Na política como na Copa, vence quem erra menos

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Ganha a Copa do Mundo a seleção que menos comete erros, porque todas cometem. Não há time perfeito. Dá-se o mesmo com os candidatos que disputam eleições majoritárias para presidente da República, governador e prefeito.Nos dois casos, não se despreze a intervenção do acaso — algo que acontece de forma inesperada, sem um propósito planejado. Pode ser a bola que escapa das mãos do goleiro, passa por baixo de suas pernas e resulta em gol, ou a frase infeliz que acaba custando preciosos votos a quem a disse.Feitas tais ressalvas, e à luz do que indicam as pesquisas de intenção de voto, é possível afirmar que Lula avança pouco a pouco para se eleger presidente pela quarta vez — seja no primeiro turno, em 4 de outubro, seja no segundo, no dia 25, derrotando Flávio Bolsonaro. São remotas as chances dos que se oferecem como alternativas aos dois.Michelle Bolsonaro só poderia concorrer à Presidência se o Partido Liberal (PL) trocasse Flávio por ela, mas isso está fora de cogitação. Seu marido jamais permitiria. Para Bolsonaro, entre ganhar com Michelle ou perder com Flávio, é preferível a segunda opção, por se tratar de um candidato “puro-sangue” em quem ele confia.A Michelle, se ela quiser, está reservada uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Mesmo assim, isso dependeria de ela se comprometer, se eleita, a apoiar a proposta de anistia ampla, geral e irrestrita para os golpistas do 8 de janeiro. E não só: ela precisaria recuar do que disse sobre Flávio e pedir votos para ele, integrando-se à sua campanha, o que representaria uma suprema humilhação.Divulgada na semana passada, a pesquisa AtlasIntel mostra Flávio com 53% de rejeição, atrás apenas de Aécio Neves (PSDB), que registra 54%. Lula aparece com 48,6%, Bolsonaro pai com 45,2% e Michelle com 43,2%. Se Michelle substituísse Flávio, Lula a venceria no primeiro turno por 47,1% a 19,3% dos votos, e no segundo por 48,7% a 38,9%. Com Flávio no páreo, o placar no segundo turno seria de 46,3% a 36,6%.A estratégia do clã Bolsonaro desenha um cenário curioso: para garantir a blindagem e a fidelidade da própria bolha, a direita prefere marchar convicta rumo a uma derrota previsível do que arriscar o protagonismo da família nas mãos de Michelle. Acesse todas as colunas do Blog do Noblat no Metrópoles