Meta nega que Muse tenha lido mensagens privadas sem autorização

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A Meta negou que seu agente de inteligência artificial (IA) Muse tenha acessado mensagens privadas de um usuário sem autorização. A manifestação veio depois que o jornalista Jason Aten, colunista da Inc., afirmou que o sistema teve acesso ao banco de mensagens de seu Mac mesmo após ele não conceder permissão para isso.Segundo Aten, o Muse começou a sugerir ideias para uma coluna depois de ele conversar com o coapresentador de seu podcast sobre os novos iPhones. O agente também mencionou uma mensagem enviada por seu editor sobre a preparação de um texto.O problema, segundo o jornalista, é que ele não havia pedido ao Muse que analisasse suas mensagens e afirma ter escolhido explicitamente não conceder acesso a elas, assim como ao calendário e a outras informações pessoais.Quando questionou o próprio Muse sobre como havia descoberto o conteúdo das conversas, o agente respondeu que não tinha acesso ao histórico de mensagens. A explicação dada foi que o aplicativo no Mac estaria apenas recebendo o texto das notificações exibidas na tela.Aten, porém, afirma ter investigado os arquivos do computador e encontrado evidências de que o Muse havia sincronizado dados do banco local do aplicativo Mensagens. Segundo ele, a sincronização havia chegado à linha 187.462 do banco de dados.Meta diz que acesso depende de duas permissõesA Meta contestou a conclusão de Aten;Andy Stone, vice-presidente de comunicação da empresa, afirmou que a integração do Muse com o aplicativo Mensagens no Mac é totalmente opcional;Segundo ele, o usuário precisa habilitar tanto o Full Disk Access, recurso do macOS que concede acesso ampliado ao sistema de arquivos, quanto o conector do Mensagens dentro do Muse;“Você precisa habilitar tanto o Full Disk Access quanto o conector do Mensagens para que o Muse consiga ler o conteúdo das suas mensagens. Ele não consegue ler suas mensagens sem que você faça isso”, escreveu Stone no X.David Singleton, executivo do Meta Superintelligence Labs, apresentou uma explicação ainda mais detalhada. Segundo ele, o acesso envolve três etapas distintas de permissões no aplicativo e nas proteções do próprio macOS.Primeiro, o usuário precisa autorizar o Full Disk Access. Depois, pode definir o nível de acesso do Muse ao aplicativo Mensagens — nenhuma permissão, apenas leitura ou leitura dos conteúdos. Sem o Full Disk Access, essas opções permanecem desativadas.A ativação do acesso ampliado também exige uma confirmação adicional nas configurações do macOS e provoca a reinicialização completa do Muse, segundo Singleton. Para o executivo, essas proteções impediriam que o acesso fosse concedido acidentalmente ou sem conhecimento do usuário.Questionado, Muse poderá aparecer em dispositivo dedicado da Meta – Imagem: Divulgação/MetaJornalista diz que Full Disk Access estava desativadoO relato de Aten entra em conflito justamente nesse ponto.O jornalista afirma que, quando descobriu a sincronização das mensagens, o Full Disk Access estava desativado nas configurações do Muse em seu Mac. Ele também diz que a permissão não aparecia entre as autorizações concedidas ao aplicativo nas configurações de segurança e privacidade do computador.Aten questionou ainda a explicação fornecida pelo próprio Muse sobre as notificações. Segundo ele, o agente teria informado que recebia apenas o texto das notificações exibidas no Mac, e não o conteúdo armazenado no aplicativo Mensagens.Singleton contestou essa explicação. De acordo com o executivo, o Muse teria se confundido ao responder à pergunta e fornecido uma explicação incorreta sobre a origem das informações.A posição oficial da Meta, portanto, é que o cenário descrito por Aten não poderia ocorrer da maneira relatada, porque as proteções do aplicativo e do macOS exigiriam as permissões mencionadas.Leia mais:Lembra do Tamagotchi? Meta trabalha em dispositivo equipado com IA para usar o MuseMuse, agente de IA da Meta negocia teclado e compartilha endereço de usuário com comprador sem avisarMuse: o que esperar do agente de IA da Meta no BrasilCaso reacende discussão sobre privacidade de agentes de IAO episódio ocorre poucas semanas após o lançamento do Muse, apresentado pela Meta como um agente pessoal capaz de realizar tarefas em nome do usuário.A empresa afirma que o sistema foi desenvolvido com foco em segurança e privacidade e que as pessoas podem escolher quais aplicativos conectar ao agente e determinar quanto acesso ele terá. O Muse também foi projetado para pedir autorização antes de determinadas ações consideradas sensíveis.O caso das mensagens, porém, não é o único episódio recente envolvendo o agente. Outro usuário, o YouTuber Matt Robb, afirmou que utilizou o Muse para ajudá-lo a vender um produto no Facebook Marketplace e que o sistema acabou compartilhando seu endereço com um possível comprador. O comprador chegou a aparecer no endereço informado enquanto Robb não estava em casa.Nesse caso, porém, houve uma explicação diferente. Robb posteriormente afirmou que havia selecionado uma opção chamada “Allow Always” e que não havia entendido que a escolha permitiria ao Muse enviar mensagens automaticamente em seu nome. A Meta passou a analisar o episódio.Os dois casos colocam em evidência um desafio dos agentes de IA: para realizar tarefas em nome dos usuários, eles precisam receber acesso a aplicativos e informações pessoais, mas a quantidade e o tipo de acesso concedidos precisam ficar claros para quem utiliza a tecnologia.No caso das mensagens de Aten, a Meta afirma que o Muse não poderia ter acessado o conteúdo sem as permissões necessárias, enquanto o jornalista sustenta que encontrou o banco de mensagens sincronizado mesmo com o Full Disk Access desativado. Até o momento, as duas versões permanecem em conflito.O post Meta nega que Muse tenha lido mensagens privadas sem autorização apareceu primeiro em Olhar Digital.