Um barco com a promessa de ser inédito no planeta foi apresentado, nesta segunda-feira (28), em São Paulo, no ‘São Paulo Boat Show 2026’. A embarcação chamada JAQ H2 será capaz de produzir o hidrogênio a bordo para o próprio abastecimento, segundo os responsáveis pelo projeto.Com um motor híbrido, o barco de 50 metros será movido tanto a diesel ‘verde’, uma espécie de óleo vegetal hidrotratado de menor poluição, quanto a hidrogênio. A expectativa é que o JAQ H2 fique pronto para navegar em 2027 e seja 100% livre de carbono durante a operação.A ideia inovadora globalmente é o sistema a bordo capaz de captar a água do mar, usar a dessalinização e produzir, por meio da eletrólise, processo químico para separação das moléculas, o hidrogênio que será utilizado para abastecer o barco.O hidrogênio é extraído da água (H₂O), já que ela une dois átomos do elemento e um de oxigênio. Leia Mais Gasolina sintética é fabricada no Chile pela Porsche; veja como funciona Porto do Açu prevê terminal para combustíveis sustentáveis até 2030 Porto do Açu avança em projeto-piloto de eólica offshore com a Petrobras CNN Mais Verde: Brasil é potência para produção de hidrogênio verde | CNN NOVO DIA“Nós vamos ter um eletrolisador. Uma planta dentro dele [barco] para produzir o nosso próprio hidrogênio, para poder fabricar, abastecer e navegar. Se a gente conseguir ter sucesso nisso, fica comprovado para o planeta que qualquer porto poderá ter o próprio eletrolisador”, diz Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e idealizador da embarcação, em entrevista à CNN Brasil.• Divulgação/Grupo NaúticaA iniciativa é liderada pelo Grupo Náutica, em parceria com a empresa chinesa GWM Hydrogen, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e o Itaipu Parquetec.O primeiro barco não tinha o motor movido a hidrogênio: apenas a parte da hotelaria da embarcação usava o combustível verde. Depois de iniciado o projeto o motor foi trocado. Batizado como JAQ H1, o barco tem 36 metros e é utilizado, segundo os idealizadores, para transporte marítimo, pesquisas, ciência e educação.Vamos mostrar que é viável. Ernani Paciornik, fundador do Grupo Náutica e idealizador da embarcação• Divulgação/Grupo Naútica“Eu acho que uma das grandes diferenças será a aceitação porque no primeiro projeto a gente fez uma coisa, era uma loucura, levar um barco ‘movido a água’ e dizer que aquilo iria funcionar”, relembra Paciornik.Assim como o primeiro barco, o JAQ H2 será destinado à pesquisa oceanográfica e utilizará a infraestrutura preparada para operação de veículos submarinos controlados remotamente, uma espécie de drone marinho, para coleta de materiais durante a pesquisa.