O mês em que por aqui andei a falar de futebol foi precedido da final da Champions. Em Paris, a multidão divertiu-se a celebrar a vitória, destruindo o que podia. Jovens radicalizados, disse alguma imprensa. Eu lembrei-me dos thugs de que falou Bill Bufford em livro que aqui assinalei.A propósito do Mundial, a polémica mais sem jeito do mês teve por tema a ida dos jogadores da seleção à praia. Há que arranjar assunto, mesmo que o assunto seja um não-assunto.Passei pelo aeroporto de Lisboa para um voo com partida às 7 da manhã. O caos já lá estava. Um embaraço nacional.O aeroporto, aliás, tem sinalizado, há décadas, uma maneira muito portuguesa de ‘resolver’ problemas: com conversas e comités. Devemos ser ‘mestres burocratas’ de classe mundial. Acreditemos que o ministro está mesmo a fazer o assunto andar para a frente.Carmen Garcia ajudou a lançar um importante debate sobre o modo como tratamos os mais velhos. Como ela diz, todos queremos chegar a velhos mas ninguém quer ser velho. Eis um assunto que importa mesmo considerar.Na Colômbia, o Presidente Petro não reconheceu os resultados eleitorais porque estes não deram a vantagem ao seu candidato. Está a tornar-se um hábito, à direita, mas também, à esquerda.No Irão, Peyman Farahavar, poeta, preso em 2024, foi condenado à morte. O Supremo Tribunal recusou o seu recurso. O hediondo regime não dá tréguas ao seu povo.Copy/paste: a guerra que Trump prometeu acabar não acabou. Nem as outras guerras que o putativo candidato a Nobel da Paz, entretanto, resolveu começar. Como Kets de Vries escreveu no Medium, o homem é uma espécie de personagem de tragédia grega no mundo contemporâneo…Dia 4, o Financial Times publicou a sua lista dos mil melhores empregadores da Europa. Em mil, se a vista não me traiu, eis o número de empresas portugueses: zero. Conclusão: precisamos de mais e melhor capitalismo. Este ranking, valendo o que vale, ajuda a explicar a nossa pobreza relativa…Ano difícil este. Além das perdas pessoais, também as referências nos deixam: Marjane Satrapi, Edgar Morin e o meu grande herói intelectual, Karl Weick. Partiram mas ficaram.Tenho andado a viajar pelo mundo de Grande Sertão: Veredas, o clássico de João Guimarães Rosa. Um livro que nos mergulha num mundo diferente com uma língua (portuguesa) diferente.E, todos recentes, três bons livros para este Verão: A Árvore da Vida, de Max Telford, boa divulgação científica. Economia Comestível, de Ha-Joon Chang, a economia contada através da comida – uma delícia! Aliados em Guerra, um volume monumental sobre a diplomacia e a política entre aliados e rivais que se uniram contra Hitler. Boa narrativa histórica. O texto do mês é a encíclica Magnífica Humanidade.Grandes discos: Inferno, dos Boards of Canada e o novo Kurt Vile: Philadelphia’s been good to me.Bom Verão, que já entrou.O conteúdo Este junho aparece primeiro em Revista Líder.