Recarga rápida avançou de forma acelerada no Brasil e já representa 38,2% dos pontos públicos e semipúblicos para veículos elétricos, segundo atualização da base nacional divulgada pela ABVE e pela Tupi com dados de agosto de 2026.O levantamento mostra que o país soma 29.866 pontos de recarga, número 17,4% maior que o de junho de 2026, quando a base registrava 25.429 pontos. Na comparação com agosto de 2025, o crescimento chega a 76,9%, com 12.986 novos pontos em 12 meses.Recarga rápida avança e muda a composição da redeA frota de veículos elétricos plug-in no Brasil totaliza 639.133 unidades, entre 313.140 veículos 100% elétricos (BEV) e 325.993 híbridos plug-in (PHEV). Com isso, o país registra uma relação de 21,4 veículos plug-in por ponto de recarga.Dos 29.866 pontos existentes, 18.469 oferecem recarga lenta em corrente alternada (AC), o equivalente a 61,8% da rede. Já 11.397 são de corrente contínua (DC), com 38,2% do total.O crescimento da infraestrutura DC chama atenção. Em 12 meses, essa modalidade avançou 195,6%, saindo de 3.855 para 11.397 pontos, o que representa 7.542 novas instalações. A participação da carga rápida mais que dobrou em 18 meses: era de 16,4% em fevereiro de 2025 e alcançou 30,6% em fevereiro de 2026.Além disso, o ritmo de expansão segue forte. A recarga rápida cresceu 32,2% no trimestre encerrado em junho e 32,4% no trimestre encerrado em setembro, indicando manutenção do avanço em patamar próximo de 32%.A mudança também aparece na composição dos novos pontos. Dos 4.433 adicionados entre junho e setembro, 2.792 eram DC, o equivalente a 63,0% do total. No trimestre anterior, essa fatia era de 50,1%.Segundo a ABVE e a Tupi, o movimento reflete queda no custo dos equipamentos, evolução tecnológica, ganho de escala dos operadores, maior demanda por viagens de média e longa distância, expansão de frotas corporativas e logísticas e mais confiança do consumidor brasileiro.Interiorização da rede e gargalos regulatóriosA base AC também cresceu, embora em ritmo menor. Em 12 meses, a recarga lenta avançou 41,8%, de 13.025 para 18.469 pontos. No trimestre encerrado em agosto, foram 1.641 novos pontos AC.A rede já alcança 1.911 municípios, alta de 6,9% em relação a junho de 2026 e de 31,6% frente a agosto de 2025. Desse total, 1.156 localidades contam com ao menos um ponto de recarga rápida.Para Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE, o cenário já mudou para o consumidor. “Quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico, e mais de mil deles já têm carga rápida. A pergunta do consumidor deixou de ser se existe carregador no país e passou a ser se existe carregador no caminho que ele faz. Isso só foi possível porque o Brasil resolveu o problema do equipamento: o custo caiu, a tecnologia amadureceu e o operador aprendeu a instalar. O gargalo agora é anterior ao carregador. Está no prazo e nas condições de conexão de uma nova carga à rede. A consulta pública que a ANEEL abriu neste mês trata exatamente disso, e é a discussão mais importante do setor até o fim do ano.”Na análise regional, o Nordeste liderou o avanço no semestre, com alta de 18,4%, seguido pelo Centro-Oeste, com 15,6%. O Norte cresceu 13,3%, o Sul, 10,7%, e o Sudeste, 10,4%. O Nordeste também foi a região com maior expansão no trimestre, com alta de 22,7% no total e de 40,9% em recarga rápida.São Paulo segue como o maior estado da rede, com 7.864 pontos, à frente de Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. Entre as cidades, a capital paulista lidera com 3.101 pontos, seguida por Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba e Goiânia.O relatório também destaca o ambiente regulatório. Em fevereiro de 2026, uma lei estadual em São Paulo garantiu o direito à instalação de carregadores individuais em vagas privativas de condomínios residenciais e comerciais. Já a diretriz nacional dos Corpos de Bombeiros, em vigor desde o fim de fevereiro, passou a uniformizar parâmetros de projeto e vistoria para pontos de recarga.Em 10 de setembro, a ANEEL abriu a Consulta Pública 033/2026, com prazo até 9 de novembro, para discutir regras de conexão de tecnologias como geração distribuída, armazenamento, veículos elétricos e cargas flexíveis. A ABVE informou que apresentará contribuições ao processo.O post Recarga rápida cresce 195,6% e já responde por 38,2% da rede brasileira apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.