Ancelotti e a CBF: 420 dias de ilusão e ferrugem institucional

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É correto afirmar que um treinador do status de Carlo Ancelotti, no cargo há 420 dias, deveria ter entregado um trabalho bem superior. Com sua chegada, muitos acreditaram que tudo seria realmente diferente. No entanto, o tempo passou e as convicções se amoleceram.Não é exagero dizer que o nível atual do elenco é, na média, intermediário. O principal nome da equipe vive a fase final da carreira e já não reúne as condições físicas e táticas necessárias para decidir jogos de alto exigência.A ferrugem na gestão da CBF, porém, não começou agora. Ela vem de longe: Ricardo Teixeira, Del Nero, Marin, Caboclo, Ednaldo Rodrigues e, atualmente, Samir Xaud. Não é delírio pensar que o comando do futebol brasileiro nunca esteve tão vulnerável a influências externas — muitas delas, segundo especialistas, comprometidas com interesses nada republicanos.Xaud ignora a liturgia do cargo e aposta em blindagem através de apoiadores internos e externos. Mais um erro de avaliação. Se vitórias não conseguem mascarar gestões cenográficas por muito tempo, imagine o que derrotas são capazes de revelar.Como fazem ardilosos políticos, a CBF gasta dinheiro inaugurando pontes que não levam a lugar nenhum. Tudo isso conta com o apoio de presidentes de federações e da cartolagem dos clubes — eleitores fiéis que recebem ou esperam vantagens pela proximidade com o poder.Enfim, Ancelotti já anunciou o início de um novo ciclo, agora blindado por mais quatro anos de contrato. O que deve mudar, imagino, é o nível de cobrança que ele terá a partir de agora.Até a próxima.