Gears of War: E-Day é o novo capítulo da tradicional franquia de ação da Xbox, com lançamento para Xbox Series X, Xbox Series S e PC no dia 6 de outubroGears of War: E-Day recupera a essência da franquia com combate brutal. Desenvolvido pela The Coalition, responsável pelos títulos mais recentes da série, o game se passa 14 anos antes dos acontecimentos do primeiro Gears of War e acompanha Marcus Fenix e Dominic Santiago durante os primeiros dias da invasão dos Locust. Ao lado de Mags e Lucas, os protagonistas precisam enfrentar uma ameaça ainda desconhecida enquanto a cidade de Kalona é transformada em um dos primeiros grandes campos de batalha da guerra.O jogo aposta no combate brutal que consagrou Gears of War, mas também apresenta novidades no arsenal, no sistema de recarga e na condução da campanha. Com gráficos impressionantes e uma história que funciona tanto para veteranos quanto para quem ainda não conhece profundamente a franquia, E-Day chega como uma das principais apostas do Xbox. Mas será que o retorno às origens consegue manter Gears of War relevante nos dias de hoje? É o que contamos neste review. Veja, a seguir, a nossa análise sobre história, combate, progresso, desempenho e se vale a pena jogar.🎮 Gears of War E-Day | Horde Siege é o modo on-line que a franquia precisava📲 Comparador de celulares do TechTudo: veja os melhores para jogarReview | Gears of War: E-DayArte/TechTudo➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews👉 Qual melhor franquia de RPG de todos os tempos? Opine no Fórum do TechTudoInitial plugin textGears of War: E-Day recupera a essência da franquia com combate brutalSabia o que será analisado neste review:Gears of War: E-Day vale a pena?História de Gears of War: E-DayCombate que todo fã de Gears esperavaPersonagens do esquadrão pecam no desenvolvimentoProgresso surpreendente para um jogo quase linearDesempenho e gráficos excepcionaisGears of War: E-Day vale a pena?Gears of War: E-Day é, para mim, uma experiência bastante particular. Apesar de ter passado mais de uma década usando o Xbox One como minha principal plataforma, nunca tive uma relação tão próxima da franquia. Joguei alguns títulos de Gears of War ao longo dos anos, mas nunca cheguei a acompanhar a série de perto ou entender completamente por que ela se tornou tão importante para os fãs do console. E foi justamente E-Day que despertou em mim uma vontade maior de conhecer a franquia.Parte disso aconteceu antes mesmo do lançamento. No meio do ano, o TechTudo viajou para os Estados Unidos para acompanhar o Xbox Game Showcase, em Los Angeles, e tivemos a oportunidade de conhecer mais de perto o desenvolvimento de E-Day e conversar com algumas das pessoas envolvidas no projeto. Os desenvolvedores deixaram claro que uma das principais preocupações era recuperar as origens de Gears of War sem simplesmente repetir o passado, criando uma experiência que também pudesse servir como porta de entrada para novos jogadores. Depois de jogar o título, acredito que essa proposta funciona.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoMesmo sem conhecer profundamente a franquia, E-Day conseguiu me mostrar rapidamente aquilo que parece estar no coração de Gears of War. O combate é pesado e brutal, as armas têm bastante impacto e os confrontos conseguem transmitir uma sensação constante de perigo. Ao mesmo tempo, a campanha não depende apenas da ação para prender a atenção. A cidade de Kalona é um dos elementos que mais me encantaram, principalmente pela maneira como o cenário se transforma conforme a invasão dos Locust avança. O ambiente não parece apenas um lugar por onde o jogador passa, mas uma parte importante da experiência.Isso também ajuda a construir a atmosfera de E-Day. O jogo não é uma experiência de terror, mas utiliza elementos sombrios e momentos de tensão para transmitir a sensação de calamidade vivida pelos personagens. Principalmente nas primeiras horas, existe uma preocupação em fazer o jogador sentir que Marcus, Dom e os outros soldados estão diante de algo que não compreendem completamente. Os Locust não são apenas inimigos que aparecem para serem derrotados: eles representam uma ameaça desconhecida que transforma completamente aquele mundo.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoO resultado é uma experiência que conseguiu me surpreender justamente por eu não ser um jogador tão familiarizado com Gears of War. E-Day me fez entender melhor o apelo da franquia e, principalmente, despertou a vontade de conhecer os outros jogos da série. Para quem já acompanha Marcus, Dom e os Locust há anos, existe aqui uma volta às origens que preserva elementos fundamentais de Gears. Para quem, assim como eu, nunca teve um contato tão profundo com a franquia, o jogo também funciona como uma porta de entrada bastante natural. E-Day também chega em um momento importante para o Xbox. O jogo passou por uma mudança de estratégia antes do lançamento, deixando de ser tratado como um título que chegaria também ao PlayStation 5 para se tornar uma das principais apostas da Microsoft para reforçar novamente o peso dos exclusivos do Xbox, mantendo o lançamento no console e no PC. Isso coloca o jogo em uma posição diferente dentro do catálogo da plataforma, especialmente por se tratar de uma das franquias mais tradicionais associadas ao Xbox.Confira outras análises do TechTudoStar Wars Zero Company acha seu caminho em uma galáxia não tão distanteHalo: Campaign Evolved impacta com visuais únicos na nova era do Xbox007 First Light entrega o jogo de James Bond certo na hora certaCrimson Desert tem história fraca, mas acerta no que se propõeResident Evil: Requiem vale o hype e entrega tensão do início ao fimPRAGMATA encanta com protagonistas carismáticos e combate intensoHistória de Gears of War: E-DayGears of War: E-Day se passa 14 anos antes dos acontecimentos do primeiro Gears of War e acompanha os primeiros dias da invasão dos Locust, em um momento em que a humanidade ainda tentava se adaptar ao fim das Guerras do Pêndulo. O conflito entre a COG e a UIR terminou após a captura da tecnologia do Hammer of Dawn, uma arma que mudaria o rumo da guerra e levaria os inimigos à rendição. Apenas seis semanas depois, porém, os Locust emergiram do subsolo de Sera e iniciaram um ataque em escala global. Cerca de um quarto da população humana foi morta nas primeiras 26 horas, no evento que ficou conhecido como Emergence Day.É nesse cenário que a campanha acompanha Marcus Fenix e Dominic Santiago em Kalona, cidade localizada em Tyrus. Os dois são jovens veteranos das Guerras do Pêndulo que acabaram de voltar para casa depois de anos de conflito. Marcus e Dom ainda não são os soldados endurecidos apresentados no primeiro Gears of War e tentam entender como será a vida depois da guerra. A paz, porém, é marcada pelo luto: Carlos Santiago, irmão mais velho de Dom e melhor amigo de Marcus, morreu em combate pouco antes do fim das Guerras do Pêndulo. Sem Carlos, a relação entre os dois começa a história mais distante do que os jogadores estão acostumados a ver.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoA morte de Carlos está diretamente ligada à Operação Leveler, missão que levou a COG a capturar informações e tecnologia relacionadas ao Hammer of Dawn em Aspho Fields. Dom participou da operação, enquanto Carlos morreu durante o conflito. A missão foi decisiva para o avanço da COG nas Guerras do Pêndulo e também se tornou uma das principais feridas que aproximam e, ao mesmo tempo, afastam Marcus e Dom no início de E-Day.A campanha também apresenta o Esquadrão Bravo, formado por Marcus, Dom e dois personagens inéditos e jogáveis: Mags Carter e Lucas Reyes. Mags é uma veterana das Guerras do Pêndulo que trabalhava na refinaria de Imulsão de Kalona antes de voltar ao combate, enquanto Lucas é um jovem cadete e oficial de comunicações que nunca chegou a atuar na linha de frente. Os quatro acabam reunidos quando os Locust surgem e, enquanto a população tenta fugir da ameaça, correm em direção ao perigo.Gears of War: E-DayReprodução/Luã SouzaA história se concentra em três dias de invasão e acompanha a queda de Kalona enquanto Marcus, Dom, Mags e Lucas tentam entender o que está acontecendo. No início, nem mesmo os soldados sabem contra o que estão lutando. Os Locust aparecem como criaturas desconhecidas, e a percepção sobre a ameaça muda conforme o esquadrão descobre que não está diante de monstros irracionais, mas de um exército organizado, com armas, soldados e uma estrutura própria.Esse primeiro contato também serve para explicar a origem de elementos importantes da franquia. O exemplo mais conhecido é a Lancer com motosserra, que surge de maneira improvisada durante a invasão. A Coalition aproveita o período anterior ao primeiro Gears of War para mostrar um mundo que ainda não sabe como enfrentar os Locust, dando à campanha um tom mais próximo do terror e da sobrevivência. A cidade de Kalona, que até então celebrava o fim das Guerras do Pêndulo, passa rapidamente de símbolo de paz para um dos primeiros grandes campos de batalha da guerra.Gears of War: E-DayReprodução/Luã SouzaCombate que todo fã de Gears esperavaPoucas coisas são tão Gears of War quanto o combate de E-Day. Mesmo sendo minha primeira experiência realmente próxima da franquia, foi rápido entender por que esse sistema se tornou uma das principais marcas da série. O jogo aposta novamente em confrontos pesados e brutais, tanto com armas de fogo quanto no corpo a corpo, mas consegue introduzir algumas novidades que deixam a fórmula ainda mais interessante. O resultado é um combate muito divertido, dinâmico e que, na minha opinião, é o ponto alto de Gears of War: E-Day.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoO arsenal tem um papel importante nessa dinâmica. É possível carregar três armas diferentes ao mesmo tempo, além de uma arma arremessável, como granadas, permitindo adaptar o estilo de jogo de acordo com cada situação. Uma escopeta, por exemplo, causa bastante dano, mas exige que o jogador esteja mais próximo dos inimigos para ser realmente eficiente. Já as metralhadoras permitem atacar de uma distância maior e algumas contam até mesmo com baionetas que podem ser usadas para avançar contra os adversários, embora sejam menos precisas do que rifles voltados para combates de longa distância. As pistolas funcionam mais como uma alternativa emergencial, especialmente quando é necessário trocar rapidamente de arma. Essa variedade faz com que a escolha do arsenal realmente altere a dinâmica dos confrontos, em vez de servir apenas como uma mudança entre diferentes tipos de armamento.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoA variedade de inimigos também contribui para manter as batalhas interessantes ao longo da campanha. Existem adversários mais resistentes, outros mais frágeis, inimigos especializados em ataques corpo a corpo e soldados equipados com suas próprias armas de fogo. Conforme novos tipos aparecem, é necessário adaptar a maneira de enfrentar cada grupo, criando situações que exigem estratégias diferentes. Isso ajuda a evitar que os combates se tornem repetitivos, algo que também é favorecido pela variedade dos cenários. As arenas não parecem simplesmente repetir a mesma estrutura, e a forma como os ambientes são construídos faz com que seja necessário se movimentar, procurar cobertura e escolher melhor quando avançar ou recuar.Um dos elementos que mais gostei, porém, foi o sistema de recarga. Ao apertar RB para recarregar, um indicador aparece na HUD e exige que o jogador pressione o botão novamente no momento certo. Acertar a marca amarela faz com que a recarga seja realizada mais rapidamente e ainda pode conceder bônus para a arma, enquanto errar o timing aumenta o tempo necessário para concluir o processo. É uma mecânica simples, mas que transforma uma ação normalmente automática em uma pequena decisão de risco e recompensa. Em meio a um tiroteio, acertar o momento da recarga pode fazer diferença entre conseguir voltar para a batalha rapidamente ou ficar vulnerável por alguns segundos. A mudança na posição desse indicador também ajuda, já que ele fica mais próximo do centro da visão e da própria arma, facilitando a leitura sem exigir que o jogador desvie tanto a atenção da ação.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoO combate corpo a corpo também recebeu bastante atenção e é um dos elementos que mais me surpreenderam. Os golpes são extremamente brutais e têm bastante impacto visual, especialmente pela quantidade de sangue que pode respingar na tela durante os confrontos. Em alguns momentos, o efeito chega a poluir um pouco a visão, mas, para mim, isso também contribui para a sensação de imersão. É como se o jogador estivesse realmente vendo aquela violência pelos olhos de Marcus e Dom, reforçando a brutalidade que sempre fez parte da identidade de Gears of War. Para mim, é com certeza o ponto mais positivo do jogo.Personagens do esquadrão pecam no desenvolvimento Apesar de o combate funcionar muito bem, a dinâmica com o esquadrão deixa um pouco a desejar. Marcus e Dom estão acompanhados por Mags e Lucas durante boa parte da campanha, formando o grupo principal de soldados que acompanha os protagonistas. Na prática, porém, eles não fazem tanta diferença durante as trocas de tiro. Os inimigos naturalmente concentram boa parte da atenção no personagem controlado pelo jogador, algo comum nesse tipo de experiência, mas isso faz com que os companheiros pareçam mais coadjuvantes da ação do que integrantes de um esquadrão de fato.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoExiste, porém, uma mecânica de reanimação que funciona muito bem e dá mais importância à presença desses personagens. Marcus e Dom são soldados extremamente treinados e conseguem suportar uma quantidade considerável de dano antes de serem derrubados. Quando isso acontece, é necessário pressionar o botão X repetidamente para resistir ao sangramento e se arrastar até um companheiro, que pode tentar reanimar o personagem. O mesmo vale para os integrantes do esquadrão: eles também podem ser derrubados e, em algumas situações, conseguem se recuperar sozinhos, enquanto em outras é necessário ir até eles para ajudá-los.Na dificuldade padrão, é possível ser derrubado até quatro vezes entre os pontos de controle. Quando um novo checkpoint é alcançado, essa quantidade é recuperada, criando uma margem de segurança que evita que cada queda se transforme imediatamente em uma tela de Game Over. Mesmo sendo uma mecânica que facilita bastante a sobrevivência, não senti que ela deixasse o jogo desequilibrado. Até o momento, inclusive, ainda não cheguei a morrer durante a campanha. A resistência dos protagonistas também faz sentido dentro da própria proposta da história, já que Marcus e Dom são soldados altamente treinados e apresentados como personagens fisicamente muito fortes. Isso aparece inclusive em outras situações da campanha, como quando conseguem levantar estruturas pesadas durante a exploração.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoO problema maior está na maneira como esses companheiros se comportam fora dessas situações. Em alguns momentos, percebi comportamentos estranhos na inteligência artificial, principalmente quando avancei pelo cenário e olhei para trás para encontrar os integrantes do esquadrão parados, esperando que o roteiro permitisse que eles continuassem. Isso aconteceu, por exemplo, depois de subir uma escada. Em vez de simplesmente acompanhar Marcus e Dom, os companheiros permaneceram no lugar até que o jogador avançasse o suficiente para acionar a próxima etapa da sequência. É um detalhe pequeno, mas que quebra um pouco a imersão. Quando um jogo apresenta um grupo de soldados caminhando junto dos protagonistas, a expectativa é que eles funcionem como um esquadrão de verdade, e não apenas como personagens que acompanham o jogador quando o script permite.Também senti falta de um desenvolvimento maior dos personagens que compõem esse grupo. Marcus e Dom carregam naturalmente grande parte da narrativa por serem figuras históricas de Gears of War, mas Mags e Lucas não recebem o mesmo nível de atenção. O jogo poderia ter criado mais momentos de pausa entre os confrontos para apresentar melhor esses personagens, mostrar suas relações e fazer com que o jogador realmente se importasse com eles. Depois de tantos momentos de troca de tiros, uma quebra de ritmo para conhecer melhor os companheiros ajudaria a dar mais profundidade à campanha.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoNão considero essa uma falha capaz de comprometer a experiência como um todo. E-Day consegue se sustentar mesmo sem transformar cada integrante do esquadrão em um personagem extremamente desenvolvido. Ainda assim, vejo aqui uma oportunidade perdida. A mecânica de reanimação mostra que existe espaço para fazer o grupo participar de maneira mais significativa da campanha, mas essa mesma importância não aparece com a mesma força na inteligência artificial ou no desenvolvimento dos personagens. No fim, o esquadrão funciona, mas poderia ter sido muito mais presente e relevante para a experiência.Progresso surpreendente para um jogo quase linearGears of War: E-Day também toma uma decisão que pode parecer incomum para um jogo lançado atualmente: não existe uma árvore de habilidades tradicional para Marcus e Dom. Em uma época em que praticamente todo jogo de ação parece ter algum sistema de evolução baseado em pontos, habilidades ou melhorias de personagem, a escolha da desenvolvedora chama a atenção. No caso de E-Day, porém, acredito que ela faça bastante sentido, principalmente por se tratar de um jogo com mundo semi-aberto.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoA ausência de uma árvore de habilidades também evita que o jogador precise se preocupar demais em aprender e administrar diferentes habilidades dos protagonistas. O foco continua sendo aquilo que sempre pareceu mais importante para Gears of War: as armas e a maneira como cada jogador decide conduzir os combates. É possível adotar uma postura mais cautelosa, utilizando as coberturas para avançar aos poucos e evitar o fogo inimigo, ou simplesmente partir para cima dos adversários com armas mais pesadas, explosivos e ataques mais agressivos. Essa liberdade de abordagem funciona melhor para a proposta da franquia do que um sistema que obrigasse o jogador a investir constantemente em habilidades.Por isso, gostei da decisão de manter o progresso mais simples. E-Day não precisa criar uma camada de evolução artificial para fazer o jogador sentir que está avançando. A própria evolução do arsenal, dos inimigos e das situações encontradas durante a campanha já é suficiente para criar essa sensação de progresso.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoIsso fica ainda mais evidente na maneira como a campanha é conduzida. Um jogo desse tipo precisa ter um ritmo muito bem construído. É quase como uma dança: se a condução for rápida demais, o jogador pode sentir que está sendo atropelado pelo jogo; se for lenta demais, a experiência pode se tornar cansativa. E-Day consegue encontrar um equilíbrio muito bom nesse aspecto, alternando momentos de combate, exploração, cenas da história e pequenas pausas antes de apresentar novamente uma nova situação.A maneira como a história é apresentada também ajuda bastante. Em vez de depender constantemente de textos ou diálogos em áudio para explicar o que está acontecendo, o jogo permite que o jogador veja boa parte dos acontecimentos diante dos próprios olhos. As cutscenes, os cenários e a própria progressão da campanha ajudam a mostrar a transformação de Kalona e o surgimento da ameaça dos Locust. Dessa forma, o jogador não apenas recebe informações sobre o que está acontecendo, mas acompanha a história enquanto ela se desenvolve.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoOs próprios cenários ajudam a manter esse ritmo. Conforme avançamos pela campanha, novos ambientes são apresentados, os confrontos mudam, diferentes tipos de inimigos aparecem e novas armas são incorporadas ao arsenal. Cada uma dessas mudanças funciona como uma pequena renovação da experiência, evitando que a estrutura linear pareça repetitiva.O progresso de E-Day poderia facilmente se tornar cansativo justamente por seguir uma estrutura mais tradicional e linear. Mas a desenvolvedora entende que Gears of War é uma franquia com uma identidade muito forte e que essa identidade precisa ser respeitada. Em vez de adicionar sistemas de progressão apenas porque eles se tornaram comuns nos jogos atuais, E-Day mantém o foco no combate, na campanha e na maneira como esses elementos evoluem ao longo da jornada. Para mim, essa escolha é mais uma demonstração de que o jogo entende muito bem aquilo que torna Gears of War tão marcante.Desempenho e gráficos excepcionaisGears of War: E-Day também é um verdadeiro primor técnico. Tive a oportunidade de testar o jogo no Xbox Series X, um console de alto desempenho, e o resultado impressiona. Graficamente, E-Day é belíssimo, desde a construção da cidade de Kalona até o design dos personagens e a quantidade de detalhes presentes nos cenários. É um daqueles jogos que conseguem mostrar claramente o potencial que a atual geração de consoles ainda tem para oferecer.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoNo início dos testes, cheguei a perceber um pouco de serrilhado em algumas imagens, mas logo entendi que o problema estava muito mais relacionado às configurações que eu estava utilizando no Xbox do que ao próprio jogo. Depois de fazer os ajustes necessários, consegui enxergar melhor o potencial visual que a desenvolvedora colocou em E-Day. A partir daí, a experiência foi praticamente impecável nesse sentido.O desempenho também foi bastante estável durante a campanha. Tive poucos problemas e, na prática, apenas uma situação de travamento chegou a interromper minha experiência. O problema aconteceu enquanto eu capturava prints e vídeos simultaneamente pelo próprio Xbox e, em determinado momento, o jogo travou e precisei fechá-lo para iniciar novamente. Por isso, não considero esse episódio suficiente para colocar o desempenho de E-Day em dúvida, principalmente porque estava relacionado ao uso simultâneo dos recursos de captura do console.Gears of War: E-DayVictor Bastos/TechTudoMinha única ressalva está na escolha da Unreal Engine. Apesar de a tecnologia entregar resultados impressionantes, em alguns momentos tive a sensação de que ela já chegou muito perto do seu limite visual. O design de alguns personagens e a própria maneira como determinados elementos gráficos são apresentados me lembraram bastante Marvel's Wolverine, por exemplo. Não apenas pelo visual dos personagens, mas também por algumas características na construção gráfica. Como os dois jogos utilizam a mesma engine, essa semelhança acaba chamando atenção.👉 Marvel’s Wolverine diverte, mas não consegue criar identidade própriaÉ uma percepção que pode parecer um pouco preciosista e que, durante a experiência, não chegou a me incomodar de verdade. Ainda assim, acredito que seja um ponto que merece atenção dos desenvolvedores. Conforme mais jogos utilizam a mesma tecnologia, existe o risco de determinadas características visuais começarem a se repetir entre produções diferentes. Talvez seja necessário encontrar novas maneiras de explorar a engine ou até buscar alternativas no futuro para evitar que essa identidade compartilhada fique evidente demais.No fim, porém, essa é uma ressalva pequena diante do resultado apresentado por E-Day. Dentro das escolhas feitas pela desenvolvedora, o jogo é impecável do ponto de vista gráfico e técnico. É uma produção belíssima, com excelente nível de detalhes e desempenho muito consistente, que mostra que a atual geração de consoles ainda tem bastante potencial a ser explorado.⭐ Nota final:Initial plugin textMais do TechTudoVeja também: CRIMSON DESERT É BOM?? Testamos o jogo por 100 horas!CRIMSON DESERT É BOM?? Testamos o jogo por 100 horas!