A tecnologia e a inteligência artificial estão mudando o transporte metroferroviário e criando novas funções nas operações da Motiva. No setor, a companhia tem optado por capacitar internamente seus profissionais para preencher cargos ligados a drones, análise de dados, ultrassom de via e outros equipamentos automatizados.O movimento ocorre em um mercado desafiador: segundo a pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, encomendada pela Ford e realizada pelo Datafolha em abril deste ano, 98% das companhias brasileiras enfrentam dificuldades para contratar profissionais qualificados em tecnologia.Motiva aposta em capacitação interna para suprir a nova demandaNas linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, mais de uma dezena de cargos foram criados e incorporados às áreas que mais utilizam recursos tecnológicos. Na manutenção, por exemplo, há operador de drone, ultrassonografista, piloto de carro-controle e analista de dados coletados por ferramentas de IA embarcadas nos trens.“Essa demanda por profissionais de tecnologia no setor é recente, mas tem avançado muito rápido. Para algumas funções, por exemplo, é necessário que haja uma integração entre a área técnica e a de tecnologia, e o conhecimento prévio da operação e do negócio faz toda a diferença. Por isso, estamos sendo muito bem-sucedidos em recrutar, capacitar e promover internamente profissionais interessados em ampliar seus horizontes na carreira metroferroviária”, explica Ilsa Carla da Silva, gerente-executiva de pessoas da Motiva.No fim de agosto, a ViaMobilidade, responsável pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, incorporou mais seis operadores de drones ao seu quadro de colaboradores. Eles passaram por seleção interna e por uma capacitação de cinco dias, ministrada por profissionais de mercado e por pilotos que já atuam nos ramais. Com isso, a equipe passou a contar com dez profissionais dedicados aos voos ao longo das vias e estações.“Toda a capacitação foi construída a partir das necessidades que temos no dia a dia das operações. Essa equipe é responsável pelo mapeamento das vias e circulação de trens. Então eles têm interface tanto com o nosso time de segurança quanto com a manutenção. Os voos feitos com os drones conseguem cobrir uma área extensa de forma muito rápida, contribuindo desde a detecção simples de acessos à via para furtar cabos como também auxiliam na identificação de anomalias estruturais que precisam de intervenção o mais rápido possível”, explica Everton Trindade, diretor da ViaMobilidade – Linhas 8 e 9.Andressa Oliveira, antes Agente de Atendimento e Segurança (AAS), hoje atua como Agente Líder do Núcleo de Inteligência das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Ela coordena os operadores na definição de itinerários, escalas de voos e no atendimento às demandas de outras áreas. “Nosso principal foco hoje é atuar na prevenção e combate a furtos, vandalismo e outras situações que possam comprometer o bom funcionamento do sistema. Também apoiamos os times de manutenção em inspeções e monitoramentos que precisam ser realizados tanto durante a circulação dos trens quanto nas janelas em que atuam”, explica.Leia também:Aplicativo TOP antigo deixa de funcionar neste domingo; usuários devem migrarCartão TOP amplia atendimento para desbloqueio da biometria facial na Grande São PauloSemana de Tecnologia Metroferroviária termina com mais de 1,6 mil inscritos e plano de investimentos da STM ANTT aprova regras gerais para concessões e autorizações de ferroviasACCIONA abre mutirão com mais de 500 vagas operacionais para Linha 6-LaranjaMotiva conclui simulado de incêndio em trem da Linha 5-Lilás e reforça preparo para emergências CPTM arrecada mil brinquedos e avança na campanha Criança FelizPassageiros desempregados podem viajar gratuitamente nos Transportes Metropolitanos de SPUltrassom, carro-controle e robôs de limpeza ampliam as funçõesNas linhas 4-Amarela e 5-Lilás, dez profissionais já estão aptos aos voos. Os colaboradores escolhidos, cinco de cada linha, passaram por uma capacitação de quatro dias e foram certificados para atuar na nova função. Eles já faziam parte dos times de manutenção de equipamentos fixos e de manutenção civil e, agora, ajudam a agilizar o mapeamento das demandas das duas áreas.“Nosso setor metroferroviário passa por uma revolução importante, mas também silenciosa. Hoje, as operações exigem tanto conhecimento técnico clássico quanto leitura de dados e tecnologia avançada. Ao abrir espaço para novas profissões e treinar nossos times internos, mostramos que inovação e desenvolvimento profissional andam juntos tanto em nossa cultura como no dia a dia”, diz Antonio Marcio, diretor das linhas 4-Amarela e 5-Lilás da Motiva.Caíque Kanamaru, supervisor de manutenção de equipamentos físicos (MEF) da Linha 5-Lilás, participou do treinamento. Ele já operava drones por conta própria havia cerca de oito meses, mas a capacitação ampliou suas habilidades. Agora, o que antes era hobby faz parte da rotina de trabalho. Para o time do MEF, os equipamentos realizam inspeções de fachadas, para-raios, subestações de energia e outros pontos.Há também funções mais específicas que exigem contratação no mercado. Um exemplo é a de ultrassonografista de via, criada após a aquisição de um equipamento de ultrassom para varredura profunda da estrutura dos trilhos. A ferramenta identifica pequenas trincas, corrugações e outras deformações que podem comprometer a segurança da via ou exigir restrições de velocidade.Para acelerar o diagnóstico, a Motiva comprou uma máquina própria e trouxe um profissional dedicado para investigar os resultados e direcionar um plano de ação. A companhia também adotou o carro-controle, um caminhão adaptado que anda sobre trilhos e opera com joystick, como um videogame, para varrer estruturas metálicas e rede aérea. O equipamento ajuda a direcionar equipes de manutenção durante janelas diárias de cerca de 3h30.Entre as inovações que exigem profissionais especializados, os robôs de limpeza já reforçam o time de conservação de estações da Linha 5-Lilás. Embora operem de forma autônoma na maior parte do tempo, eles ainda dependem de uma empresa especializada para manutenção, programação e mapeamento das áreas a serem higienizadas.Robô que cuida da limpeza de plataformas da Linha 5-Lilás(Foto: Divulgação)A Motiva informa que a Linha 4-Amarela opera no modelo driverless, com sistema automático sem presença de condutor dentro do trem, e é o primeiro contrato de PPP assinado no país. Já a Linha 5-Lilás liga Capão Redondo à Chácara Klabin e tem 17 estações. A ViaMobilidade opera as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que atendem a região metropolitana de São Paulo e ampliam a integração com outras linhas do sistema.O post Tecnologia e inteligência artificial ampliam demanda de profissionais no transporte metroferroviário apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.