A tokenização de ativos no Brasil começa a deixar para trás a fase de experimentação e pode entrar em um período de crescimento em escala bilionária, impulsionada pelo avanço da infraestrutura, pela maior participação de instituições do mercado financeiro e pela expectativa de regras mais claras para o setor.Essa é a avaliação de Diego Consimo, head da XDC Network para a América Latina, que vê principalmente o mercado de crédito privado como a área mais madura para acelerar nos próximos anos. Segundo ele, tecnologias e modelos de negócio já passaram por uma etapa importante de validação e agora dependem mais de escala e de um ambiente regulatório definido.“Deu bom, já validamos”, resumiu Consimo ao Portal do Bitcoin ao comentar a percepção do mercado sobre a tokenização de crédito. Na avaliação do executivo, a próxima etapa passa por aperfeiçoar a infraestrutura e avançar na regulação para que grandes participantes possam ampliar sua atuação. “Os bilhões vão ser mais naturais no nosso dia a dia”, afirmou.O movimento ocorre justamente enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avança na construção de seu Programa Piloto DLT, que pretende testar o uso de redes distribuídas em etapas como emissão, negociação, custódia e liquidação de valores mobiliários.Para Consimo, iniciativas como o grupo de trabalho de tokenização da CVM ajudam a diminuir uma das principais barreiras que ainda impedem instituições maiores de avançar com mais intensidade nesse mercado: a falta de uma estrutura regulatória mais definida. Ele acredita que o avanço dos testes pode ajudar a criar as bases para uma nova etapa de adoção.Parceria com a Liqi se aproxima de US$ 900 milhõesUm exemplo dessa aceleração aparece na parceria entre XDC Network e Liqi, plataforma brasileira especializada em tokenização.As empresas renovaram no início de setembro um acordo de exclusividade com o compromisso de tokenizar US$ 2 bilhões — cerca de R$ 10,2 bilhões — até 2028. A meta anterior previa US$ 500 milhões em ativos e foi cumprida em aproximadamente 15 meses, nove meses antes do prazo originalmente estabelecido.Consimo afirmou que o volume não só atingiu a meta, como já está próximo de US$ 900 milhões. Segundo ele, mais importante do que o número absoluto é o fato de as operações encontrarem liquidez e demanda, permitindo que a escala continue aumentando.A expansão também vem acompanhada de uma mudança no perfil dos ativos. Consimo destacou que a parceria tem buscado operações de crédito estruturadas originadas dentro do mercado financeiro regulado, com a blockchain passando a funcionar como parte da infraestrutura da operação, e não apenas como um experimento tecnológico.Na avaliação do executivo, esse movimento é um sinal da mudança de estágio da tokenização. Operações que há poucos anos serviam principalmente como provas de conceito começam a ser repetidas e ampliadas conforme emissores e investidores se familiarizam com a tecnologia.O crédito privado continua à frente desse processo. Recebíveis, dívidas corporativas e outros instrumentos de crédito encontram um caminho mais direto para a tokenização porque já contam com estruturas financeiras conhecidas e podem ganhar eficiência com automação e registros em blockchain.Outras classes de ativos também podem avançar, mas Consimo avalia que algumas dependem de uma integração maior entre sistemas, registros e órgãos responsáveis. Por isso, o ritmo de adoção tende a variar conforme a complexidade jurídica e operacional de cada mercado.Mercado secundário será próximo desafioO crescimento das emissões também cria uma nova questão: como dar liquidez aos ativos depois que eles são tokenizados?Consimo acredita que o mercado secundário deverá surgir como consequência natural do aumento da escala. Do ponto de vista tecnológico, segundo ele, a infraestrutura já permite que uma plataforma crie ambientes nos quais investidores possam comprar e vender tokens depois da emissão.Contratos inteligentes podem automatizar a mudança de titularidade e registrar a transação diretamente na rede, reduzindo parte do trabalho de back-office normalmente necessário para transferir um ativo.“O mercado potencial é gigante”, afirmou. Para o executivo, o principal gargalo hoje não está na possibilidade técnica de criar essas plataformas de negociação, mas em conquistar volume suficiente para que exista liquidez real entre compradores e vendedores. A regulação desse mercado também será necessária conforme as operações crescerem.Inicialmente, ele acredita que o mercado secundário deverá se desenvolver dentro das próprias plataformas responsáveis pelas emissões, em vez de criar imediatamente uma estrutura única conectando todos os participantes.A expansão desse mercado seria uma etapa importante porque permitiria que a tokenização deixasse de servir apenas para facilitar a emissão de ativos. Um investidor poderia comprar um token e, posteriormente, encontrar outro participante disposto a adquiri-lo, aproximando esses produtos do funcionamento de mercados tradicionais mais líquidos.Stablecoins podem levar tokenização além dos investimentosOutra etapa apontada por Consimo é a aproximação entre ativos tokenizados e stablecoins ou depósitos tokenizados.Hoje, algumas plataformas já criam representações digitais do real para realizar a liquidação interna de operações. A evolução natural, segundo ele, seria permitir que essas estruturas passassem a conversar com outros sistemas, abrindo espaço para transferências internacionais e operações financeiras totalmente realizadas em blockchain.Mas o potencial vai além dos pagamentos. Consimo acredita que ativos tokenizados poderão, no futuro, ser usados como garantia para linhas de crédito. Nesse modelo, um investidor poderia manter determinado token bloqueado em uma plataforma e receber financiamento equivalente a uma parcela de seu valor — ele cita, como exemplo, percentuais de 30%, 40% ou 60%, dependendo da estrutura da operação.A combinação permitiria reunir, na mesma infraestrutura, investimento, dinheiro e crédito. Um ativo deixaria de servir apenas como aplicação financeira e poderia passar a ser utilizado em outras operações sem precisar sair do ambiente digital.Consimo ressalta, porém, que a tokenização não elimina riscos tradicionais. Problemas de crédito e eventuais calotes continuam existindo independentemente de o ativo estar ou não em blockchain.A diferença, em sua avaliação, está na possibilidade de cruzar informações com mais facilidade, manter registros menos suscetíveis a alterações e automatizar mecanismos de controle. Essas características podem ajudar na identificação de problemas e na gestão de risco, mas não substituem processos de análise de crédito e compliance.Para o executivo, é justamente essa combinação entre maior maturidade das plataformas, avanço regulatório e novos casos de uso que pode marcar a próxima fase da tokenização brasileira. Depois de anos concentrados em provar que a tecnologia funciona, o desafio agora passa a ser fazer com que ela opere em escala — e que volumes na casa dos bilhões deixem de ser exceção.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post Tokenização deixa fase de testes e mira escala bilionária no Brasil, diz XDC apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.