O fim das plataformas digitais de apostas online, conhecidas como bets, representa um marco de oportunidades para micro e pequenas empresas. A avaliação é do presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, que analisa que o capital antes drenado por essas plataformas volta para as mãos dos consumidores, reaquecendo o varejo. Somente em 2025, as bets somaram R$ 65 bilhões em apostas dos brasileiros.Oficializadas em 2018, as bets tornaram-se um fenômeno com enorme impacto sobre o orçamento das famílias. A repercussão desses gastos na economia provocou um grave e silencioso desvio de renda que atingiu em cheio o faturamento das micro e pequenas empresas em todo o país. O Banco Central informou que o volume de transações com Pix caiu cerca de 10% nos três dias após a publicação da Medida Provisória (MP) que proíbe as apostas.Para o dono da micro e pequena empresa, a restrição às bets representa não apenas uma mudança regulatória sobre apostas, mas a chance de retomar o crescimento, observa Rodrigo Soares.“O fim das bets sinaliza para mais movimento na padaria, no açougue, no mercadinho e na floricultura. Cada real que retorna à economia real gera um efeito multiplicador que cria empregos, estimula a renda e eleva a arrecadação local”Rodrigo Soares, presidente do SebraePara aproveitar as oportunidades que se abrem com o aumento do poder de consumo, o Sebrae ressalta a importância de planejamento e de capacitação para os pequenos negócios. “O momento exige gestão eficiente, melhoria de processos e inteligência de mercado para capturar essa demanda represada — jornada na qual o Sebrae se posiciona ao lado do empresário para transformar o reaquecimento das vendas em desenvolvimento sustentável”, destaca o presidente do Sebrae.Impacto na atividade econômicaEstudo conjunto da Universidade de São Paulo (USP) com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que as apostas reduziram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões a atividade econômica brasileira no último ano. É um volume bilionário de recursos que deixou de circular no comércio dos bairros, afetando diretamente restaurantes, salões de beleza, oficinas mecânicas e o pequeno varejo. A conta é simples: menos dinheiro disponível para o consumo das famílias traduziu-se em menos vendas e queda de faturamento na ponta.Além do impacto comercial imediato, o fenômeno gerou um severo custo social. Segundo estimativas do Laboratório de Estudos de Políticas Públicas (LEPP), as perdas sociais ultrapassam R$ 40 bilhões por ano, dos quais mais de R$ 30 bilhões estão ligados à saúde pública. A ludopatia (vício em apostas) deflagrou uma onda de depressão e ansiedade, levando a um salto de 140% na procura por atendimento no SUS por problemas associados ao jogo nos últimos cinco anos.“Para a economia, esse drama humano reflete-se em faltas ao trabalho, queda na produtividade e perda de renda familiar”, observa Rodrigo Soares. “A proibição e a consequente retirada do ar das bets, marcada para 6 de outubro, deve estabelecer um fim nessas perdas da economia e restabelecer um ambiente que estimule a retomada de circulação do dinheiro e do consumo”, avalia o presidente do Sebrae.