Acredito que este regresso pode e deve ser mais estruturado. Não é preciso inventar grandes iniciativas. Há pequenos gestos que podem mudar a forma como uma equipa entra nos meses que faltam. Imaginemos uma situação: um responsável reúne a equipa, traz uma lista de dez prioridades, mas, em vez de começar a distribuí-las, faz uma pergunta. «Se só pudéssemos concretizar duas até ao final do ano, quais teriam maior impacto?» Não é uma pergunta simples… A equipa discute as prioridades, faz escolhas e decide adiar algumas tarefas. A lista fica mais curta e todos percebem melhor onde devem concentrar o seu tempo.Antes de terminar a reunião, o responsável faz outra pergunta: «O que depende de mim e vos está a atrasar?» Silêncio. Até que alguém fala nas aprovações que ficam vários dias à espera. Outra pessoa refere decisões que vão sendo adiadas e acabam por bloquear o trabalho de todos. O responsável ouve, assume a sua parte e compromete-se com prazos concretos de resposta. A equipa escolhe então um primeiro objetivo: até sexta-feira, resolver o problema que está a bloquear uma entrega importante a um cliente. Distribuem responsabilidades e avançam.Na segunda-feira seguinte, o problema está resolvido. Ainda há muito por fazer, claro. Mas já existe um resultado concreto sobre o qual construir confiança. E isso importa. O «vamos conseguir» começa a ter provas, deixa de ser apenas uma frase.É assim que vejo a recuperação da performance depois das férias: fazer escolhas, criar espaço para agir e conseguir resultados que devolvam confiança à equipa e uma sensação real de progresso. A liderança ganha força quando a equipa começa a sentir, no trabalho, os efeitos das decisões tomadas.Claro que também é preciso olhar para os objetivos com honestidade. Se os recursos ou as condições mudaram, o plano precisa de acompanhar essa nova realidade. O entusiasmo ajuda bastante, mas ainda não acrescenta dias ao calendário. Uma boa primeira reunião nesta fase do ano devia permitir que cada pessoa saísse a pensar: «Sei por onde começar e tenho com quem contar.» Já seria um excelente regresso. Mesmo para quem ainda tem areia no saco do portátil.O conteúdo A equipa voltou. A motivação não veio na mala aparece primeiro em Revista Líder.