O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de devolução de três veículos apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo o Grupo Refit.Os automóveis pertencem ao empresário José Mauro de Farias Júnior e à empresa J15 Real Estate Participações. José Mauro mantém uma relação de amizade com o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, que passou a morar em uma cobertura adquirida pelo empresário.Ao acompanhar o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes considerou que ainda existem dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados na compra dos veículos e sua eventual vinculação aos fatos investigados. Para o ministro, a preservação dos bens continua necessária para o andamento da investigação.A defesa apresentou um agravo regimental nesta segunda-feira (28), contestando a decisão e sustentando que a própria Polícia Federal não havia solicitado especificamente a apreensão dos automóveis.Segundo os advogados, o mandado autorizava buscas no interior dos veículos, mas os agentes recolheram os três carros sem registrar uma justificativa individualizada para a medida.Os veículos são uma BMW X6, adquirida por R$ 400 mil, uma Kia Carnival, de R$ 660 mil, e uma Mercedes-Benz GLC 220D, comprada por R$ 335 mil. A defesa apresentou contratos e comprovantes bancários para sustentar que as aquisições foram realizadas com recursos lícitos.Os advogados também questionam as perícias solicitadas pela PF para investigar possíveis vestígios de entorpecentes, transporte oculto de mercadorias e adulteração de chassi. Para a defesa, as diligências extrapolam o objeto da investigação e configuram uma tentativa de encontrar provas sem relação previamente estabelecida com os fatos apurados.Outro ponto do recurso envolve a cobertura alugada a Cláudio Castro. Segundo os advogados, o imóvel foi adquirido regularmente e o contrato de locação foi firmado após a saída do ex-governador do cargo, por um valor ligeiramente inferior ao de mercado em razão da amizade entre as famílias.A defesa também argumenta que a Mercedes-Benz foi comprada em junho de 2022, antes dos fatos apontados pela Polícia Federal na representação que fundamentou a operação.No recurso, os advogados pedem que Moraes reconsidere a decisão e autorize a devolução dos automóveis. Como alternativa, propõe-se que os proprietários sejam nomeados depositários fiéis, inclusive com restrições à venda dos veículos.Caso o ministro mantenha o entendimento, a defesa solicita que o recurso seja submetido à Primeira Turma do STF.