Bolsa Família, fim das bets e Desenrola: medidas somam impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027, estima BTG

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As novas medidas do governo, que incluem o reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets e o Desenrola 3.0, devem ter impacto fiscal de R$ 55,8 bilhões em 2027, segundo estimativas do BTG Pactual. Embora o banco veja espaço para acomodar as iniciativas nas regras fiscais, o pacote aumenta a rigidez do orçamento e dificulta o ajuste necessário para estabilizar a dívida pública.No relatório de cenário macroeconômico de outubro, o BTG calcula que o maior impacto no próximo ano virá do Bolsa Família, com R$ 22,9 bilhões em despesas adicionais. A perda de arrecadação com o fim das bets aparece na sequência, com R$ 14,7 bilhões, seguida do Desenrola 3.0, com R$ 10 bilhões.“As medidas aumentam a rigidez orçamentária e ampliam o impulso fiscal”, afirmam os economistas do banco. Isso significa que o governo terá menos flexibilidade para distribuir os recursos e que as iniciativas poderão estimular a atividade econômica.Para 2026, o impacto estimado do conjunto de medidas é de R$ 22,3 bilhões, concentrado principalmente nas ações para suavizar os preços dos combustíveis.De onde vêm os R$ 55,8 bilhõesO cálculo do BTG considera tanto o aumento de despesas quanto a redução de receitas. Além disso, reúne medidas com diferentes estágios de implementação e tratamentos nas regras fiscais.table.tableizer-table {font-size: 12px;border: 1px solid #CCC; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;} .tableizer-table td {padding: 4px;margin: 3px;border: 1px solid #CCC;}.tableizer-table th {background-color: #104E8B; color: #FFF;font-weight: bold;}MedidaImpacto fiscal estimado em 2027 Reajuste do Bolsa FamíliaR$ 22,9 bilhões Fim das betsR$ 14,7 bilhões Desenrola 3.0R$ 10 bilhões Universalização do Pé-de-MeiaR$ 6,3 bilhões Possível inclusão de canetas emagrecedoras no SUSR$ 2 bilhões TotalR$ 55,8 bilhõesNo Bolsa Família, o relatório considera reajuste de 15,04% a partir de outubro, com aumento do piso de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777. Como se trata de uma despesa obrigatória, o aumento comprime o espaço para gastos que o governo pode decidir como distribuir.Já os R$ 14,7 bilhões atribuídos ao fim das bets representam receitas que deixariam de entrar nos cofres públicos em 2027. Para 2026, a perda estimada pelo banco é de R$ 2,4 bilhões.No caso do Desenrola 3.0, o desenho descrito no relatório prevê que a União compre carteiras de dívidas de até R$ 150 bilhões, com desconto mínimo de 90% e limite de desembolso de R$ 15 bilhões até 2028. O BTG distribui esse impacto entre R$ 5 bilhões em 2026 e R$ 10 bilhões em 2027.O banco ressalta, porém, que o tratamento fiscal do programa ainda é incerto: não está claro se os desembolsos serão contabilizados dentro do limite de gastos e da meta fiscal.A conta também incorpora R$ 6,3 bilhões para a expansão do Pé-de-Meia, que passaria de 4,6 milhões para cerca de 7 milhões de estudantes em 2027. Segundo o BTG, a despesa entraria no mínimo constitucional da educação, reduzindo o espaço para outras políticas da área.Para a possível inclusão de canetas emagrecedoras no SUS, o banco estima R$ 2 bilhões. O relatório menciona um pedido de incorporação de semaglutida e liraglutida à Conitec, com público-alvo ainda a definir. A hipótese adotada é que a despesa seja computada no mínimo constitucional da saúde.As medidas para combustíveis, por sua vez, têm impacto estimado de R$ 9,1 bilhões em 2026, sem custo adicional projetado para 2027 nessa tabela.Metas fiscais ainda podem ser cumpridas, mas dívida segue em altaApesar da pressão adicional, o BTG mantém como cenário-base o cumprimento das metas fiscais em 2026 e 2027. A avaliação é que a dinâmica mais favorável das despesas obrigatórias nos últimos anos, especialmente dos benefícios previdenciários, abriu espaço para acomodar novas despesas no limite de gastos.Isso não significa, porém, que todas as iniciativas afetem as regras da mesma forma. O relatório ressalta que os impactos têm efeitos distintos sobre a meta fiscal, o limite de gastos e os mínimos constitucionais de saúde e educação.Para 2027, o banco reduziu a projeção de déficit primário do setor público de R$ 32 bilhões para R$ 27 bilhões, ou 0,2% do PIB. A melhora reflete receitas adicionais esperadas com a reforma tributária, parcialmente compensadas pela retirada da arrecadação das bets.Ainda assim, a margem para cumprir a meta no próximo ano é estreita. Um crescimento econômico mais fraco poderia comprometer esse resultado, segundo o relatório.A preocupação também permanece na trajetória da dívida. O BTG projeta que a dívida bruta alcance 83,3% do PIB em 2026 e 87,6% em 2027, diante dos déficits primários e do custo elevado dos juros.Estímulos também limitam espaço para cortes da SelicO pacote tem implicações para a política monetária. Na avaliação do BTG, o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets podem impulsionar a atividade a partir do fim deste ano, reduzindo o espaço esperado para novos cortes de juros.O banco incorporou os efeitos do aumento do benefício sobre a demanda à revisão da inflação de 2027, que passou de 4,4% para 4,8%. A nova projeção também considera um reajuste de 15% na gasolina no primeiro trimestre do próximo ano.Nesse cenário, o BTG espera que a Selic permaneça em 13,75% até o fim de 2026, com redução para 12,50% ao término de 2027.