O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não ofereceu cargos em troca da desistência de Ricardo Salles (Novo) da candidatura ao Senado. Segundo interlocutores, a possibilidade de Salles ocupar algum espaço em um eventual novo governo pode existir caso Tarcísio seja reeleito ou Flávio Bolsonaro (PL) chegue ao Palácio do Planalto, mas não houve acordo nesse sentido.Nos bastidores, aliados de Tarcísio afirmam que esse tipo de negociação não faz parte do perfil do governador, que já foi criticado por adversários e até aliados por ter uma atuação considerada “pouco política”. A avaliação é que a decisão de Salles foi tomada por razões eleitorais – e de futuro.Um dos fatores que pesaram foi a avaliação do próprio ex-ministro do Meio Ambiente de que sua candidatura poderia contribuir para dividir os votos da direita e favorecer as candidatas de esquerda ao Senado, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Salles não queria, segundo interlocutores, terminar a eleição com a imagem de “vilão”, responsável por uma eventual vitória de uma das duas.Além disso, o próprio Salles teria concluído que suas chances de eleição estavam reduzidas. Na avaliação feita nos bastidores, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que integram a chapa de Tarcísio, além de Tebet e Marina, apresentavam desempenho superior nas pesquisas de intenção de voto.“Com esse movimento, ele sai gigante. Altruísta e agora volta a fazer parte do primeiro escalão da direita no Brasil e em São Paulo, do grupo do Flávio e do Tarcísio”, afirmou uma fonte, lembrando o rompimento de Salles com esse grup durante a eleição municipal de 2024.A possibilidade de uma mudança de rota, porém, não é nova. Como antecipou a Jovem Pan, no início do ano Salles chegou a avaliar a troca do Novo pelo PP e a desistência da disputa ao Senado. Naquele momento, a ideia também era evitar a dispersão dos votos da direita, mas as conversas acabaram esfriando.O movimento atual foi conduzido pelo próprio Tarcísio, que passou a última semana tratando do assunto com Salles. Os dois chegaram à decisão no último sábado (26). O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (28), depois de um café da manhã que reuniu os quatro envolvidos na articulação. Derrite, que tem proximidade com Salles, também participou das conversas nos bastidores. Segundo aliados, o candidato ao Senado falou tanto com Tarcísio quanto com Salles e ajudou a construir o entendimento pela retirada da candidatura.A divisão dos votos entre Derrite, André do Prado e Salles já vinha sendo uma preocupação do governador. Antes do início oficial da campanha, Tarcísio trabalhou para estimular outras candidaturas ao Senado e reduzir a vantagem que Tebet e Marina apresentavam nas pesquisas. O governador participou, inclusive, das articulações que resultaram nas candidaturas do empresário Geraldo Rufino (Podemos) e da ex-vereadora Soninha Francine (PSDB). A estratégia era ampliar o número de nomes do campo na corrida e reduzir a concentração de votos nas duas candidatas.