De R$ 60 mil a 1.100 pontos de venda: como a Arsie reestruturou sua operação para escalar a produção de beachwear

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StartupiDe R$ 60 mil a 1.100 pontos de venda: como a Arsie reestruturou sua operação para escalar a produção de beachwearA fabricante de moda praia Arsie alcançou a marca de mais de 1.100 pontos de venda ao completar 17 anos de atuação. Fundada pela empreendedora Karine Strapazzon a partir de um investimento inicial de R$ 60 mil, a empresa possui fábrica própria em Guaporé (RS) e capacidade produtiva de 800 mil peças por ano, estendendo a distribuição de seus produtos para o Paraguai, Bolívia e região do Caribe.Segundo dados divulgados pela empresa, a operação teve início focado no desenvolvimento de modelagens inclusivas de beachwear, cobrindo graduações do tamanho P ao 52. Conforme o comunicado da marca, a leitura das demandas dos consumidores orientou o desenho das coleções e a expansão da infraestrutura Fabril na Região Sul do país.Como parte da estratégia para mitigar os impactos da sazonalidade no setor têxtil, a Arsie encerrou a produção de lingeries em 2024 para concentrar todos os aportes no segmento de moda praia. A reestruturação incluiu um processo de rebranding e a ampliação do portfólio, com a inclusão de linhas masculina, juvenil e itens voltados à natação.“A gente costuma achar que empreender é ter uma grande ideia, mas, na prática, é aprender a observar pessoas. Muitas das nossas melhores decisões nasceram da escuta das mulheres e não de tendências de mercado”, afirma Karine.A executiva também pontua os ajustes na gestão interna e na delegação de processos ao longo do amadurecimento do negócio. “Deixei de acreditar que liderança é estar em todos os lugares o tempo inteiro. Passei a construir uma equipe forte, delegar mais e entender que crescer também significa confiar nas pessoas. Hoje eu sou uma empresária mais estratégica. Aprendi que produtividade não é trabalhar mais horas, mas tomar decisões melhores”, avalia a fundadora.A marca informa que mantém colaboradoras fabris com mais de uma década de casa. “Temos colaboradoras que estão na fábrica há mais de 10 anos, que entraram jovens, formaram suas famílias, cresceram profissionalmente e seguem fazendo parte da Arsie. Esse é, talvez, o nosso maior patrimônio. Empreender nunca foi sobre criar o negócio perfeito, mas sobre construir algo que faça sentido para as pessoas”, acrescenta Strapazzon.De acordo com a organização, a meta para o próximo período inclui uma elevação de 15% no faturamento anual, a cobertura comercial nos 27 estados brasileiros e o fortalecimento das exportações para a América Latina.A GZM e o Startupi conversaram com a fundadora da marca, que revelou masi detalhes de sua jornada. Confira:GZM/Startupi: Você mencionou que muitas das melhores decisões da Arsie nasceram da escuta das mulheres, e não de tendências de mercado. Como esse processo de escuta ativa funciona na prática dentro da empresa?Karine Strapazzon: Na Arsie, a escuta faz parte do desenvolvimento das peças. Nossos representantes comerciais têm um papel fundamental nesse processo: estão próximos dos lojistas e trazem percepções das consumidoras sobre modelagens, tecidos, sustentação e como os produtos se comportam em diferentes corpos.Dentro da empresa, essa troca também acontece nas provas das peças-piloto. Além da avaliação técnica da equipe, ouvimos as modelos de prova sobre conforto, vestibilidade e liberdade de movimento. Algumas peças-chave passam ainda por testes de uso com mulheres da nossa própria estrutura fabril, para avaliarmos seu desempenho em situações reais.Esse conjunto de experiências orienta os ajustes e nos ajuda a criar soluções que respondam às necessidades de quem vai vestir a peça.GZM/Startupi: A Arsie começou com um investimento inicial de R$ 60 mil e hoje possui capacidade produtiva de 800 mil peças por ano. Quais foram os principais desafios de infraestrutura e gestão nessa trajetória de crescimento?Karine Strapazzon: Foi uma construção gradual ao longo de 17 anos, sustentada por trabalho, aprendizado e investimento em pessoas. Um dos principais desafios foi acompanhar as transformações do mercado e do comportamento de consumo, como o avanço das vendas on-line e os impactos da pandemia, adaptando a operação a cada novo cenário.Na infraestrutura, aprendemos que tecnologia e capacitação precisam caminhar juntas. A aquisição de uma máquina de corte, por exemplo, exige também preparar os profissionais para aproveitar os recursos do equipamento e transformar esse investimento em eficiência e qualidade.Na gestão, crescer também significou reconhecer quando precisávamos de novos conhecimentos. Buscamos profissionais com competências complementares e aprendemos com sua experiência. Ampliar a capacidade produtiva envolve equipamentos e estrutura, mas depende, sobretudo, de uma equipe preparada para sustentar esse crescimento.GZM/Startupi: Em 2024, a empresa encerrou a produção de lingeries para focar totalmente no segmento de moda praia. Como foi tomada essa decisão e quais foram os principais impactos — positivos e negativos — dessa reestruturação?Karine Strapazzon: A decisão veio do entendimento de que a moda praia era o segmento mais alinhado à identidade da Arsie e ao futuro que queríamos construir. Concentrar nossos esforços nessa especialidade nos permitiu investir em maquinário específico, aprofundar a capacitação da equipe e dedicar mais tempo e atenção ao desenvolvimento das coleções.O principal desafio foi reorganizar a operação em torno de um segmento com sazonalidade mais acentuada. Precisamos rever os cronogramas de produção, vendas e entregas, buscando antecipar pedidos e reduzir a concentração da demanda no verão.Nesse processo, também percebemos a disposição dos nossos clientes para planejar suas compras com antecedência. Isso abriu espaço para um atendimento mais próximo e um calendário comercial mais bem estruturado. O resultado tem sido positivo: ganhamos especialização e mais clareza sobre onde concentrar nossos investimentos.GZM/Startupi: A marca se destaca por modelagens inclusivas, do tamanho P ao 52. Como você enxerga a evolução da demanda por inclusividade no mercado de beachwear brasileiro e latino-americano?Karine Strapazzon: Na nossa percepção, as mulheres buscam cada vez mais opções que respeitem seus corpos e suas necessidades. A diversidade das brasileiras e latino-americanas envolve tamanhos, proporções e diferentes expectativas em relação ao vestir.Por isso, atender do P ao 52 é parte do nosso compromisso, mas o trabalho também está na variedade de modelagens. Há mulheres que procuram maior sustentação no busto, outras preferem mais cobertura na região abdominal, valorização da cintura ou liberdade de movimento para praticar atividades na água.A inclusividade precisa se traduzir em escolhas reais, com conforto, qualidade e cuidado estético em toda a grade. Queremos que cada mulher encontre uma peça em que se sinta bem e tenha liberdade para aproveitar a praia. Para nós, essa é a demanda que deve orientar o desenvolvimento do produto.GZM/Startupi: Você afirmou que deixou de acreditar que liderança é estar em todos os lugares o tempo inteiro. Que mudanças concretas você implementou na gestão e na delegação de processos, e como isso transformou seu papel como empresária?Karine Strapazzon: A maternidade e a gestão da empresa me fizeram compreender que minha presença precisa ter qualidade e propósito. Para isso, foi fundamental aprender a compartilhar responsabilidades e confiar no conhecimento dos profissionais que estão ao meu lado.Na prática, passei a dar mais espaço para que cada integrante da equipe conduza os processos da sua área e contribua com decisões dentro da sua especialidade. Temos pessoas competentes, e reconhecer essa capacidade fortalece tanto a autonomia quanto o comprometimento com o trabalho.Essa mudança me permitiu ampliar o olhar sobre a operação e dedicar mais atenção aos rumos da empresa. Também transformou minha forma de aprender: ouvir a equipe e valorizar suas contribuições me torna uma líder mais preparada. Hoje, entendo que parte essencial do meu papel é criar condições para que essas pessoas façam um bom trabalho e cresçam conosco.GZM/Startupi: A Arsie mantém colaboradoras fabris com mais de uma década de casa, o que você chama de maior patrimônio da empresa. Que políticas ou práticas de gestão de pessoas contribuíram para essa retenção tão longa?Karine Strapazzon: Acreditamos que vínculos duradouros são construídos no cotidiano, com valorização, oportunidades de desenvolvimento e um ambiente em que as pessoas se sintam parte da empresa.Mantemos ações internas mensais que promovem integração e momentos de convivência entre os colaboradores. Esses encontros ajudam a fortalecer as relações e refletem algo em que acreditamos: um ambiente pode ser produtivo e, ao mesmo tempo, acolhedor.Também investimos na capacitação de líderes e equipes e realizamos premiações anuais de assiduidade e destaque profissional. Queremos reconhecer as contribuições de cada pessoa e oferecer condições para que ela continue se desenvolvendo.Ter colaboradoras com mais de uma década de casa tem um valor enorme. Elas carregam conhecimento, experiência e parte da história da Arsie. Preservar essa relação é cuidar de um patrimônio que participa diretamente da qualidade do que entregamos.GZM/Startupi: A meta para o próximo período inclui aumentar o faturamento em 15%, cobrir os 27 estados brasileiros e fortalecer exportações para a América Latina. Quais são as principais estratégias para superar a sazonalidade do setor têxtil e alcançar esses objetivos?Karine Strapazzon: Entendemos que crescer exige acompanhar as mudanças no comportamento de consumo e ampliar as possibilidades de uso dos nossos produtos. Diante da instabilidade climática que vivenciamos, estamos adaptando o beachwear Arsie para que ele faça parte do guarda-roupa da mulher moderna em diferentes estações, com peças versáteis que transitam entre a praia e outras ocasiões do dia a dia.Um passo importante nessa direção é o lançamento da Arsie Beach Casual, nossa primeira coleção casual. Ela amplia o universo da marca, levando o cuidado, a qualidade e a leveza que nos identificam a novas formas de vestir. Essa evolução também cria oportunidades para os lojistas trabalharem com a Arsie ao longo do ano, contribuindo para reduzir a dependência das vendas concentradas no verão.É com essa combinação de inovação no produto, versatilidade e proximidade com nossos parceiros que buscamos sustentar a meta de crescimento de 15%, ampliar nossa presença no Brasil e fortalecer as exportações para a América Latina. Nosso planejamento parte da compreensão de que, para alcançar novos resultados, precisamos evoluir junto com o mercado e com as mulheres que vestem Arsie.Karine Strapazzon, fundadora da Arsie: “A maternidade e a gestão da empresa me fizeram compreender que minha presença precisa ter qualidade e propósito“.O post De R$ 60 mil a 1.100 pontos de venda: como a Arsie reestruturou sua operação para escalar a produção de beachwear aparece primeiro em Startupi e foi escrito por StartupiO post De R$ 60 mil a 1.100 pontos de venda: como a Arsie reestruturou sua operação para escalar a produção de beachwear apareceu primeiro em Startupi.