A primeira onda de calor da primavera chegou ao Brasil no sábado, dia 26 de setembro, e fez a temperatura subir nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Junto com o calor veio um alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu um alerta vermelho que abrange seis estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, em todo o território; e sul do Mato Grosso, centro, sul e oeste do Rio de Janeiro, e sul e sudeste de Minas Gerais. O alerta de perigo é válido até a 4ª feira (30/9).As máximas podem superar 40°C em Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS), e 30°C em São Paulo (SP) e no interior paulista. Os termômetros devem manter-se em um patamar mais elevado ao longo de cinco dias. Por isso, o alerta vermelho do INMET, o mais alto.Outras regiões também sofrerão com calor intenso, com altas temperaturas, mas por um período menor de tempo. O INMET assinala que essas condições devem ser observadas em partes de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, sul de Rondônia, sul de Goiás, centro e sul do Pará, outras áreas do Mato Grosso e do Distrito Federal.Fonte: INMETSegundo o INMET, um dos sistemas que contribuem para a formação da onda de calor é uma área de baixa pressão que deverá se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai. Conhecido como Baixo do Noroeste da Argentina (BNOA), o sistema começou a se desenvolver na madrugada de 6a feira (25/9) e se aprofundou no final de semana. O fortalecimento da baixa pressão modifica a circulação dos ventos, favorecendo o transporte de ar quente das áreas mais ao norte em direção ao sul do Brasil, Paraguai e Argentina, o que contribui para a rápida elevação das temperaturas.Outro fator, aponta o instituto, é a formação de um sistema de circulação anticiclônica anômala — padrão de ventos em torno de um centro de alta pressão atmosférica atuando fora de sua posição, intensidade ou época do ano climatologicamente normais. O sistema se formou na alta troposfera (entre 5 e 12 km acima da superfície) sobre partes de Centro-Oeste, Sudeste e Sul.Essa circulação favorece o movimento descendente do ar, que é comprimido durante a descida, aquecendo-se e intensificando as altas temperaturas na superfície — gerando os famosos “domos de calor”. Leia também: 1.Em meio à onda de calor, Paris proíbe consumo de álcool 2.Árvores dependem de um fator essencial para aliviar o calor Mortes com “Super El Niño” podem superar 450 milDistribuição de água para pessoas em situação de rua. Foto: Divulgação | SP InvisívelO “Super El Niño”, que está ganhando força no Pacífico equatorial, deve causar a morte de quase meio milhão de pessoas no mundo nos próximos seis meses, apenas pelo aumento da temperatura. A estimativa é de um estudo publicado pelo Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago (EUA) na 4ª feira (23/9). O Brasil será um dos países mais afetados, segundo a análise, com pouco mais de 13,2 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo até fevereiro de 2027.O estudo indica um risco de 451 mil mortes associadas ao calor em todo o mundo, a maior parte concentrada no Sul Global. A África é o continente com o maior número de mortes potenciais, com mais de 130,2 mil óbitos projetados. A Nigéria ocupa a primeira posição entre os países que mais devem ser afetados, com 31,3 mil mortes, seguida por Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,4 mil) e Índia (15,7 mil). O Brasil está no 5º lugar, seguido pela República Democrática do Congo (10 mil) e pelo Níger (9,9 mil). Leia também: 1.Médicos criam guia para empresas sobre calor e saúde 2.Mais vulneráveis têm menos chances de fugir do calor Foto: Kseniia Zaitseva | UnsplashPara efeito de comparação, as mortes projetadas em todo o mundo para os próximos seis meses, em decorrência do El Niño, equivalem à população da cidade de Santos, no litoral de São Paulo. Esse número não inclui mortes prováveis associadas a outros eventos extremos potencializados pelo fenômeno, como tempestades, secas e incêndios florestais.“É um número tão elevado que pode nos deixar insensíveis, mas é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do laboratório e coautor do estudo.As projeções foram realizadas com base em pesquisas que quantificaram a relação entre temperatura e excesso de mortalidade (mortes acima da média) em comparação à média observada entre 1996 e 2025. A análise considerou diferenças no clima local, na vulnerabilidade e na capacidade de adaptação dos países em mais de 24,3 milhões de regiões do globo. Leia também: 1.6 em cada 10 escolas brasileiras estão em ilhas de calor 2.Como as ondas de calor afetam a saúde dos humanos, das plantas e animais Os autores do estudo ainda fazem um alerta: as temperaturas anormais dos próximos meses, sob o El Niño, podem se tornar o “novo normal” em 20 anos se o aquecimento global seguir descontrolado. Seria uma espécie de “cartão-postal do futuro”, permitindo um vislumbre do que nos espera se não avançarmos com a mitigação e a adaptação climáticas nas próximas décadas.“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços podem salvar muitas vidas este ano. Mas daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, afirmou Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório e coautora da pesquisa.Com informações de ClimaInfo The post 1ª onda de calor da primavera vem com alerta de perigo appeared first on CicloVivo.