A Harvest Minerals está reavaliando o futuro de seu negócio de fertilizantes no Brasil ao mesmo tempo em que amplia sua exposição a terras raras no país. A companhia reduziu de forma significativa a expectativa de vendas do projeto Arapuá para este ano e afirmou que as perspectivas para a divisão permanecem “muito incertas”.Em paralelo, a mineradora concluiu a aquisição da Scanty Mineração, dona de um portfólio de oito projetos de terras raras em argilas iônicas, distribuídos por 27 direitos minerários. Segundo a Harvest, a operação representa uma nova etapa de sua estratégia voltada a minerais críticos.A mudança de foco ocorre em meio a um cenário financeiro pressionado para a companhia. Em balanço divulgado nesta quarta-feira (30), a Harvest afirmou que 2026 continuou sendo um ano desafiador para a empresa e para Arapuá, atualmente seu principal projeto operacional. Leia Mais Brazilian Rare Earths anuncia nova descoberta de terras raras na Bahia Governo altera portaria para viabilizar importação de energia do Paraguai Plano Nacional de Energia 2055: renováveis podem superar 80% da matriz A companhia vendeu 12.210 toneladas de fertilizantes nos seis primeiros meses do ano. Diante das condições de mercado, reduziu “substancialmente” suas expectativas para o restante de 2026 e passou a projetar vendas anuais de 44 mil toneladas.Na avaliação da própria empresa, ainda não há clareza sobre qual será o papel do negócio de fertilizantes dentro do grupo nos próximos anos.“As perspectivas para o negócio de fertilizantes permanecem muito incertas”, afirmou a Harvest no documento.A empresa acrescentou que continua avaliando “criticamente” o futuro da divisão dentro do grupo.Aposta em terras rarasEnquanto tenta reorganizar o negócio de fertilizantes, a Harvest vem ampliando sua atuação em minerais críticos.Em setembro, a companhia concluiu a aquisição de 100% da Scanty Mineração, anteriormente controlada pela australiana Union Star Metals.A operação incluiu pagamento de A$ 200 mil em dinheiro, emissão de 40 milhões de novas ações da Harvest e até A$ 300 mil adicionais condicionados ao cumprimento de marcos de desenvolvimento.Com a compra, a companhia passou a controlar oito projetos considerados prospectivos para terras raras em depósitos de argilas iônicas, distribuídos por 27 direitos de exploração.Segundo a Harvest, a aquisição dá à empresa uma exposição mais ampla ao setor e complementa os trabalhos iniciados em 2025 para avaliar o próprio potencial de terras raras de Arapuá.A empresa afirma que pretende construir um negócio relevante de terras raras no Brasil a partir de um portfólio que reúna diferentes oportunidades regionais de exploração.Também em setembro, a Harvest assinou um acordo de cooperação técnico-científica com o SGB (Serviço Geológico do Brasil) para realizar pesquisas relacionadas à ocorrência de minerais considerados críticos ou estratégicos para o país.A Harvest é uma empresa constituída na Austrália e tem ações negociadas no AIM, mercado da Bolsa de Londres voltado a companhias de menor porte. Atualmente, as receitas operacionais do grupo são geradas no Brasil, onde também estão todos os seus ativos não circulantes.