A crise envolvendo a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, ganhou espaço central na reta final da campanha eleitoral. De acordo com a analista de política Clarissa Oliveira, o entorno de Flávio Bolsonaro (PL) reconhece a dificuldade de conter a repercussão negativa gerada pela situação.“Foi uma crise disparada por uma notícia que é sabidamente falsa, de que haveria um projeto patrocinado pelo próprio Flávio Bolsonaro para tirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida”, contextualizou Clarissa, durante o Live CNN desta terça-feira (29).A analista destacou que Flávio optou, diante da crise, por incorporar um tom emocional crescente em sua campanha, buscando sensibilizar o eleitor de que ele seria “vítima de uma ofensiva mentirosa“, com o objetivo de tirá-lo de uma posição competitiva na corrida eleitoral. Leia Mais "Fake news, né, presidente?": Lula é contestado sobre Nossa Senhora Pastores saem em defesa de Flávio e acusam Lula de criar "guerra religiosa" "Influencers" católicos entram em campo nas redes por Flávio Bolsonaro A maior aposta nessa direção, segundo a analista, ocorreu na noite de segunda (28), quando o senador participou de um podcast católico e traçou um paralelo entre o que estaria vivendo e a facada sofrida pelo pai, Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2018, em Juiz de Fora (MG).“Aquela facada, à qual é atribuída grande parte da comoção que se criou em torno da figura de Jair Bolsonaro naquela eleição. Flávio tenta fazer um paralelo, tenta se dizer ‘esfaqueado’ por essa notícia falsa e toda a repercussão e movimento que se criou em torno disso”, explicou Clarissa.A analista ressaltou, no entanto, que as investigações nunca comprovaram uma orquestração política por trás do atentado sofrido por Jair Bolsonaro, tendo sido demonstrado que se tratou da ação de uma pessoa isolada.“Esse movimento de trazer a facada para o jogo é algo bastante forte por parte do senador, o pai dele sofreu uma tentativa de assassinato”, afirmou a analista.O argumento da campanha petistaApesar de a notícia sobre o projeto patrocinado por Flávio ser falsa, Clarissa destacou que ela se inseriu em um contexto de conflito religioso já existente, marcado por manifestações de pessoas próximas ao senador.“Isso acaba sendo usado, capitalizado politicamente pela campanha do presidente Lula com força máxima nesta reta final deste primeiro turno”, afirmou Clarissa.De acordo com apuração da analista, a campanha petista sustenta que, mesmo que a notícia específica sobre o projeto seja falsa, isso não invalida a existência de um confronto religioso real que teria sido patrocinado ao longo dos últimos meses.“A gente viu de fato esse confronto acontecer, uma mobilização de forças ligadas à igreja evangélica com objetivo de atacar o presidente Lula, isso aconteceu ao longo de toda a campanha. Um movimento muito intenso de tentar atribuir à família Bolsonaro essa aura de ‘escolhidos por Deus’ para tirar o PT do poder”, destacou Clarissa.O Supremo Tribunal Federal no centro da disputaClarissa também abordou a presença do Supremo Tribunal Federal no cenário eleitoral. Segundo ela, decisões recentes de ministros como Flávio Dino, Luiz Fux e Gilmar Mendes, relacionadas direta ou indiretamente à polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, evidenciam que a corte está “completamente contaminada pela eleição”.A analista afirmou que o jogo político passou a se manifestar de forma escancarada nas decisões e nos embates públicos entre os ministros. “Saiu totalmente dos corredores, dos bastidores do Supremo para se tornar a atuação principal da corte”, afirmou Clarissa.Para ela, a maioria das grandes decisões do STF que repercutiram nas últimas semanas tem relação direta com o processo eleitoral em curso, mesmo quando apresentadas sob outros pretextos técnicos ou jurídicos. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.