Tudo ou nada frente à Espanha: duelo ibérico vale um lugar nos quartos de final

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O caminho português até aqui teve momentos de qualidade, outros de sofrimento, mas foi suficiente para manter intacta a ambição de chegar longe. A seleção orientada por Roberto Martínez ainda não encontrou a consistência exibicional que muitos lhe apontam como objetivo, mas revelou uma característica essencial nas grandes competições: soube sobreviver aos momentos de maior dificuldade.À espera está agora um duelo ibérico que dispensa apresentações, um clássico entre duas seleções que se conhecem como poucas e que decidirá qual delas continuará a sonhar com os quartos de final do Mundial. Crescer à medida do torneioA fase de grupos deixou sinais mistos. Portugal mostrou qualidade suficiente para dominar adversários inferiores e controlar grande parte dos encontros, mas também revelou fragilidades defensivas e alguma dificuldade em transformar posse de bola em oportunidades claras diante de equipas mais fechadas.Essas dúvidas acompanharam a seleção até ao primeiro jogo a eliminar. Frente a uma Croácia experiente, vice-campeã mundial em 2018 e terceira classificada em 2022, Portugal realizou uma primeira parte de domínio quase absoluto. Rafael Leão, João Cancelo e Pedro Neto criaram várias situações de perigo, mas a eficácia voltou a faltar. A baliza de Dominik Livaković permaneceu intacta e o desperdício acabaria por aumentar a ansiedade portuguesa.No início da segunda parte, surgiu o pior cenário. Ivan Perišić colocou os croatas em vantagem, castigando uma das poucas desatenções defensivas da equipa portuguesa. Durante largos minutos, o Mundial pareceu fugir das mãos de Portugal.A resposta, porém, foi imediata. Cristiano Ronaldo empatou através de uma grande penalidade, tornando-se, aos 41 anos, o jogador mais velho de sempre a marcar num jogo a eliminar de um Campeonato do Mundo. Quando o prolongamento já parecia inevitável, Gonçalo Ramos voltou a demonstrar o instinto de ponta de lança que tantas vezes faz a diferença nestas fases da competição. Aos 90+4 minutos, correspondeu de cabeça a um cruzamento de Rafael Leão e assinou o golo que valeu o apuramento. Ainda houve tempo para a Croácia festejar um empate que acabaria anulado por fora de jogo após intervenção do VAR, encerrando uma das partidas mais intensas do torneio.Espanha representa outro nívelA recompensa pelo triunfo é um adversário que dispensa apresentações. A Espanha chega aos oitavos depois de eliminar a Áustria por 3-0, numa exibição convincente que confirmou o crescimento da equipa ao longo da competição. Mikel Oyarzabal assinou dois golos, Pedro Porro marcou o terceiro e os espanhóis continuam sem sofrer qualquer golo neste Mundial.Mais do que os resultados, impressiona a identidade da seleção espanhola. A circulação de bola continua a ser uma imagem de marca, sustentada por uma pressão alta, qualidade técnica e enorme disciplina coletiva. É uma equipa que raramente perde o controlo dos jogos e que obriga os adversários a correr atrás da bola durante largos períodos.Portugal terá, por isso, um desafio completamente diferente daquele que encontrou frente à Croácia.Onde se pode decidir o clássicoRoberto Martínez sabe que dificilmente poderá conceder os mesmos espaços que permitiu nos últimos encontros. Espanha castiga qualquer perda de concentração e apresenta uma capacidade muito superior para transformar pequenos erros em ocasiões de golo. Pedri, Yamal, mesmo Cucurella, são jogadores com grande capacidade de improviso e a estrutura defensiva portuguesa terá de estar no seu melhor para travar os espanhóis.Ao mesmo tempo, Portugal possui argumentos capazes de criar problemas aos nossos vizinhos. A velocidade de Rafael Leão ou a genialidade de João Félix, a criatividade de Bruno Fernandes, a capacidade de desequilíbrio de Pedro Neto e o poder de decisão de Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos oferecem soluções suficientes para explorar as transições rápidas e os momentos em que Espanha arrisca subir as linhas.A grande incógnita estará na consistência defensiva. Diogo Costa voltou a revelar-se decisivo em vários momentos diante da Croácia e poderá voltar a assumir um papel determinante caso Espanha imponha o seu habitual domínio territorial.O Mundial entra na fase decisivaAté aqui, Portugal fez o suficiente para continuar em prova. Nem sempre encantou, nem sempre convenceu, mas encontrou forma de ultrapassar cada obstáculo. Agora, o grau de dificuldade aumenta drasticamente.Em Arlington, no Texas, duas das maiores potências do futebol europeu disputarão um lugar nos quartos de final. De um lado estará uma Espanha que chega moralizada e ainda sem sofrer golos. Do outro, um Portugal que transporta consigo a confiança de quem aprendeu, mais uma vez, que nos grandes torneios o talento é importante, mas a capacidade para resistir à pressão pode valer tanto como qualquer exibição brilhante.Os clássicos raramente obedecem ao favoritismo. E, quando o apito inicial se ouvir, toda a história construída até aqui deixará de contar. Restarão apenas noventa minutos para decidir qual das duas seleções continuará a sonhar com o título mundial.O conteúdo Tudo ou nada frente à Espanha: duelo ibérico vale um lugar nos quartos de final aparece primeiro em Revista Líder.