Rei de Marrocos nomeia primeira chefe de governo da história do país

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O Rei de Marrocos, Mohammed VI, nomeou Fatima Ezzahra El Mansouri nesta terça-feira (29) como a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país, após seu partido de centro liberal ter saído vitorioso nas eleições parlamentares de 23 de setembro, informou o palácio real.O rei encarregou El Mansouri de formar um novo governo, segundo comunicado do palácio.O PAM (Partido da Autenticidade e Modernidade), de El Mansouri, foi criado em 2008 por um conselheiro do rei e, desde então, tem se posicionado como um contrapeso ao partido islamista PJD (Justiça e Desenvolvimento), defendendo a modernização social e visões de orientação secular.O Marrocos é uma monarquia constitucional na qual o rei detém amplos poderes sobre política externa, defesa e outras pastas estratégicas.De acordo com a Constituição marroquina, o rei nomeia o chefe de governo a partir do partido político que conquista o maior número de assentos na Câmara dos Representantes do país.O PAM, que era a segunda maior força na coalizão que deixava o poder, ascendeu à primeira posição, impulsionado pela adesão de Fouzi Lekjaa — presidente da federação de futebol do Marrocos e duas vezes gestor do orçamentogovernamental —, que se juntou ao partido semanas antes da eleição.El Mansouri, advogada que atuou como ministra da Habitação no governo anterior e como prefeita de Marrakech, cidade de cerca de 1 milhão de habitantes, liderará as negociações para formar um governo de coalizão e apresentará uma lista de membros do gabinete para aprovação do rei. Leia Mais Número de mortos em enchentes na Tailândia sobe para 23 Aeroporto na Itália fecha novamente após atividade do vulcão Etna Senadores dos EUA alertam governo Trump contra interferência no Brasil “Sem linhas vermelhas”O novo governo supervisionará as etapas finais de um plano de investimentos de 20 bilhões de dólares (cerca de 104 bilhões de reais) para preparar o país para a Copa do Mundo de 2030, que o Marrocos sediará em conjunto com Portugal e Espanha.Também implementará políticas econômicas voltadas para enfrentar o descontentamento generalizado entre os jovens — uma questão evidenciada pela corrida em massa à fronteira do enclave espanhol de Ceuta, em julho, e pelos protestos letais liderados pela Geração Z no ano passado.O PAM conquistou 97 cadeiras, seguido por seus parceiros no governo que está deixando o poder: o partido liberal centrista RNI (Reagrupamento Nacional de Independentes), com 66 cadeiras, e o conservador nacionalista Istiqlal, com 65.Durante a campanha, o PAM havia descartado manter uma coalizão com o RNI — ambos haviam trocado acusações sobre falhas políticas, incluindo a incapacidade de conter a alta nos preços dos alimentos.No entanto, El Mansouri declarou na quinta-feira que não estabeleceria “linhas vermelhas” nas negociações. “Viramos a página”, afirmou ela.Abdelilah Benkirane, ex-primeiro-ministro e líder do PJD — partido que conquistou 54 cadeiras —, disse que a legenda permanecerá na oposição.Três partidos de esquerda obtiveram uma parcela menor das cadeiras.A taxa de participação eleitoral, acompanhada de perto como um indicador de confiança nas instituições eleitas, caiu para cerca de 38%, ante aproximadamente 50% nas eleições anteriores, realizadas há cinco anos — ocasião em que o PJD, partido islâmico moderado, sofreu uma derrota avassaladora após uma década no poder.Nos últimos anos, o rei Mohammed VI nomeou uma mulher para o cargo de conselheira, e o Marrocos tem contado com mulheres em postos institucionais de alto escalão. O governo que está encerrando o mandato contava com quatro mulheres entre seus ministros.