes ligadas à fabricante admitem que os números antigos eram o resultado da simples soma das especificações dos motores a combustão e elétricas. O cálculo exigido pela ONU reconhece que, na vida real, os motores não operam no pico de rendimento de maneira simultânea. Existe uma lógica de funcionamento que impede que a força máxima de cada motor chegue às rodas de forma integral ao mesmo tempo. Até porque 52 kgfm é muito para um carro que só tem tração dianteira.A gestão mecânica é feita por uma transmissão automatizada de tecnologia DHT, que utiliza uma marcha física e atua com diversas lógicas operacionais. Essa caixa gera um arrasto natural, resultando em perdas pelo atrito do conjunto de engrenagens. O sistema prioriza o deslocamento em modo elétrico, enquanto o motor a gasolina funciona majoritariamente como um gerador para a bateria de 18,2 kWh ou como suporte em acelerações mais vigorosas.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeAlém das perdas dinâmicas, as curvas de entrega de força são diferentes. O motor elétrico disponibiliza seu pico de torque desde o momento em que o veículo está saindo da inércia e tende a perder torque conforme a rotação aumenta. Por outro lado, o motor a gasolina precisa de rotações mais elevadas para atingir sua faixa ideal de trabalho, impossibilitando a sobreposição exata dos picos de energia térmicos e elétricos.A correção técnica aplicada no Brasil não é um caso isolado. Nas Filipinas, por exemplo, o modelo iniciou as vendas em 2025 com materiais publicitários e site oficial anunciando um desempenho equivalente a 347 cv e 53,6 kgfm (conversão direta dos padrões divulgados na Ásia). Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril. Cadastro efetuado com sucesso! Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã. Continua após a publicidadeSemanas após o anúncio, a filial filipina precisou recuar e alterar toda a comunicação impressa e digital para exibir os mesmos 279 cv e 37,2 kgfm validados pelas normas internacionais. Essa divergência poderia ter sido evitada, pois o Jaecoo 7 foi lançado na Europa no segundo semestre de 2024 já com 279 cv.As alterações na ficha também esbarram na legislação nacional. A adequação aos números reais reflete em questões tributárias, pois as novas regras do IPI Verde mudaram a forma como o imposto é calculado. Com a reclassificação do limite de potência combinada, o novo valor reduz a alíquota cobrada sobre o Jaecoo 7 em 0,5%, aumentando discretamente a margem de venda de cada unidade. Publicidade