Sinalização fiscal vai indicar trajetória futura do Ibovespa, diz Zeina

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A Bridgewater Associates, um dos maiores fundos de hedge do mundo, avalia que o resultado da eleição presidencial no Brasil será determinante para definir se o país conseguirá atrair capital estrangeiro e fazer com que a poupança doméstica retorne aos ativos locais.O relatório da gestora aponta a situação fiscal como um dos principais fatores nessa equação.Em entrevista ao CNN Money nesta quinta-feira (1º), Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, analisou o cenário e afirmou que, no curto prazo, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) tenderia a provocar uma reação positiva imediata nos mercados.“Num primeiro momento, se confirmada a vitória do Flávio Bolsonaro, é claro que nós vamos ver uma reação positiva dos mercados, o que já vem acontecendo todas as vezes que a gente vê o Flávio tendo um crescimento na intenção de voto”, afirmou.No entanto, ao analizar em um horizonte mais longo, Zeina ponderou que traçar conclusões sobre o médio prazo é consideravelmente mais complexo e que ela não enxerga o cenário de forma tão binária. Leia Mais "Índice do medo" da bolsa brasileira bate recorde pela 3ª vez na semana Membro do Fed diz que banco tem mais espaço para focar combate à inflação Eleição no Brasil é a mais importante do ano entre emergentes, diz gestora Segundo ela, a materialização de reformas depende não apenas da convicção do presidente eleito, mas também de sua capacidade política.“A materialização de reformas é uma equação muito mais longa, é um processo muito mais complexo”, destacou.Ela acrescentou que o país vive um quadro de rigidez orçamentária elevada, com emendas parlamentares obrigatórias que reduzem a margem de negociação política, o que torna o papel do presidente ainda mais central nesse processo.A especialista também chamou atenção para a importância de o vencedor das eleições apresentar rapidamente um pacote de medidas ao Congresso Nacional.“Seria muito importante, quem quer que seja o vencedor, que venha já com um pacote de medidas para enviar ao Congresso”, disse Zeina Latif.Ela observou que, apesar de os dois candidatos apresentarem abordagens diferentes — uma mais acelerada e outra mais gradualista —, nenhum dos lados nega explicitamente a necessidade de algum ajuste fiscal.Fiscal como alicerce do crescimentoAo abordar o crescimento econômico, Zeina Latif destacou que o potencial de expansão do Brasil, estimado entre 2% e 2,5% ao ano, ainda está abaixo da média mundial, que gira em torno de 3% a 3,5%.Ela atribuiu essa limitação, em parte, à baixa qualidade do gasto público, que não se traduz adequadamente em incentivos ao crescimento, seja em educação ou em infraestrutura.“Quando se fala em ajuste fiscal, é por uma questão de estabilidade macroeconômica, mas também para melhorar a qualidade do gasto”, explicou.Para a economista, a sinalização fiscal que vier após as eleições será o principal indicador a ser observado pelo mercado. O regime fiscal atual, segundo ela, gera um ambiente macroeconômico instável, com juros elevados e baixa visibilidade sobre a trajetória da dívida pública.“Qual vai ser a sinalização que a gente pode esperar do lado fiscal? Essa âncora é pedra fundamental para a gente conseguir enxergar um horizonte de melhora da nota de crédito do país”, concluiu.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.