David Max André trabalha com reciclagem desde 1994. Começou ainda criança, recolhendo latinhas e papelão para ajudar a mãe nas despesas de casa. Mais de três décadas depois, continua dependendo da venda desses materiais, mas afirma que uma mudança no preço recebido fez diferença em sua renda: antes, ganhava entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por mês com plástico e papelão, hoje, esse valor já ultrapassa R$ 3 mil.A diferença, segundo ele, está na possibilidade de vender os resíduos por um valor maior do que o oferecido pelos intermediários aos quais recorria. Hoje, David leva os materiais para a Estação Preço de Fábrica, projeto da Green Mining que compra recicláveis de catadores e moradores e vende diretamente para a a indústria recicladora – pagando um preço justo pelo que é coletado e entregue.No caso de David já foram mais de 20 toneladas de materiais vendidos e uma receita de R$ 13 mil pelas vendas à unidade. “O valor que pagam pelo material, o atravessador não paga para a gente”, diz.Para Débora dos Santos Silva, de 54 anos, a coleta começou com o vidro de casa e rendia cerca de R$ 20 por semana. Ela passou a separar também os materiais descartados em seu prédio, conversou com os vizinhos sobre o que pode ser reciclado e fez parcerias com bares. Uma das primeiras metas era conseguir R$ 100 para ajudar a irmã com as compras da feira.Hoje, ela conta que consegue cerca de R$ 450 por mês com a atividade – já encaminhou 16 toneladas para reciclagem e recebeu R$ 10 mil reais pelas vendas. Leia também: 1.GWM e Green Mining impulsionam reciclagem em Fernando de Noronha 2.Nova Norma da SBTi pode potencializar crédito de carbono da reciclagem Além da renda, Débora destaca as condições para realizar as entregas. “É bem atendido, é bem localizado, está num lugar seguro. Isso eu acho muito importante para mulher”, conta. Ela também passou a indicar a estação a outras pessoas e a procurar destino para materiais que antes tinha dificuldade de reciclar, como as embalagens longa vida. Com isso, a coleta e destinação correta de materiais recicláveis aumenta, gerando benefícios econômicos para quem vende o material e para o planeta. O preço também mudou a relação de Edmundo Buzzo Filho, de 73 anos, com o vidro. Aposentado, ele começou a recolher pequenas quantidades de recicláveis há cerca de cinco anos. Conta que, antes de conhecer o projeto, vendia vidro por R$ 0,05 o quilo – a Estação Preço de Fábrica paga entre R$0,27 e R$0,65, dependendo da cor. À medida que ampliou a atividade, retirou o banco de um Fusca para transportar os materiais, comprou uma carreta, passou por uma Kombi e hoje usa uma Fiorino.Seu próximo plano é comprar um caminhão pequeno. Edmundo já entregou mais de 66 toneladas de materiais à estação e recebeu mais de R$ 33 mil pelas vendas. “Cidade inteira deixa vidro na minha porta”, conta. O trabalho, diz, deu outro sentido à aposentadoria. “Ficar em casa assistindo televisão, jogando dominó, não é vida, né?”. Leia também: 1.Crédito de carbono chega às cidades pelas mãos de catadores 2.Reciclagem com catadores gera até 10 vezes mais empregos que aterros No Jabaquara, zona sul de São Paulo, Edna Rodrigues Lemos, de 58 anos, leva de bicicleta os recicláveis que reúne em casa e com a família. O trajeto até a estação tem cerca de 1,5 quilômetro, mas costuma demorar mais do que o previsto porque ela para pelo caminho para recolher garrafas PET. “Eu vou parando e vou pegando”, conta.Edna que sempre separou resíduos por preocupação ambiental e, há cerca de um ano e meio, passou a obter uma renda extra com a atividade. Ela também destaca a orientação recebida na unidade sobre como preparar os materiais. “Dá para juntar as duas coisas, o útil e o agradável”.Para David, Débora, Edmundo e Edna, a reciclagem ocupa lugares diferentes na rotina e no orçamento. Os relatos mostram que o preço pago pelos materiais e as condições para entregá-los influenciam a continuidade da coleta.Como funciona?As Estações Preço de Fábrica compram resíduos diretamente de catadores e moradores, sem atravessadores. Vidro, papel, papelão, embalagens longa vida, plásticos PET e PEAD estão entre os materiais recebidos nos locais. Cada tipo é pesado e remunerado, e as entregas são registradas para acompanhar o encaminhamento à reciclagem.Sempre que o saldo for maior que R$10 reais, a pessoa recebe um PIX automático na sexta-feira seguinte. Desde o início do projeto, as estações já pagaram R$ 6,9 milhões às pessoas que levaram materiais às unidades.Endereços e horários de atendimento:Estação Preço de Fábrica Paraisópolis (SP)Endereço: Rua Itamotinga, N.º 100 (sede do G10 Favelas)Estação Preço de Fábrica Jabaquara (SP)Endereço: Av. Eng; Armando de Arruda Pereira, N.º 2022 (estacionamento do Pão de Açúcar)Estação Preço de Fábrica Pinheiros (SP)Endereço: Rua Pedro Cristi, N.º 89 (área externa do Mercado de Pinheiros)Estação Preço de Fábrica Santo Amaro (SP)Endereço: Rua Jupi, 186 – Santo Amaro, São Paulo/SPEstação Preço de Fábrica Brooklin (SP)Endereço: Av. Santo Amaro, 3271 – (estacionamento do Pão de Açúcar)Estação Preço de Fábrica Zona LesteEndereço: Mercado Municipal Central Leste (Avenida Imperador, 1900) – Vila Jacuí, São PauloEstação Preço de Fábrica Embu das Artes (SP)Endereço: Av. Elias Yazbek, 907Estação Preço de Fábrica Camaçari/BAEndereço: Av. Camaçari – Centro (Horto Florestal Linaldo da Silva)Estação Preço de Fábrica Juiz de Fora/MGEndereço: Rua Jovino Antonio da Silva, N.º 250 – Distrito IndustrialEstação Preço de Fábrica Lajeado/TOEndereço: Av. José Pires de Castro (antigo Estádio de Futebol)Funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Aos sábados, das 8h às 12h.The post Renda de catadores com venda de recicláveis pode dobrar appeared first on CicloVivo.