Enquanto a Shein recuou nos Estados Unidos e na Europa, em 6% e 14%, respectivamente, o crescimento da companhia foi forte na América Latina. De acordo com o balanço de resultados do segundo trimestre, as vendas do Resto do Mundo (excluindo Europa e EUA) foram de 22% na comparação anual no segundo trimestre de 2026, puxadas pelo resultado da América Latina.Ainda que não divulgue especificamente os números do Brasil, a Shein informou que nenhum país fora dos EUA superou os 10% de vendas no primeiro semestre do ano. Com esse número, é possível deduzir que o país não ultrapassou os cerca de US$ 2 bilhões no semestre.Leia tambémAxia (AXIA3): JPMorgan vê 31% de retorno mesmo após corte no preço-alvoBanco estima que a Axia possa oferecer dividend yield de cerca de 9% entre 2027 e 2030 em seu cenário-baseTupy (TUPY3): BBA projeta virada operacional e eleva recomendação para compraAnalistas projetam uma virada operacional no segundo semestre de 2026, impulsionada pela recuperação da demanda e por iniciativas de eficiênciaPara a XP Investimentos, a leitura para as empresas locais é mista. Por um lado, a Shein continua absorvendo os maiores custos de frete, ao contrário de elevar os preços. Por outro, entretanto, a companhia já declarou que pretende migrar para marcas com preços mais altos, o que pode reduzir a diferença de preços das companhias brasileiras em relação à Shein.De acordo com os analistas, ainda que a companhia seja uma concorrente importante, os players locais estão bem posicionados em termos de produto e preço.Com base nos lucros e perdas (P&L na sigla em inglês) da Shein, a XP destacou que uma comparação linha a linha com as companhias brasileiras não é correta. Segundo a casa, a empresa tem um modelo altamente exposto ao custo do frete, com forte sensibilidade a choques logísticos.As varejistas brasileiras, por sua vez, opera de maneira quase oposta. Com redes de lojas de custo fixo, os players brasileiros têm maior alavancagem operacional e menor sensibilidade à logística – mas, também, menos flexibilidade em relação à Shein.Dados do trimestreEm um ano, as despesas de fullfilment subiram 50,4% das vendas, um crescimento de 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Esse aumento foi um reflexo dos maiores custos de petróleo e frete, principalmente.A Shein optou por absorver esses custos ao invés de repassá-los. De acordo com os analistas da XP, esse movimento mantém a pressão de preços sobre os pares locais, no curto prazo. Ao longo do tempo, porém, as margens estreitas podem acabar limitando o tempo em que a estratégia poderá ser mantida.A companhia já declarou que pretende priorizar segmentos de maior valor nos próximos anos, com marcas de preços mais elevados. A aquisição da Everlane, por exemplo, corrobora com a decisão.Os dados do trimestre também mostram que a Shein continua expandindo seu mercado endereçável ao investir em categorias adjacentes, como casa, infantil, roupas esportivas e acessórios de moda.Para o segundo semestre, a companhia espera que a volatilidade tarifária e logística persista impactando os números. Mas as expectativas para o 4º tri são positivas, com a administração esperando um aumento relevante nos pedidos, apoiado pelas principais datas promocionais.The post XP: crescimento da Shein na América Latina ameaça players locais? appeared first on InfoMoney.