O Ministério Público de São Paulo (MPSP) mantém atualmente cerca de R$ 47 milhões em criptomoedas sob sua custódia, resultado de apreensões realizadas em investigações e operações contra crimes cibernéticos desde 2024.O valor foi revelado pelo procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, durante a 32ª reunião do Conselho Superior do Ministério Público, realizada em 22 de setembro, cuja ata foi publicada no Diário Oficial do MPSP na última quarta-feira (30).Segundo o relato apresentado durante a reunião, os ativos digitais vieram de diferentes operações conduzidas nos últimos dois anos. As chaves e informações necessárias para acessar os recursos ficam armazenadas em estruturas controladas pelo próprio Ministério Público enquanto os processos seguem em andamento.O montante chama atenção para uma consequência cada vez mais comum da presença das criptomoedas em investigações criminais: depois de localizar e bloquear os ativos, autoridades precisam saber como transferi-los, armazená-los com segurança, acompanhar sua movimentação e, posteriormente, dar uma destinação ao patrimônio.Diferentemente de uma conta bancária tradicional, criptomoedas podem ser controladas diretamente por meio de chaves privadas. Se essas informações forem perdidas ou comprometidas, os recursos podem se tornar inacessíveis ou ser transferidos de forma praticamente irreversível.Por isso, rastreamento e custódia passaram a integrar o trabalho de órgãos responsáveis por combater lavagem de dinheiro, fraudes e crime organizado.Ministério Público amplia treinamento para rastrear criptomoedasA revelação dos R$ 47 milhões acontece no momento em que o MPSP amplia sua capacidade de investigar transações em blockchain. Em agosto, o órgão firmou uma cooperação com a ABcripto e a empresa de análise de blockchain Chainalysis para apoiar investigações relacionadas a ativos digitais.Em setembro, integrantes da instituição participaram de uma capacitação específica para rastreamento de transações, incluindo o uso de ferramentas capazes de seguir o caminho percorrido por criptomoedas entre diferentes endereços e plataformas.A lógica desse tipo de investigação é diferente da ideia de que criptomoedas seriam necessariamente anônimas. Blockchains como Bitcoin e Ethereum mantêm registros públicos das transações. O desafio dos investigadores é relacionar os endereços digitais às pessoas, empresas e serviços que estão por trás deles, além de acompanhar recursos que passam por diferentes carteiras, corretoras e redes.A necessidade de treinamento não está restrita a São Paulo. O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) realizou em agosto a capacitação “Do Rastro ao Resultado”, voltada justamente à recuperação e custódia de criptoativos. O encontro reuniu membros do Ministério Público, magistrados, forças de segurança e especialistas para discutir congelamento, apreensão, restituição, custódia institucional e gestão pública dos ativos depois que eles são recuperados.O Ministério da Justiça também lançou em setembro um curso de 30 horas sobre ativos virtuais em investigações criminais, aberto, entre outros públicos, a integrantes do Ministério Público e do Judiciário. A formação passa por identificação de transações, busca, apreensão, administração e alienação de criptomoedas.O movimento faz parte de um esforço mais amplo. Em acordo firmado entre o CNMP e a ABcripto, por exemplo, está prevista a criação de uma infraestrutura de integração entre o Ministério Público e empresas do mercado de ativos digitais, com módulos específicos de custódia e liquidação de criptoativos planejados para 2027.Criptomoedas ganham espaço em operações contra o crime organizadoA presença de ativos digitais em investigações cresceu junto com o uso de criptomoedas no Brasil, tanto em atividades legítimas quanto por organizações criminosas.Uma análise da Chainalysis publicada neste ano apontou que redes internacionais de lavagem de dinheiro, grupos ligados ao tráfico de drogas e agentes envolvidos em evasão de sanções aparecem entre os fluxos ilícitos identificados em plataformas utilizadas no Brasil. Segundo a empresa, essas três categorias responderam por mais da metade dos fluxos ilícitos identificados em um conjunto de exchanges brasileiras analisadas em 2025.Em São Paulo, o tema já apareceu em grandes operações. Em abril, por exemplo, Polícia Civil e Ministério Público realizaram a Operação Criptonita contra uma quadrilha investigada por extorsão e sequestro. O caso começou após uma tentativa de sequestro de um corretor de criptomoedas e mobilizou integrantes do Gaeco, além de unidades especializadas da polícia.O crescimento desses casos também muda a estratégia de combate ao crime organizado. Além de identificar suspeitos e obter provas, autoridades passaram a buscar o bloqueio rápido do patrimônio digital para evitar que recursos sejam transferidos para outras carteiras ou plataformas no exterior.É nesse ponto que ferramentas de análise de blockchain ganharam espaço. Elas permitem acompanhar transações públicas, identificar conexões entre diferentes endereços e, em alguns casos, chegar a serviços como exchanges, onde uma ordem judicial pode permitir o congelamento dos recursos.A própria Chainalysis afirma que seus dados já foram utilizados globalmente em operações que resultaram em US$ 34 bilhões em fundos ilícitos apreendidos, congelados ou recuperados. A companhia informa atender mais de 1.500 organizações, incluindo forças policiais, instituições financeiras, exchanges e mais de 50 órgãos reguladores.O patrimônio de R$ 47 milhões agora mantido pelo Ministério Público paulista mostra que esse desafio já deixou de ser apenas teórico. Com a multiplicação das apreensões, a discussão passa também pelo que fazer com os ativos durante os processos e após decisões definitivas — incluindo como armazená-los sem risco, quando convertê-los em reais e como evitar que a volatilidade das criptomoedas altere significativamente o valor do patrimônio sob custódia.A porta de entrada para o bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, está no MB. É simples, seguro e transparente. Deixe de adiar um investimento com potencial gigantesco. Invista em poucos cliques!O post MP de São Paulo tem R$ 47 milhões em criptomoedas apreendidas apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.