Volta ao mundo solo: brasileiro completa expedição em monomotor pelos cinco continentes

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Após 182 dias, o brasileiro Alex Frota concluiu uma volta ao mundo solo em monomotor experimental e se tornou o primeiro do país a realizar a travessia pelos cinco continentes, segundo o projeto Frotas Pelo Mundo. A jornada terminou em 12 de setembro, com pouso no Ceará, no Catuleve, Clube de Aviação Desportiva, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.Ao longo da expedição, iniciada em 15 de março, Frota percorreu 77 mil quilômetros, voou por 297 horas e passou por 33 países. O roteiro incluiu regiões como Groenlândia, Oriente Médio e Sibéria, além de enfrentar condições meteorológicas extremas, dificuldades de navegação, problemas mecânicos e entraves burocráticos para obter autorizações de voo.Uma jornada marcada por clima extremo, panes e desafios de navegaçãoDurante o trajeto, Frota enfrentou chuva intensa sobre a Amazônia, temperaturas de 22 graus negativos na Groenlândia e calor acima de 50 graus no Oriente Médio. Na Ásia, a viagem coincidiu com monções e tufões. Já na Sibéria, o piloto percorreu áreas longas e pouco habitadas, com poucas cidades, estradas e aeroportos.“Foram voos super desafiadores. Eu já passei por zona de guerra, por problemas de GPS e de navegação, já tive pane elétrica. Voei também sobre oceanos, desertos e lugares extremos como a Groenlândia, onde enfrentei menos 22 graus”, afirma Frota.Em Melilla, território espanhol no norte da África, o piloto encontrou furos no tanque e combustível vazando. Como não havia combustível disponível para o retorno à Europa, ele precisou preservar parte do que estava sendo perdido e fazer um reparo antes de seguir viagem.Foto: DivulgaçãoMais tarde, uma falha elétrica começou na África e se agravou no voo entre Dubai e a Índia. Segundo Frota, o problema quase o levou a declarar emergência e buscar pouso no Paquistão. A falha durou cerca de duas semanas até ser resolvida. Nas etapas finais, uma queda de pressão de combustível nos Estados Unidos exigiu nova revisão da aeronave.Em regiões afetadas por conflitos e interferências eletrônicas, o GPS também deixou de oferecer segurança confiável. Nesses trechos, Frota recorreu à radionavegação e, em alguns momentos, a métodos tradicionais com mapa e cronômetro.Volta ao mundo solo e as decisões que mudaram a rotaAlém do clima e dos problemas técnicos, a burocracia alterou parte do planejamento. Nas Filipinas, Frota passou mais de uma semana tentando viabilizar uma escala rumo à Rússia. China, Japão, Taiwan e Coreia do Sul estavam entre as opções consideradas. Após negociações e apoio de representações diplomáticas brasileiras, a Coreia do Sul entrou na rota.Durante essa etapa, ele também relata ter cruzado uma região de forte tensão geopolítica, com navios militares e drones, além de enfrentar dificuldades para conseguir autorização de passagem por espaços aéreos específicos.“A burocracia era o que mais me apavorava porque eu não tinha controle sobre ela. O clima você acompanha, o avião você prepara, mas uma autorização depende de outras pessoas e de outros países. Essa parte entre as Filipinas e a Rússia foi a mais tensa da viagem para mim”, afirma.No México, outro impasse regulatório mudou a etapa final da expedição. A intenção era seguir dos Estados Unidos pela América Central, percorrer a costa do Pacífico da América do Sul e entrar no Brasil pelo Sul. No entanto, Frota permaneceu quatro dias no país sem conseguir autorização para avançar com a aeronave experimental.A solução foi retornar aos Estados Unidos, contornar o Golfo do México e redesenhar a rota. Assim, a América do Sul saiu do roteiro principal e poderá receber uma expedição própria no futuro.Leia também:Voetur Viagens lança websérie sobre parcerias no turismo corporativo Caribe ganha força entre brasileiros com alta em Cancún e San Andrés em 2026Preço, conforto e experiência influenciam escolha de viajantes, aponta pesquisa da FlixBus Civitatis integra catálogo à IA e leva reservas de experiências ao ChatGPT e Claude São Paulo e Nova York lideram destinos favoritos para viagens corporativas Mulheres viajam mais sozinhas e planejamento deve acompanharTurismo de negócios impulsiona a economia da capital paulista  Como saber se o seguro viagem realmente funciona antes de embarcarSegundo Frota, a viagem atingiu duas marcas estabelecidas antes da partida: ele se tornou o primeiro brasileiro a completar sozinho uma volta ao mundo em monomotor passando pelos cinco continentes, enquanto o RV-10 usado na expedição se tornou, segundo o projeto, a primeira aeronave do modelo a realizar uma circunavegação solo.“O que a gente vai mostrando que é possível passa a ser o novo normal. Só que o perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, ressalta.Frota afirma ainda que a viagem nasceu do desejo de conhecer o mundo para além dos cartões-postais e imagens habituais. “Eu estou dando a volta ao mundo porque quero ver o mundo de verdade, nas pessoas comuns, nas culturas como elas realmente são”, destaca.Administrador de empresas, gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, Frota tirou o brevê aos 44 anos e transformou em 2026 um projeto amadurecido ao longo de anos em uma expedição internacional. Em 2024, ele já havia realizado um voo-teste entre Fortaleza e os Estados Unidos.O pouso no Ceará encerrou um projeto que começou e terminou no mesmo estado, depois de 182 dias, 77 mil quilômetros e 33 países cruzados em uma jornada que atravessou cinco continentes.Para mais informações, acesse o site, canal do YouTube ou pelo Instagram.O post Volta ao mundo solo: brasileiro completa expedição em monomotor pelos cinco continentes apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.