Ethereum deixará de ser “apenas uma blockchain”, diz Vitalik Buterin

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O Ethereum deve passar por uma transformação profunda nos próximos anos e chegar a 2030 funcionando de maneira bastante diferente da rede atual. Na visão do cofundador Vitalik Buterin, a plataforma deixará de se encaixar na definição tradicional de blockchain e passará a combinar a arquitetura descentralizada com novas técnicas criptográficas para ganhar escala, velocidade, privacidade e segurança.“Realmente não é mais apenas uma blockchain”, afirmou Buterin ao apresentar neste domingo (27) sua visão para os próximos anos. Segundo ele, o Ethereum está caminhando para uma arquitetura híbrida que combina ideias fundamentais das blockchains com tecnologias criptográficas que sequer existiam ou ainda eram imaturas quando o Bitcoin foi criado, em 2009.Uma das principais mudanças será reduzir a necessidade de que todos os computadores da rede repitam o mesmo trabalho para verificar cada operação. Em vez disso, o Ethereum deverá recorrer cada vez mais a provas criptográficas, capazes de demonstrar que determinada computação foi realizada corretamente sem exigir que todos os participantes executem novamente todo o processo.Esse desenho poderia permitir à rede processar um volume muito maior de informações sem sacrificar a possibilidade de usuários verificarem independentemente o que acontece no protocolo — característica considerada essencial para manter a descentralização.O plano faz parte do chamado Lean Ethereum, conjunto de mudanças de longo prazo que Buterin apresentou em julho e que pretende reformular praticamente todos os principais componentes do protocolo. O tamanho da transformação já foi comparado por ele ao The Merge, atualização de 2022 que substituiu a mineração pelo mecanismo de consenso proof-of-stake.O roteiro oficial do Ethereum prevê atualmente a atualização Glamsterdam para o quarto trimestre de 2026, seguida pela Hegotá em 2027. A própria Fundação Ethereum ressalta que o calendário é desenvolvido pela comunidade e pode mudar.Ethereum pode ter blocos praticamente definitivos em segundosButerin considera que a Hegotá poderá ser a última atualização “normal” do Ethereum nos moldes conhecidos atualmente. A partir dela, o desenvolvimento deverá se concentrar em tecnologias mais avançadas, como STARKs recursivos, verificação formal automatizada e mecanismos criptográficos resistentes a computadores quânticos.Os STARKs são provas criptográficas que permitem verificar se determinada computação foi executada corretamente. Na versão recursiva, uma prova pode confirmar a validade de outras provas, reduzindo a quantidade de informação que precisa ser processada diretamente pelos participantes da rede.Já a verificação formal utiliza métodos matemáticos para comprovar que determinado código se comporta conforme projetado. A preocupação com computação quântica aparece porque máquinas suficientemente poderosas poderiam, no futuro, ameaçar alguns dos sistemas criptográficos usados atualmente. A preparação para esse cenário já faz parte do roteiro de segurança do Ethereum, embora a própria fundação trate a ameaça como algo de longo prazo.Essas mudanças também deverão afetar a velocidade da rede. Buterin projeta que, até 2030, o intervalo para criação de novos blocos poderá cair para quatro a oito segundos, enquanto a chamada finalidade — momento em que uma operação passa a ser considerada irreversível — poderia ocorrer entre oito e 32 segundos.A ideia também é mudar a maneira como os nós verificam a blockchain. Em vez de baixar e processar integralmente todos os dados, eles poderão consultar partes da informação e verificar pequenas provas criptográficas que atestam a validade do restante.Parte desse caminho já começou. O PeerDAS, introduzido na atualização Fusaka em dezembro de 2025, permite que validadores façam amostragens dos dados usados pelas redes de segunda camada em vez de baixar todo o conteúdo. A expectativa de Buterin é ampliar esse princípio posteriormente para blocos completos.O objetivo é permitir que o Ethereum aumente bastante sua capacidade sem transformar a operação de um nó em uma atividade acessível apenas a grandes empresas ou servidores caros. Manter nós funcionando em equipamentos relativamente modestos continua sendo uma prioridade do projeto justamente para preservar a possibilidade de usuários verificarem a rede por conta própria.Descentralização pode deixar de ser apenas um custoOutra mudança conceitual destacada por Buterin é a forma como o Ethereum encara a descentralização.Historicamente, distribuir uma rede entre milhares de computadores envolve um custo de desempenho: manter vários participantes sincronizados tende a ser menos eficiente do que simplesmente processar tudo em um servidor centralizado.Buterin argumenta, porém, que avanços criptográficos podem fazer com que, em algumas situações, a própria descentralização passe a contribuir para o desempenho. Diferentes máquinas podem armazenar e processar grandes volumes de dados em paralelo, enquanto provas criptográficas permitem verificar posteriormente se o trabalho foi feito corretamente.A descentralização também pode trazer vantagens adicionais para privacidade. Segundo ele, redes distribuídas conseguem, em determinados casos, esconder melhor metadados como a origem de uma solicitação ou de determinada informação.Isso não significa que o Ethereum passará a competir diretamente com sistemas centralizados em velocidade. “Ethereum em si nunca terá latência que concorra com servidores”, escreveu Buterin, ressaltando que infraestruturas construídas ao redor da rede poderão alcançar níveis de desempenho muito superiores.A estratégia mantém ainda as redes de segunda camada como parte importante da escalabilidade. Hoje, rollups já conseguem executar transações de cinco a 20 vezes mais barato que a camada principal, e a Ethereum Foundation espera reduções adicionais com o avanço das tecnologias de provas de conhecimento zero.Apesar da visão ambiciosa para 2030, Buterin reconhece que ainda existem obstáculos importantes. Um deles é administrar o chamado estado do Ethereum, que reúne informações sobre contas, saldos e contratos inteligentes e cresce continuamente à medida que a rede é utilizada.Para ele, tornar provas de conhecimento zero eficientes e seguras pode acabar sendo mais simples do que descobrir como acessar e processar em paralelo essa quantidade crescente de informações.O roteiro, portanto, não descreve apenas uma tentativa de tornar o Ethereum mais rápido. A visão apresentada por Buterin é de uma mudança na própria arquitetura da rede: uma infraestrutura na qual blockchain, provas criptográficas, processamento distribuído e privacidade funcionam em conjunto — a ponto de, segundo seu cofundador, chamar o Ethereum simplesmente de “blockchain” poder já não explicar exatamente o que ele será em 2030.Quer diversificar com alto potencial? O Ethereum já entregou um retorno de mais de 375% em 5 anos. Invista na ETH de forma fácil e segura no MB. Não adie essa oportunidade!O post Ethereum deixará de ser “apenas uma blockchain”, diz Vitalik Buterin apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.