A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) realizou neste domingo (5) um teste envolvendo a sonda Hayabusa2, que passou próxima ao asteroide Torifune em uma demonstração de tecnologias voltadas à defesa planetária. O objetivo da missão foi verificar se a espaçonave pode ser controlada com precisão suficiente para, no futuro, ajudar a desviar um asteroide que represente risco para a Terra.Durante a passagem, a Hayabusa2 não tinha a intenção de colidir com o corpo celeste. Em vez disso, a equipe buscou validar a capacidade de conduzir a sonda em uma trajetória extremamente precisa, etapa considerada essencial para possíveis missões de desvio de objetos próximos ao planeta.Sonda Hayabusa2 fez aproximação com o asteroide Torifune – Imagem: JAXA / DivulgaçãoPassagem ocorreu a alta velocidadeSegundo a JAXA, antes da operação a expectativa era que a Hayabusa2 passasse a 800 metros do asteroide Torifune. A sonda, de tamanho comparável ao de uma geladeira, cruzou a região viajando a mais de 18 mil quilômetros por hora.Uma porta-voz da agência informou à AFP que, às 18h35 no horário do Japão (6h35 no horário de Brasília), a Hayabusa2 realizou o sobrevoo e continuava operando normalmente. Imagens divulgadas pela JAXA mostraram cientistas comemorando o sucesso da operação na sala de controle.Um dos integrantes da equipe afirmou durante a transmissão da agência que ficou apreensivo durante toda a manobra, mas comemorou o fato de a missão ter sido concluída com sucesso.Caso seja confirmado que a aproximação realmente ocorreu a cerca de 800 metros, a operação estará entre os sobrevoos mais próximos já realizados de um asteroide próximo da Terra.Antes da missão, Yuya Mimasu, da JAXA, comparou o desafio da navegação à tentativa de fazer um disparo atravessar uma moeda de um iene em uma área equivalente à distância entre Okinawa e Hokkaido, extremos sul e norte do Japão. A extensão é comparável à distância entre São Paulo e Recife.Dados da superfície podem ajudar futuras missõesAlém do teste de navegação, as câmeras da Hayabusa2 registraram informações sobre a superfície do asteroide, incluindo características geográficas, textura e temperatura.Segundo Patrick Michel, cientista do projeto na Agência Espacial Europeia (ESA), essas informações são importantes porque o comportamento de um asteroide diante de um impacto depende diretamente de sua composição. Ele destacou que apenas imagens obtidas por uma espaçonave conseguem revelar se a superfície é formada por rocha exposta, campos de blocos ou material semelhante à areia.Michel explicou à AFP que um eventual impacto para desviar um asteroide produziria resultados diferentes caso o objeto se comporte como um material mais “esponjoso” ou como uma estrutura extremamente sólida.A missão da Hayabusa2, no entanto, não está relacionada a nenhuma ameaça real de colisão de asteroides com a Terra.Histórico da Hayabusa2Lançada em 2014, a Hayabusa2 já havia chamado a atenção da comunidade científica ao pousar no asteroide Ryugu e coletar amostras de material localizado a cerca de 300 milhões de quilômetros da Terra.Seis anos depois, a sonda retornou ao planeta trazendo essas amostras, que forneceram pistas sobre como era o Sistema Solar em sua formação, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos.Após o sobrevoo de Torifune, a expectativa é que a Hayabusa2 realize, em 2031, um rendezvous com outro asteroide, o 1998KY26. Nesse tipo de manobra, a espaçonave voa ao lado do objeto ou realiza um pouso para coletar dados detalhados.A atual missão ocorre após a demonstração feita pela NASA em 2022, quando a espaçonave da missão DART atingiu deliberadamente o asteroide Dimorphos, de cerca de 160 metros de largura, alterando com sucesso sua órbita ao redor de um asteroide maior.Para Patrick Michel, mesmo após esse resultado, novos testes continuam sendo importantes devido à diversidade de tamanho, formato, superfície e estrutura interna dos asteroides próximos da Terra.O post Sonda japonesa faz voo rasante por asteroide em teste de defesa planetária apareceu primeiro em Olhar Digital.