Casas, ruas e prédios públicos já desapareceram sob as águas em um distrito de São João da Barra (RJ). O avanço do mar, acelerado pela redução de sedimentos transportados pelo rio Paraíba do Sul e pela elevação do nível dos oceanos, transformou a região em um dos casos mais emblemáticos de erosão costeira do Brasil.É o caso da praia de Atafona, que perde terreno ano após ano. Estima-se que cerca de cinco metros de faixa de terra desapareçam anualmente e que quase 500 construções já tenham sido engolidas pelas águas.Especialistas afirmam que o fenômeno tem origem natural, mas que intervenções humanas contribuíram para acelerar o processo. Os escombros espalhados pela orla ainda servem como testemunho de uma paisagem que já foi muito diferente.Afinal, o que explica o desaparecimento gradual de Atafona, localidade que ganhou o apelido de “Atlântida brasileira”?LEIA TAMBÉM: Com apenas três décadas, cidade com maior qualidade de vida do Brasil tem menos de 5 mil habitantes e enriqueceu com a Embraer – Money TimesA causa do fenômenoLocalizada na foz do rio Paraíba do Sul, Atafona é uma das 31 localidades mais ameaçadas do mundo pela elevação do nível do mar, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).Pesquisadores afirmam que a região sofre naturalmente com a erosão costeira, processo em que o mar desgasta e remove partes da faixa de terra. No passado, porém, esse desgaste era compensado pela reposição de sedimentos transportados pelo rio. Com a ação humana, esse ciclo foi interrompido.Isso porque mais de 900 barragens foram construídas ao longo do rio Paraíba do Sul, reduzindo significativamente o volume de sedimentos levado até a foz. Com menos areia chegando ao litoral, o mar passou a retirar mais sedimentos do que o rio consegue repor.Além disso, o aquecimento global também contribui para o processo. A elevação do nível do mar e a intensificação da energia das ondas agravam a erosão costeira, acelerando a perda de sedimentos na faixa litorânea.O que resta à população?O avanço do mar em Atafona preocupa os cerca de 32 mil habitantes do distrito. Sônia Ferreira, aposentada e moradora da região, contou ao g1 que já perdeu duas casas para a erosão. Quando inaugurou sua atual residência, há 40 anos, sequer tinha vista para o mar.Os números reforçam esse cenário: entre 1990 e 2020, o nível do mar subiu 13 centímetros na região e, segundo projeções, pode avançar outros 21 centímetros até 2050.Uma das alternativas seria remover e realocar os moradores de Atafona. No entanto, a proposta enfrenta resistência da população, mesmo diante da possibilidade de que o avanço do mar continue transformando a paisagem da região.CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN*Sob supervisão de Renan Dantas.