O mercado de criptomoedas entra em outubro com um ambiente mais construtivo, mas ainda dependente de confirmações importantes. Depois de um setembro positivo para boa parte dos ativos acompanhados pelos analistas, o Bitcoin voltou a operar em patamares mais altos, os fluxos institucionais para ETFs ganharam força e narrativas como tokenização, DeFi, derivativos descentralizados e upgrades de rede voltaram ao radar.O mês também carrega um fator histórico: o chamado “Uptober”, apelido dado ao mês de outubro por ter apresentado, na maioria dos anos, desempenho positivo para o Bitcoin. Embora o comportamento passado não garanta novas altas, os analistas avaliam que a sazonalidade ganha peso quando aparece acompanhada de melhora nos fundamentos, retomada de liquidez e eventos concretos no calendário.Para Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit, o Bitcoin chega a outubro com a retomada dos fluxos institucionais novamente no radar, enquanto Ethereum, Sui, Ondo e Uniswap aparecem como ativos com catalisadores próprios. André Franco, CEO da Boost Research, adota um filtro mais concentrado: fundamentos sólidos, geração real de valor e eventos marcados no mês. Na visão dele, com juros americanos mais altos, o mercado tende a punir ativos que dependem apenas de fluxo novo e favorecer projetos com mecanismos mais claros de captura de valor.Já a seleção de Pedro Fontes, analista de research do Mercado Bitcoin, combina os dois maiores ativos do mercado, Bitcoin e Ethereum, com projetos de infraestrutura ligados à tokenização. A lista da casa destaca que quatro dos ativos entram em outubro com frentes lançadas no fim de setembro ou atualizações e melhorias previstas para o próprio mês.Leia também: Bitcoin superou todos os principais ativos no 3º trimestre — incluindo o ouroConfira abaixo as criptomoedas que são apostas dos analistas em setembro:Hyperliquid (HYPE)A Hyperliquid volta a aparecer como um dos principais destaques para outubro. O ativo foi citado por André Franco como uma das três principais teses do mês, justamente por ter um gatilho concreto no calendário: o primeiro pagamento do mecanismo que direciona cerca de 90% do rendimento das reservas de USDC depositadas na plataforma para recomprar HYPE.Segundo Franco, esse rendimento passou a ser acumulado desde 26 de agosto e o primeiro repasse estava previsto para 3 de outubro. As estimativas apontam entre US$ 11 milhões e US$ 13 milhões a cada ciclo de 30 dias, ou algo entre US$ 135 milhões e US$ 180 milhões por ano. O mecanismo ganha relevância adicional no atual contexto macroeconômico, já que o rendimento vem de títulos do Tesouro americano. Em outras palavras, juros mais altos podem significar mais dinheiro para recompras.A tese, no entanto, também tem um risco claro. Em 6 de outubro, foram previstos desbloqueios de 9,92 milhões de tokens destinados a contribuidores, perto de US$ 860 milhões a preços atuais. Esse volume é muito superior à capacidade de absorção das recompras mensais. Por isso, o comportamento dos detentores após o desbloqueio será decisivo para medir a força da tese no curto prazo.Mesmo assim, a Hyperliquid permanece como uma das narrativas mais relevantes do ciclo por combinar derivativos descentralizados, crescimento de uso e mecanismos de captura de valor para o token. Em um mercado mais seletivo, essa diferença entre protocolos com fluxo operacional e ativos dependentes apenas de expectativa ganha ainda mais importância.Ondo Finance (ONDO)A Ondo Finance aparece como uma das apostas mais diretamente ligadas à tokenização de ativos do mundo real. O projeto foi citado tanto pela Foxbit quanto pelo MB, que destacam sua exposição ao avanço de ações, fundos e outros instrumentos financeiros em ambientes on-chain.Segundo Person, a Ondo vem ampliando sua conexão com o sistema financeiro tradicional e avançando na infraestrutura para levar ativos como ações e outros instrumentos financeiros para a blockchain. Com a tokenização ganhando espaço entre grandes instituições, ONDO entra em outubro como um dos principais ativos ligados à tese de RWA.Fontes reforça essa leitura ao apontar que a Ondo é um dos projetos mais diretamente beneficiados por eventuais regras que permitam, sob determinadas condições, a negociação on-chain de ações americanas tokenizadas. A tese ganhou força com o lançamento, em 24 de setembro, dos Ondo Intelligent Portfolios, carteiras completas representadas por um único token.Os três primeiros produtos utilizam estratégias desenvolvidas pela BlackRock especialmente para a Ondo, ampliando a proposta da plataforma para além da tokenização de ações individuais. Na avaliação do MB, esse avanço coloca o projeto em posição relevante para capturar a tendência de migração de produtos financeiros tradicionais para infraestruturas blockchain.O contraponto é que a tese ainda depende do avanço das regras para negociação on-chain de ações nos Estados Unidos, que seguem em definição. Ainda assim, ONDO aparece entre os ativos mais diretamente expostos à convergência entre mercado financeiro tradicional e cripto.Uniswap (UNI)A Uniswap entra em outubro como representante da aproximação entre DeFi e mercado institucional. O protocolo foi citado por Person como um dos ativos para acompanhar no mês, especialmente pela expansão para stablecoins, ativos tokenizados e novos instrumentos de exposição institucional.A Uniswap é uma das principais exchanges descentralizadas do mercado e, segundo a análise da Foxbit, passa por um novo momento com a previsão de início da negociação de contratos futuros do UNI na CME. Esse movimento pode ampliar as formas de exposição institucional ao token, aproximando o ativo de investidores que buscam instrumentos regulados para acessar o setor.Além disso, a expansão do protocolo para ativos tokenizados reforça a tese de que a Uniswap pode ir além de sua função tradicional como exchange descentralizada de criptoativos. Em um cenário de maior interesse por tokenização e negociação on-chain de ativos financeiros, a liquidez e a infraestrutura da Uniswap podem se tornar peças importantes para esse mercado.O ativo também se beneficia de uma narrativa mais ampla: a tentativa de protocolos DeFi de mostrar geração de uso e captura de valor em um ambiente de juros mais altos e maior seletividade. Nesse contexto, UNI aparece como uma aposta em infraestrutura já consolidada, mas que busca novos vetores de crescimento.Outras criptomoedas para ficar de olhoAlém dos três destaques, outros ativos aparecem nas listas dos analistas para outubro. A Sui foi citada por Person como uma das criptomoedas com catalisadores próprios no mês. O principal evento é o Sui Basecamp 2026, marcado para os dias 7 e 8, encontro que deve concentrar discussões e novidades sobre pagamentos, stablecoins, inteligência artificial e evolução da infraestrutura da rede. Ao mesmo tempo, o mês começa com desbloqueios programados de tokens, o que pode aumentar a oferta e trazer volatilidade.A Chainlink foi incluída na seleção do Mercado Bitcoin como uma das principais infraestruturas para ativos tokenizados. A rede conecta blockchains a informações externas, como preços de ações, fundos e outros ativos, além de permitir comunicação entre diferentes redes. Segundo Fontes, do MB, o CCIP (sistema que conecta blockchains) movimentou US$ 4,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 353% em um ano, e a tecnologia já é usada em iniciativas com instituições como State Street, Galaxy, VanEck e Ondo. O contraponto é que a adoção institucional pode levar tempo para se converter em receita e preço.A Avalanche também aparece entre as apostas do MB. A rede é voltada à criação de aplicações e redes personalizadas e já recebe produtos tokenizados de gestoras como BlackRock, Franklin Templeton, VanEck, WisdomTree e Apollo. Outubro será o primeiro mês completo após a ativação do Helicon, atualização que melhora o processamento de transações e altera mecanismos de staking, incluindo a redução do prazo mínimo para 48 horas. Parte das mudanças econômicas, porém, será implementada gradualmente ao longo de 90 dias.A Injective completa a lista de Fontes como uma tese ligada a ações tokenizadas e redução da oferta do token. A rede foi desenvolvida para aplicações financeiras, como exchanges, derivativos e ativos tokenizados. A tese ganhou força após a Injective Institutional Services se tornar transfer agent registrada na SEC, podendo atuar oficialmente na manutenção de registros de propriedade e transferência de valores mobiliários. Outro ponto citado é o Stockdrop, mecanismo em que usuários queimam permanentemente tokens INJ para receber recompensas ligadas a ações tokenizadas.Bitcoin, Ethereum e SolanaMesmo com o destaque de altcoins ligadas a tokenização, DeFi e derivativos, Bitcoin, Ethereum e Solana seguem no centro das análises para outubro. O Bitcoin permanece como principal referência do mercado e, para Marcelo Person, chega ao mês com a retomada dos fluxos institucionais novamente no radar. O histórico do “Uptober”, somado à liquidez, ao fluxo dos ETFs e ao cenário macro, mantém o BTC entre os principais ativos para acompanhar.O MB destaca que outubro tem a maior mediana de retorno mensal do BTC desde 2011, próxima de 14%. A casa também aponta que, na semana encerrada em 25 de setembro, os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos receberam cerca de US$ 2,4 bilhões líquidos, a maior entrada semanal de 2026. Já André Franco avalia que o mapa técnico subiu de patamar: a máxima de setembro, em US$ 87,4 mil, virou o teto a ser rompido, enquanto US$ 81 mil passou a funcionar como suporte imediato. O principal risco, segundo ele, está na reunião do Fed em 28 de outubro.O Ethereum entra em outubro com um catalisador tecnológico importante. A atualização Glamsterdam, considerada por Franco a maior mudança no protocolo desde a migração para prova de participação, será ativada na rede de testes Sepolia em 6 de outubro. A mudança busca melhorar a forma como a rede organiza blocos e permitir a validação de transações em paralelo, criando base para processar mais operações sem perder segurança.Fontes também destaca a dinâmica de oferta do ETH. Mais de 43,2 milhões de unidades estão travadas em staking, máxima histórica, enquanto a quantidade mantida em corretoras caiu cerca de 73% desde 2020, para 6,06 milhões. Isso reduz a oferta prontamente disponível para venda em um momento em que a demanda pode ganhar força com ETFs, tesourarias corporativas e maior fluxo de investidores.A Solana, por sua vez, segue como uma das principais redes para acompanhar por causa de dois gatilhos: o Alpenglow e a tokenização. Segundo o MB, a atualização, prevista para chegar com o Agave 4.3 durante outubro, pretende reduzir o tempo de finalização de transações de cerca de 12,8 segundos para apenas 150 milissegundos. O segundo catalisador é o Project Harmonia, parceria com a Allfunds, que administra cerca de € 1,9 trilhão, para ampliar a distribuição institucional de fundos tokenizados pela Solana.Apesar disso, André Franco retirou SOL de sua lista de outubro porque o gatilho esperado para setembro não aconteceu e não ganhou uma nova data imediata. Para ele, o Alpenglow chegou à rede de testes, mas a próxima janela de ativações não inclui a atualização. A divergência mostra o ponto central da tese de Solana no mês: o ativo segue relevante por fundamentos e tokenização, mas parte da expectativa depende da confirmação do cronograma técnico.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post 7 criptomoedas que podem disparar em outubro, segundo analistas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.