A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança da IA ganhou um novo capítulo. Segundo reportagem do The Washington Post, empresas americanas afirmam que concorrentes chinesas estariam recorrendo à técnica de destilação para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas de IA.A corrida deixou de envolver apenas inovação. Hoje, também reúne interesses econômicos, segurança nacional e a disputa pelo domínio de uma das tecnologias mais estratégicas do mundo.Empresas como Anthropic e OpenAI alertam para práticas que podem estar acelerando o avanço da IA chinesa. – Imagem: Primakov / ShutterstockComo funciona a destilaçãoNos últimos meses, a Anthropic chegou a testar um sistema para identificar usuários do Claude Code ligados a empresas chinesas de IA. O mecanismo verificava informações como fuso horário e determinados domínios de internet, mas foi retirado após críticas de especialistas em privacidade.O episódio expôs uma preocupação crescente das empresas americanas com a chamada destilação. A técnica utiliza respostas produzidas por modelos avançados para treinar sistemas menores e mais baratos. Embora seja comum na indústria, seu uso sem autorização viola as regras estabelecidas pelos desenvolvedores desses modelos.Chineses reduzem a diferençaConforme relata o The Washington Post, a distância tecnológica entre os dois países diminuiu rapidamente. Laboratórios chineses passaram a lançar sistemas capazes de competir com soluções desenvolvidas nos Estados Unidos e, em alguns casos, oferecendo alternativas gratuitas.Entre os principais pontos destacados estão:empresas americanas acusam rivais chinesas de usar destilação sem autorização;modelos chineses gratuitos ganham espaço entre pesquisadores e desenvolvedores;a Anthropic afirma ter identificado milhões de interações suspeitas com o Claude;empresas dos EUA defendem regras mais rígidas para proteger seus modelos.“Elas estão muito próximas”, disse Srinivas Mukkamala, CEO da empresa de cibersegurança Securin, ao comentar a evolução dos modelos chineses. Segundo ele, além da qualidade, essas soluções “não custam nada”.Washington endurece o discursoA Anthropic e a OpenAI passaram a defender que o uso indevido da destilação representa não apenas um problema de propriedade intelectual, mas também uma questão de segurança nacional. Essa visão passou a influenciar parte das discussões do governo americano sobre novas restrições ao acesso de laboratórios chineses às tecnologias desenvolvidas nos EUA.Leia mais:Nova IA chinesa rivaliza com Mythos da Anthropic em testes de cibersegurança; saiba qualChina acelera corrida dos robôs humanoides enquanto o mercado reavalia as projeções para o setorChina alerta para riscos da IA e cobra regras globais para regulamentação“A argumentação da Anthropic é que esta é uma disputa geopolítica pelo futuro do mundo, da liberdade e da democracia”, afirmou Kyle Chan, pesquisador do Centro para a China da Brookings Institution.Disputa entre gigantes da IA expõe nova era de espionagem, inovação e controle de tecnologia. – Imagem: vittaya pinpan / ShutterstockUma disputa sem prazo para acabarMesmo com restrições mais rígidas, impedir completamente o acesso aos modelos americanos continua sendo um desafio. Segundo o The Washington Post, usuários chineses recorrem a contas de terceiros, servidores proxy e outros serviços para contornar os bloqueios.Especialistas também alertam que atribuir o avanço da IA chinesa apenas à destilação pode levar à subestimação da capacidade de inovação da indústria do país. Enquanto governos discutem novas barreiras e empresas reforçam seus mecanismos de proteção, a competição entre Estados Unidos e China continua moldando o futuro da inteligência artificial.O post Guerra da IA: empresas dos EUA dizem que China copia seus chatbots apareceu primeiro em Olhar Digital.