As facções criminosas têm apostado em métodos cada vez mais inovadores para o tráfico de cocaína na região da Amazônia. Estudos apontam que embarcações pesqueiras, submersíveis, lanchas blindadas, contêineres e até mesmo “narco-mergulhadores” são utilizados para realizar o transporte da droga para a Europa.Atualmente, a Amazônia é um dos principais corredores entre as áreas produtoras de cocaína da Colômbia, do Peru e da Bolívia. O PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), consideradas as duas maiores potencias do crime organizado, ampliaram a atuação na região e a transformaram em um grande fluxo transnacional de cocaína.Segundo o relatório elaborado pela Global Initiative, o tráfico regional de cocaína vêm redirecionando carregamentos da droga para o estado brasileiro do Amapá e para a Guiana Francesa, de onde são exportados para a Europa em vez de seguir a rota tradicional pelo curso do rio Amazonas.Para o transporte da droga, os criminosos apropriam-se de recursos considerados complexos e mais difíceis de serem interceptados pelas autoridades. Leia Mais CV amplia domínio sobre rotas do tráfico e supera PCC na Amazônia É preciso libertar territórios do controle do crime, diz especialista à CNN Governo anuncia mais de R$ 200 milhões para combate a facções na Amazônia Métodos inovadoresO relatório aponta que através da utilização de embarcações pesqueiras, submersíveis, lanchas blindadas, contêineres, pequenos aviões e pistas clandestinas de pouso, os grupos realizam a exportação da cocaína para diferentes portos europeus, permanecendo em uma gradual expansão.Narco-mergulhadoresNo Amapá, os chamados “narco-mergulhadores” tornaram-se recursos valiosos nas operações de exportação de cocaína no estado. Segundo a pesquisa, os criminosos aproveitam-se dos longos períodos de espera dos navios transatlânticos ancorados perto dos portos de Macapá e Santana para iniciar as atividades.Os “narco-mergulhadores” são, em sua grande maioria, ex-mergulhadores da Marinha ou bombeiros treinados trazidos de avião de São Paulo ou Rio de Janeiro. O estudo indica que os especialistas trabalham à noite em condições perigosas nas águas profundas do rio para fixar cargas de cocaína nos compartimentos de carga dos navios. A vasta experiência dos mergulhadores permite que as operações, chamadas de “rip-on”, sejam realizadas com grande precisão e eficácia, em condições que já causaram ferimentos a outros integrantes locais menos experientes.De acordo com a Global Initiative, o envolvimento dos “narco-mergulhadores” ressalta a sofisticação da logística do tráfico no Amapá e os desafios enfrentados pelas autoridades policiais no Delta do Amazonas.Mergulhadores profissionais auxiliam facções na exportação de cocaína para a Europa • Reprodução/Global InitiativeSegundo os pesquisdores, o porto de Santana virou um importante ponto de atuação para as facções criminonas que utilizam o método de “rip-on” para carregar cocaína em navios com destino à Europa.Com uma posição geográfica considerada privilegiada, o local é o principal porto do estado do Amapá e tornou-se uma das principais rotas marítimas de navegação.Além disso, a ilha de Santana –– um centro de distribuição para narcotraficantes ––, fica do outro lado do rio Amazonas, em frente aos cais, e faz com que o local seja ainda mais atrativo para as organizações criminosas.Veja também: PCC e CV usam Amazônia como rota para exportação de cocaínaSubmersíveisO uso de submersíveis também está surgindo como um novo método de tráfico de cocaína no Amapá. De acordo com o estudo, as embarcações percorrem os cursos d’água da Amazônia, transportando cargas da droga das regiões produtoras da Colômbia ou fazendo o trajeto vazias.Assim que chegam ao Amapá, os submersíveis emergem e ficam ancorados em uma das várias ilhas fluviais isoladas próximas aos portos de Santana e Macapá. No local, eles podem ser carregados com cocaína antes de seguirem para a Europa.O vasto território do Amapá, ao lado da escassa presença institucional, permitiram que grupos de narcotraficantes se expandissem com pouca resistência • Reprodução/Global InitiativeA “rota do tráfico”Segundo o relatório, os fluxos de cocaína estão sendo redirecionados pela Amazônia, com o Amapá emergindo como um importante polo de exportação ao lado das rotas consolidadas por Belém. Mas, antes de entender como o processo se expandiu, é importante lembrar como a Amazônia virou alvo das organizações.A bacia amazônica possui uma vasta rede fluvial que conecta produtores andinos a portos globais. Diante disso, as facções enxergaram o local como um pilar estratégico para o tráfico transnacional de drogas.Historicamente, essa dinâmica começou com os cartéis de Medellín e Cali, que estabeleceram a “rota do Solimões” –– hoje sob controle do Comando Vermelho –– para exportar cocaína via Manaus e Belém. A rota abrange a região de Tabatinga na tríplice fronteira com Peru e Colômbia e tornou-se um ponto estratégico para o crime organizado.Atualmente, a Amazônia serve tanto como corredor para o mercado internacional quanto para o consumo interno brasileiro. Segundo o relatório, a droga produzida na Colômbia e no Peru é transportada principalmente por rios até Manaus, em pequenas embarcações pesqueiras.PCC e CV usam Amazônia como rota para exportação de cocaína