O Olhar Digital leva ao ar nesta semana uma série analisando as propostas de candidatos à Presidência da República na Ciência e na Tecnologia. Neste episódio, o foco está nas medidas previstas para a transição energética e o enfrentamento das mudanças climáticas. A transição energética consiste em mudar a forma como o mundo produz e consome energia. Durante mais de um século, a humanidade dependeu fortemente da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural, para movimentar indústrias, veículos e gerar eletricidade. No entanto, substituir gradualmente essas fontes poluidoras por opções limpas e renováveis – como a energia solar, eólica, biomassa e o hidrogênio verde – tornou-se uma urgência global. O Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário, pois já possui uma das matrizes elétricas mais limpas do planeta e tem um enorme potencial natural para liderar a produção global de energias do futuro.Os candidatos à presidência apresentam diferentes propostas para o setor energético e o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas no Brasil. – Crédito: Imagem gerada por IAAinda na agenda ambiental, as mudanças climáticas impõem desafios práticos à infraestrutura e à economia do país. O aumento da temperatura média da Terra, causado pelo acúmulo de gases do efeito estufa na atmosfera, manifesta-se em eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas históricas, ondas de calor severas e enchentes devastadoras em centros urbanos e áreas rurais. A forma de responder a esses impactos, no entanto, varia entre os presidenciáveis. Os planos de governo protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dividem-se entre abordagens focadas em metas de neutralidade de carbono, mecanismos de mercado e regulação, ou medidas de Defesa Civil e segurança para o agronegócio e os centros urbanos.Os caminhos que os postulantes ao Planalto pretendem seguir nessas áreas são decisivos não apenas para a preservação ambiental, mas também para o futuro da economia, a segurança energética e a qualidade de vida dos brasileiros. Clima e energia: propostas de seis presidenciáveis nas Eleições 2026Conheça a seguir as diretrizes e propostas que constam nos projetos entregues à Justiça Eleitoral em relação a esses dois temas por seis candidatos à Presidência da República nas Eleições de 2026.As propostas de Lula aparecem primeiro por ele ser o atual presidente da República. Em seguida, vem Flávio Bolsonaro, candidato que tem aparecido tecnicamente empatado com Lula em pesquisas recentes de intenção de voto. Os demais quatro candidatos foram listados em ordem alfabética.Resumo das propostas dos seis candidatos em relação ao setor energético. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos seis candidatosLuiz Inácio Lula da Silva (PT)Lula, candidato à presidência do Brasil pelo PT – Foto oficial da candidatura registrada no TSENo plano de governo do atual presidente, a agenda climática e a transição energética aparecem como eixos centrais do desenvolvimento econômico nacional. A candidatura reafirma o compromisso com as metas internacionais de combate às mudanças climáticas e estabelece o objetivo de reduzir entre 59% e 67% as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, em relação aos níveis de 2005, por meio de políticas de transição ecológica.Na área de energia, a proposta prevê a expansão da infraestrutura elétrica, com investimentos em geração e transmissão, incluindo projetos de fontes solar e eólica e a modernização do setor hidrelétrico. O plano também aposta no fortalecimento dos biocombustíveis, por meio da consolidação do RenovaBio e da implementação de medidas previstas na Lei do Combustível do Futuro. Paralelamente, defende a continuidade da exploração de petróleo, incluindo a produção no Pré-Sal, sob a coordenação da Petrobras, como parte da estratégia de segurança energética e de desenvolvimento econômico do país.No aspecto social, a candidatura propõe ampliar o acesso à energia elétrica e manter políticas de apoio às famílias de baixa renda, incluindo a gratuidade da conta de luz para consumidores que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa Luz do Povo. A iniciativa busca reduzir o peso dos gastos com eletricidade no orçamento doméstico e ampliar o acesso ao serviço.Em relação ao meio ambiente e ao combate ao aquecimento global, o plano prevê o fortalecimento das políticas de prevenção e controle do desmatamento, a recuperação de áreas degradadas e o incentivo à bioeconomia. Também destaca a importância de ampliar a fiscalização ambiental, com a atuação de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além do uso de tecnologias de monitoramento.A proposta inclui ainda ações de adaptação às mudanças climáticas, com medidas voltadas à proteção de comunidades vulneráveis e à redução dos impactos de secas, enchentes e outros eventos extremos. O plano também prevê o incentivo à recuperação de solos, à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, buscando integrar a proteção ambiental à geração de emprego e renda.Flávio Bolsonaro (PL)Flávio Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil pelo PL – Foto oficial da candidatura registrada no TSEA proposta de Flávio Bolsonaro busca integrar a transição energética e a preservação ambiental à segurança nacional, ao desenvolvimento tecnológico e à competitividade do agronegócio, com ênfase na exploração de recursos estratégicos, na participação do setor privado e na segurança jurídica.No setor elétrico e de combustíveis, a candidatura propõe o Programa Nacional de Segurança Energética. O projeto associa a transição energética à exploração de minerais críticos, como lítio e terras raras, considerados importantes para o desenvolvimento de uma cadeia nacional de tecnologias, incluindo baterias e outros componentes industriais. O plano também prevê a ampliação da infraestrutura de energia e a modernização dos sistemas de transmissão.Outra proposta é transformar o Brasil em um polo internacional de data centers sustentáveis, aproveitando a disponibilidade de eletricidade proveniente de fontes renováveis. Para isso, o documento destaca a importância de sistemas de armazenamento de energia em baterias de grande porte, que podem contribuir para a estabilidade do fornecimento elétrico e atender à demanda dessas instalações. Para reduzir os custos ao consumidor, o candidato defende a diminuição de impostos e encargos sobre a conta de luz e os combustíveis.O plano também prevê o fortalecimento da indústria de biogás, a expansão dos biocombustíveis e o estímulo à participação brasileira no mercado internacional de créditos de carbono. A proposta busca ampliar as oportunidades econômicas relacionadas à transição energética e à exploração de recursos naturais estratégicos.Na pauta ambiental e climática, o documento defende que a preservação deve caminhar em conjunto com o crescimento produtivo. A regularização fundiária e a aplicação do Código Florestal aparecem como instrumentos para ampliar a segurança jurídica no campo e combater irregularidades ambientais. O plano também prevê o fortalecimento das ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos, com atenção à infraestrutura de proteção e à atuação da Defesa Civil.Resumo das propostas dos seis candidatos em relação ao clima. – Crédito: Imagem gerada por IA com base nos planos de governo apresentados pelos seis candidatosAugusto Cury (AVANTE)Augusto Cury, candidato à presidência do Brasil pelo Avante. – Foto oficial da candidatura registrada no TSEA candidatura de Augusto Cury aborda as questões ambientais e energéticas a partir da relação entre inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e sustentabilidade, com propostas voltadas à ampliação das fontes renováveis e ao aproveitamento dos recursos naturais brasileiros.Na área energética, o plano apresenta o PENER-BR, voltado à expansão das energias renováveis no país. Entre as diretrizes estão o desenvolvimento da energia solar, eólica e oceânica, além do incentivo à produção de hidrogênio verde. A proposta também prevê a criação de um corredor nacional de hidrogênio verde, com o objetivo de ampliar a infraestrutura necessária para a produção e o transporte desse combustível.O documento ainda destaca a importância da inovação tecnológica para o setor, com a previsão de um banco de dados energético nacional baseado em inteligência artificial. A iniciativa busca reunir informações que possam contribuir para o planejamento e a gestão dos recursos energéticos, além de estimular o desenvolvimento de novas soluções para a geração de energia limpa.Para regiões que enfrentam dificuldades relacionadas à escassez de água, como o Semiárido brasileiro, o plano apresenta medidas que envolvem o armazenamento de água da chuva, a construção de cisternas, a dessalinização e o reaproveitamento hídrico. Também prevê o uso de tecnologias de irrigação de precisão, com o objetivo de melhorar o aproveitamento da água na produção agrícola.A proposta ambiental inclui ainda ações relacionadas à recuperação e ao uso sustentável dos recursos naturais, buscando conciliar a preservação ambiental com o desenvolvimento regional. O incentivo à inovação e à adoção de tecnologias limpas aparece como um dos caminhos para reduzir os impactos ambientais e ampliar a capacidade produtiva do país.Renan Santos (MISSÃO)Renan Santos, candidato à presidência do Brasil pelo MISSÃO. – Foto oficial da candidatura registrada no TSEA candidatura de Renan Santos estrutura suas propostas ambientais e de transição energética em torno da segurança nacional, da exploração de recursos estratégicos, da modernização tecnológica e do desenvolvimento industrial.Na transição energética, o plano propõe ampliar a importância estratégica dos minerais críticos e das terras raras, considerados fundamentais para a fabricação de equipamentos e componentes utilizados em tecnologias avançadas. Entre as medidas previstas está a adoção de instrumentos legais para classificar a exploração e o processamento desses recursos como atividades de interesse da segurança nacional, além da simplificação dos procedimentos de licenciamento ambiental para projetos considerados estratégicos.O documento também propõe a criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) em regiões industriais e portuárias, com o objetivo de atrair investimentos, ampliar a capacidade de processamento de minerais e estimular a fabricação nacional de componentes tecnológicos. Entre as localidades mencionadas está o complexo portuário do Pecém, no Ceará. A iniciativa busca fortalecer a indústria brasileira e ampliar a participação do país nas cadeias globais de tecnologia e energia.Na área ambiental, o plano destaca o uso de instrumentos legais e tecnológicos para combater atividades ilegais e ampliar a fiscalização. A proposta prevê medidas para reforçar o controle sobre a exploração de recursos naturais e melhorar o acompanhamento das atividades realizadas em áreas de interesse ambiental.O documento também aborda a necessidade de aprimorar a gestão dos territórios e dos recursos naturais, com o uso de ferramentas tecnológicas e medidas de fiscalização. A modernização dos procedimentos administrativos e a definição de regras para atividades consideradas estratégicas são apresentadas como caminhos para conciliar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental.Romeu Zema (NOVO)Romeu Zema, candidato à presidência do Brasil pelo NOVO. – Foto oficial da candidatura registrada no TSEA proposta de Romeu Zema para energia e meio ambiente é fundamentada na livre iniciativa, na ampliação da concorrência, na atração de investimentos privados e na busca por maior eficiência operacional, com menor dependência de subsídios estatais.No setor de combustíveis e eletricidade, o candidato defende a realização de leilões regulares para a exploração de petróleo e gás natural, além da flexibilização de exigências de conteúdo local, com o objetivo de ampliar a participação de empresas nacionais e internacionais e atrair investimentos. No setor elétrico, o plano propõe mudanças nas regras do mercado para atribuir aos geradores os custos relacionados a eventuais excedentes de energia, evitando que essas despesas sejam repassadas aos consumidores.A expansão das energias renováveis e dos biocombustíveis também aparece entre as diretrizes da candidatura, com foco na concorrência e na melhoria do ambiente de negócios. O plano destaca ainda o potencial do hidrogênio verde e de outras tecnologias de baixa emissão para diversificar a matriz energética brasileira e ampliar as oportunidades de investimento.Na pauta climática e ambiental, a candidatura propõe modernizar o licenciamento ambiental, com a adoção de critérios técnicos e procedimentos mais previsíveis para a análise de projetos. O documento também apresenta o uso de tecnologias, incluindo inteligência artificial, como uma possibilidade para aprimorar os processos de avaliação e acompanhamento de empreendimentos.O combate às mudanças climáticas é associado ao estímulo ao mercado privado de carbono e à participação de empresas em projetos de redução e remoção de emissões. O plano também prevê ampliar a participação da iniciativa privada na gestão de parques e áreas públicas, além de incentivar investimentos em infraestrutura e saneamento.Para enfrentar enchentes urbanas e outros problemas relacionados à infraestrutura, a proposta destaca o uso de Parcerias Público-Privadas (PPPs) em projetos de drenagem, saneamento e obras de prevenção. O documento também prevê medidas para melhorar a gestão dos recursos hídricos e a capacidade de resposta a eventos extremos, com o objetivo de reduzir os prejuízos econômicos e sociais provocados por desastres naturais.Ronaldo Caiado (PSD)Ronaldo Caiado, candidato à presidência do Brasil pelo PSD. – Foto oficial da candidatura registrada no TSEO plano de Ronaldo Caiado estrutura suas propostas em torno da eficiência do mercado, da segurança hídrica e do papel estratégico do setor agropecuário na geração de energia limpa e na adoção de práticas sustentáveis.Na área energética, o candidato defende a ampliação do mercado livre de eletricidade, permitindo que mais consumidores escolham seus fornecedores de energia. O plano também prevê a revisão dos subsídios e dos encargos que compõem as tarifas, com a proposta de transferir determinados custos de políticas públicas para o orçamento da União, em vez de mantê-los diretamente na conta de luz.O documento ainda destaca a necessidade de fortalecer e modernizar as redes de distribuição, incluindo o uso de tecnologias de armazenamento em baterias para ampliar a estabilidade do sistema elétrico. Entre as alternativas para diversificar a matriz energética, aparecem o hidrogênio de baixa emissão, o biometano, os biocombustíveis e o gás natural como combustível de transição. O plano também prevê o mapeamento de minerais estratégicos e o estímulo à atração de investimentos para o setor.No campo ambiental, a proposta destaca a adoção de práticas agrícolas sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que combina diferentes atividades produtivas em uma mesma área e pode contribuir para a recuperação dos solos, o uso mais eficiente da terra e a retenção de carbono. O agronegócio é apresentado como um dos setores capazes de participar da transição para uma economia de menor emissão de gases de efeito estufa.Para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, o plano dá atenção especial à segurança hídrica, com propostas de recuperação e conservação de bacias hidrográficas, proteção de nascentes, preservação de matas ciliares e ampliação da capacidade de armazenamento de água. As medidas buscam reduzir os efeitos de períodos prolongados de estiagem e melhorar a disponibilidade hídrica para o abastecimento e a produção agropecuária.A candidatura também prevê o aprimoramento dos mecanismos de prevenção e resposta a desastres naturais, com o fortalecimento da Defesa Civil e a ampliação do apoio aos municípios atingidos por secas, enchentes e outros eventos extremos. A proposta inclui medidas para melhorar a capacidade de atendimento às populações afetadas e ampliar a resiliência da infraestrutura diante dos impactos climáticos.O post Eleições 2026: confira os planos de candidatos à Presidência sobre clima e energia apareceu primeiro em Olhar Digital.