O programa Desenrola, em sua nova versão voltada a adimplentes com atraso de até 90 dias, egressos do Fies, trabalhadores informais e microempreendedores individuais, foi alvo de críticas do economista Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.Para ele, a iniciativa cria um incentivo ao atraso no pagamento de dívidas e contraria a política monetária em curso no país.Vale aponta dois caminhos de problemas no programa.O primeiro é de natureza fiscal: os recursos utilizados são, em grande parte, de caráter parafiscal, com uso de fundos como o FGO (Fundo Garantidor de Operações) e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Leia Mais Desenrola 2.0: Dívidas contratadas até janeiro entram no programa; entenda Desenrola Adimplentes: Veja regras e como aderir à nova fase do programa A cada R$ 1 renegociado no Desenrola, surgiu R$ 1,15 em novo calote “O Ministério da Fazenda virou quase que um braço desse tipo de operação”, afirmou o economista, comparando a atuação atual à do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em governos anteriores.O segundo problema apontado por Vale é o chamado risco moral. Segundo ele, ao premiar quem atrasa parcelas com taxas de juros menores, o programa desincentiva o pagamento em dia.“Se eu atraso qualquer parcela da dívida e sou premiado com uma taxa de juros menor, o que a pessoa vai pagar em dia?”, questionou.Para o economista, o caminho correto seria atacar as causas estruturais do spread bancário elevado no Brasil, e não oferecer soluções paliativas de curto prazo.Vale também destacou que o novo Desenrola vai na contramão da política monetária. Enquanto o Banco Central trabalha para desacelerar o crédito e conter a inflação, o governo lança medidas que estimulam o consumo.“O governo vai contra a sua própria política monetária”, afirmou.O economista ressaltou que o consumo segue acelerando trimestre a trimestre, mesmo com a taxa de juros em níveis elevados, o que impede que a política monetária produza os efeitos esperados sobre a inflação.Outro ponto de atenção levantado na análise diz respeito à participação dos bancos privados. A Febraban já sinalizou que a adesão pode ser limitada, o que, segundo Vale, tende a concentrar o protagonismo nos bancos públicos.“Há muita dúvida se de fato os bancos privados vão participar”, disse.Para o economista, diferentemente do Desenrola anterior — voltado a inadimplentes —, este novo programa oferece menos incentivos aos bancos privados, já que os devedores com atraso de até 90 dias frequentemente retomam os pagamentos sem necessidade de renegociação.Sobre o Banco Central, Vale defendeu que a instituição deveria ser ainda mais explícita em sua comunicação sobre os impactos das políticas fiscais e parafiscais do governo.“Ele precisa ser mais explícito ainda na próxima decisão em relação às políticas fiscais e parafiscais que o governo está fazendo”, afirmou.O economista concluiu que os subsídios excessivos na economia brasileira contribuem para manter a taxa básica de juros e o spread bancário elevados, prejudicando o consumidor no longo prazo.“O que o governo está fazendo agora é uma medida paliativa de curto prazo com objetivo eleitoral”, encerrou. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.