Treasuries batendo recordes nos EUA: Por que isso importa para o Brasil?

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Na manhã desta quinta-feira (1), os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, renovaram as máximas históricas. Os yields de 10 e 30 anos, por exemplo, atingiram o maior nível desde meados de 2002. Essa disparada recente nos rendimentos dos títulos de longo prazo norte-americanos pode pesar de forma mais intensa sobre o Brasil do que sobre outros mercados da América Latina, segundo o Citi. O banco aponta o país, ao lado da Colômbia, como um dos mais expostos à alta das taxas norte-americanas. Nas contas de Ernesto Revilla, economista-chefe da América Latina do Citi, México, Colômbia e Brasil apresentam o repasse mais forte e persistente de um choque nos juros norte-americanos para as taxas domésticas, na faixa de 100 a 170 pontos-base. Isso significa que uma alta prolongada dos rendimentos dos Treasuries pode se traduzir em aumento dos custos de financiamento, apertar as condições financeiras e aumentar a pressão sobre países que, simultaneamente, administram níveis elevados de dívida e necessidades de financiamento.Por que isso importa? No Brasil, os rendimentos dos Treasuries, que estão nas máximas históricas, impacta diretamente a curva de juros futuros. Como os Treasuries funcionam como referência global para ativos considerados livres de risco, uma alta dos rendimentos dos títulos norte-americanos eleva o retorno exigido para investir em mercados emergentes. Com isso, títulos brasileiros precisam oferecer uma remuneração maior para compensar o investidor pelo risco adicional.Segundo o Citi, essa dinâmica é particularmente relevante para o Brasil porque o país combina alta sensibilidade às taxas norte-americanas com desequilíbrios fiscais e externos elevados. “Para a América Latina, um aumento das taxas globais dos países centrais é sempre uma preocupação. Os soberanos da região captam recursos tanto no mercado doméstico, em moeda local, quanto internacionalmente, em dólares, e suas curvas de juros são precificadas com referência explícita ou implícita às taxas dos EUA”, afirma o economista-chefe da América Latina do Citi. O efeito também pode chegar ao câmbio. Com os Treasuries oferecendo retornos maiores, parte dos fluxos globais pode ser redirecionada para os Estados Unidos, reduzindo a atratividade relativa de moedas e ativos emergentes. Para o real, isso pode representar uma fonte adicional de volatilidade e dificultar uma eventual trajetória de apreciação da moeda.